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6 de maio de 2013

Efemeridade de raízes

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Ninguém passa desapercebido. Cada um tem um presente pra te entregar, ujm pedaço de entrega pra deixar com você. Nem todo presente nos agrada, mas ainda assim nos é importante em algo. Algumas contribuições são sorrisos, flores, alegrias. Outras, decepções, roupa de número menor ou maior ou cara emburrada. Na escolha, obviamente, a primeira leva de presentes é vencedora, soberana, rindo da segunda. Mas no fundo é a roupa de número errado que nos incomoda e nos faz lembrar de pontos que precisamos mudar em nós mesmos. Algumas vezes temos que nos esticar, algumas nos encolher. Em outras, o ajuste é na roupa. E até a decisão de jogar fora a tal roupa que nunca vai te servir mas deixou um apego emocional é difícil. E ensina.

Tudo passa muito rápido. Mas a intensidade e forma com que cada coisa acontece e cada pessoa passa por nós é que mostra as raízes que se instalam na nossa terra, querendo ou não. E uma variável complementa a outra. Não é porque algo foi intenso que teve a forma correta para criar raiz. O contrário também é válido. Essa combinação é poderosa e pode criar raízes tão fortes capazes de romper qualquer concreto colocado por cima delas. É aí que entra aquele primeiro fator: o tempo. Com ele, vivências sensacionais deixam de ter tanto brilho ou ganham ainda mais, cenas cotidianas e banais ganham força ou são simplesmente esquecidas com o passar das horas.

Bom é poder olhar pra trás e enxergar tudo com carinho e respeito, afinal essa é a vida que fez quem você é hoje. Ainda assim, a nostalgia deve ter o limite do seu eu atual. É ele que manda em tudo e diz o que serve e o que não presta.

Apesar de efêmero, pode enraizar. Apesar de enraizar, pode nunca florescer. E ainda assim a natureza é bonita e perfeita.

3 de abril de 2013

Depois da Trifurcação

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Idealização. Representação material de uma vontade pré-existente, de um desejo íntimo não elaborado pra essa personificação. Tomada de posse quase que repentina, sorrateira.

Difícil não querer. Encanto de predador sobre presa. Superfície estampa a realidade tão crua que as subcamadas ganham brilho, mistério e uma película protetora extra, camufladora, maquiada de oásis. O que se vê é o que se é.

Ser ou não ser? Essa não é mais a questão. Estar é sinônimo de ser num espectro temporal, não há diferença. Se estar-se é o tempo vivido, é ser-se. E torna-se o esperar que seja e o que poderia ser, quando tudo simplesmente é.

A metamorfose que dá vida à borboleta ainda acontece sobre a lagarta e a preserva, mas com asas mais bonitas, mais chamativas, mais atrativas. São as mais belas asas em uma mesma lagarta repulsiva. A beleza e encanto das asas, máscaras venezianas que dão vida e cor a olhos inocentes e prontos para o belo, mesmo que maliciosos o suficiente.

Ver o espetáculo conquista a pureza, que em sua sagacidade busca o belo por trás das cortinas, nos bastidores da mostra de estímulos. Os olhos buscam fundo, encontram a pequena luz do sorriso triste coberto de cerâmica e tinta ou do rastejo lamentoso que aguarda alçar voo. Mas nada desse encontro passa de futuro condicional ao alheio.

As pequenas chamas que podem nunca se acender. Se não acendem, são potências de energia que não se tornam fogo e calor. São chamas que não são. Se estão rastejo, assim o são, sem vida para sentir, sem asas para voar, com somente um mundo casulo para existir.

Ao longe, manter a máscara para curtir o carnaval por todo ano tira as borboletas do estômago para voarem desorientadas para novos jardins. Jardins de inverno que demoram a florescer.

Mas sempre chega a primavera.


14 de dezembro de 2012

É difícil falar português pra ser ouvido

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Para um estrangeiro, a nossa língua mãe é um tanto complicada de se aprender. São inúmeras flexões verbais e composições de palavras que geram entonações completamente diferentes e isso é extremamente complicado para alguém que vem do inglês modular. Até nós, quando questionados por eles, temos certa dificuldade de explicar algumas coisas. Não é só "saudade" que tem uma explicação complexa. Aliás, é sobre nós mesmos que eu gostaria de falar.

Para nós, brasileiros, o português é quase um tabu. Se escrevemos uma mensagem como manda a ortografia e gramática, somos muito formais ou certinhos demais. Se usamos nosso idioma para expressar aqueles sentimentos um pouco mais íntimos ou reflexões da alma, é inevitável o medo do julgamento. E isso nós levamos a sério! Não é uma simples invasão norte-americana/inglesa em terras tupiniquins. São índios tentando se comunicar com quem não é índio. Nossas tribos nunca estão boas o suficiente. Passando batido pelo nacionalismo, meu foco é mais em como o português é usado, principalmente em redes sociais, para se expressar. Pouca gente vai assumir publicamente para seus "amigos" da Internet "estou me sentindo sozinho, sentindo falta de alguém especial ao meu lado". Mas quantas vezes você já não se deparou com frases como "feeling alone, miss someone by my side"? E não é que é a mesmíssima coisa?

É muito mais "cool" falar "cool" do que "legal", que aliás, soa brega para alguns. E quanto mais indecifrável for seu enigma nas redes, mais importante você se torna, mais holofotes você angaria pra você mesmo. Se eu quisesse dizer que não sei como lidar com situações da minha vida e soubesse húngaro, eu mandaria um "Nem tudom, hogyan kell kezelni" que ia me dar muito mais status e proteção para não ser julgado tão facilmente. Somente os mais interessados na minha vida, iriam parar 5 minutos para "Googlar" o que escrevi e isso fazer sentido. E esses teriam o prêmio de me entender melhor. Mas me questiono porque fazemos essa escolha? E fazemos todos, sem exceção. Mesmo quando em português, a frase tem que ser de impacto. "Refletindo..." é um bom enigma para gerar dezenas de comentários e aplacar um pouco das dores que essas reflexões podem ter causado. E as pessoas farão a boa ação de nos ajudar sem nem mesmo saber qual é o nosso problema. Não é fantástico?

Talvez. Mas há sempre o outro lado de cada questão. Será que não estamos ficando cada vez mais superficiais e deixando de aproveitar as coisas boas que cada pessoa pode nos oferecer de verdade? Peneirar, via enigmas, os verdadeiros interessados na nossa vida (à nossa maneira, sempre) é mais enriquecedor do que uma conversa sobre amenidades e coisas profundas com alguém numa mesa de bar, num café ou mesmo numa visita àquele amigos que nunca mais visitamos porque não temos tempo para muita coisa além de todos os nossos afazeres diários e o tempo despendido atualizando os amigos virtuais com coisas tão interessantes e importantes na nossa vida, quanto uma reclamação sobre o calor que tem feito ou o trânsito infernal que se enfrenta em São Paulo? Não acredito muito nisso.

Quando nosso perfil é um pouco mais observador, começamos a notar em pouco tempo de convivência, as pessoas que valem a pena ter um pouco mais de profundidade nas relações. E se formos espertos, saberemos como nos aproveitar disso para o bem de ambos. E profundidade pode vir dos mais diversos tipos de relação: amigos, colegas de trabalho, amores, rolos e affairs, família e até o porteiro do prédio. Tudo depende de quanto estamos dispostos a nos doar pro mundo. Dar a cara a tapa falando o português claramente não é fácil, mas é muito, muito mais gostoso do que se esconder atrás de pseudo-escudos. A liberdade se busca assim. Ser independente não significa que não podemos criar na gente certa dependência dos outros, mas sim que sabemos gerenciar essa dependência. Fácil não é, mas o caminho das pedras ensina a cada dia.

O medo de sofrer nos faz seguir por regras racionalmente estabelecidas. Seguindo-as, nos preservamos e não sofreremos no futuro. Pode até ser verdade, mas o presente deixa de ser vivido com a intensidade que poderia ter sido. Fui há pouco apresentado a uma música (em português) que diz: "quem vive de princípios, não tem meios nem fins / eu quebro as minhas leis pois só assim elas pertencem a mim". E esses versos têm muito a ver com o significado de um símbolo africano chamado Sesa Wo Suban. Traduzindo para o nosso português, ele ganha força se lido com cautela: "eu transformo a minha vida, minha personalidade". Ora, se o poder de transformação da nossa vida está somente em nossas mãos, porque temos tanto medo de expor algumas dores e medos?

É porque é difícil. É muito difícil falar português para ser ouvido.

23 de novembro de 2010

Sincericídio

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Eu prefiro a verdade acima de tudo. Sempre! Mesmo que pra isso, eu tenha que cometer um sincericídio, nesse caso, matar algo pela sinceridade. Seja algo um sentimento, uma vontade, um desejo, uma relação, uma esperança... qualquer coisa.

Na minha visão, acima de tudo está o ser sincero. Mas concordo que falar a verdade mais profunda não é fácil. É por isso que procuro estar preparado para falá-la, preparado para aguentar a consequência que vem inevitavelmente, pro bem ou pro mal. Na hora de analisar como as pessoas encaram a sinceridade, a contagem dos pontos é modificada.

Dois casos que passaram pelos meus olhos nos últimos meses são opostos nesse tratamento.

O Caso A tinha uma relação pessoal muito forte com um outro alguém, era uma relação que gerava bons frutos, mas é uma relação que pouco depois do meio do caminho se contaminou. Uma ação sempre gera uma reação. Mas o Caso A teve a ação omitida, para evitar a reação. Omissão é falta de verdade, o que acaba, em alguns casos, se assemelhando à mentira. Um ano depois o tempo se encarregou (irônico e como sempre) de trazer a ação à tona, gerando como reação a quebra de toda essa relação previamente sólida. E quando a rachadura vem da sinceridade, da verdade, da essência, ela pode ser remendada, repensada, mas estará sempre lá presente. Um ano do caminho teria se baseado em uma falta de verdade, seguida de uma mentira direta e da falta de justificativas. Esse caminho, em essência pura, não existiu. Algo que se pensava sólido virou poeira e foi varrido pelo vento.

O Caso B tinha um ar mais efêmero. Começou de repente, inusitadamente, totalmente inesperadamente! Mas começou a cavar seu espaço. De cara, turbulências balançaram o avião antes dele se estabilizar, mas ainda assim, adaptação está sempre no nosso caminho. Dúvidas, receios e simplicidade foram aos poucos se diluindo. Quando as coisas pareciam caminhar pra um mar de rosas, veio o conceito, que não chegou nem ao ponto de ação, logo seguida do balde de água fria chamado sinceridade. Mas ainda assim, era um balde de água fria verdadeiro. E eu sempre penso que a verdade vem pro bem. A água gelada talvez tenha transformado essa névoa prévia em algo um pouco mais parecido com solidez.

Os casos apresentados acima tiveram pontos de partida e chegada bem diferentes. Enquanto um 'tudo' se desmoronou, um 'em processo' se tornou algo mais palpável para o futuro. De nada adianta pra mim todos os entornos sem a sinceridade, talvez um dia só reste ela, os entornos podem todos cair, mas a verdade vai estar sempre estampada aos olhos. E eu de fato considero isso. Nos dois casos, a relação citada (seja ela familiar, fraternal, amorosa, profissional... cada um tem a sua interpretação dos casos) teve o mesmo resultado final, mas o caminho traçado até ele demonstra pra mim a integridade dos indivíduos envolvidos em relação à sinceridade. E se há esse tipo de compromisso, porque outros não poderiam voltar a ser assumidos no futuro? Agora, se isso é algo que falta, um dos pilares de qualquer firmamento futuro está trincado.

Porque o ser humano tem tanta dificuldade em falar a verdade dos fatos? Disso tudo, um só dizer:
"Desculpa minha incapacidade, mas nesse caso, eu não consigo. Todavia, eu agradeço pela confiança, ela é mútua e não foi quebrada."

23 de agosto de 2010

Personalidade do Tempo

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"A dor que fere o peito... Isso vai passar."

O Tempo, tão sábio e provocante. Não diria traiçoeiro, pois ele é muitas vezes até lógico, mas ele adora uma brincadeira, pregar peças que nos pegam tão de surpresa. E por mais que você se blinde contra alguns fatores específicos, o Tempo se encarrega de achar a brecha necessária pra te fazer passar pelo sentimento que você vislumbrou e tentou se esquivar com tanto sucesso por certo Tempo. Mas o Tempo não se engana, com seu passar, ele esclarece, mostra... Muitas vezes, lentamente, outras de modo instantâneo. Mas ele é implacável quanto ao futuro certo; demorando mais ou menos, dependendo do caso.

E ele não deixa de ser irônico e sacana pois coloca as coisas na frente dos seus olhos quando você se sentia seguro o suficiente para não olhar mais para aquilo. E muitas vezes em um momento que você não poderia ter mais nada em sua frente por ter um outro foco, bem definido e que demanda energias concentradas.

O Tempo é assim... Cabe a gente aceitar, gostando ou não.

3 de abril de 2010

Desconstruções, de Martha Medeiros

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Recebi por e-mail um texto da @gabijoaninha que eu já tinha lido antes, mas que é bom demais, e valeu a pena reler e, dessa vez, compartilhar aqui com vocês.

O texto, de autoria de Martha Medeiros, chama-se Desconstruções.

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem. A imagem tem a ver com as nossas expectativas e mais ainda com o que ela "vende" de si mesma.
É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se a pessoa for parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se dela, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você acreditou, virá um processo mais lento: a de desconstrução daquilo que você achou que era real.

Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos, desconstruindo Carla.
Milhares de pessoas vivem seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão "desconstruindo ilusões". Tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico.

Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme.
Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas, manias e imperfeições. Isso se formos honestos.
Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, sem entender absolutamente nada.

Quem se apaixonou por uma mentira, tem que desconstruí-la para "desapaixonar".
É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo é mais forte do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento bacana não chegou a existir, que tudo não passou de uma representação.

Talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma,por isso ela se inventa.

Sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que alguém que gostamos não é, e nem nunca foi, Especial.


Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Quando sabemos com quem estamos lidando, tudo se manterá de pé! Graças a Deus...

5 de novembro de 2009

Londres em 30 dias

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O blog anda meio abandonado, mas é por conta dessa atribulada nova vida. Pra quem não sabe, estou fazendo um intercâmbio em Londres, Inglaterra, pra aprimorar meu inglês. E essa nova vida exige muita dedicação, pelo menos inicialmente.

Nesse primeiro mês na cidade tive que resolver coisas relacionadas a moradia, alimentação, banco, documentos, regularização no país, registros, aulas, além de manter família e amigos atualizados (e matar a saudade, claro).

É um processo de aprendizado e crescimento muito intenso. Às vezes você se sente tão pressionado pra resolver as coisas na hora e de um jeito que não é fácil que só falta ouvir o Faustão berrando "se vira nos 30". É, bizarro! Mas é ótimo e nisso, vou reunindo histórias pra contar. Aqui, por exemplo, tudo se come "eat in or take away", mas no início, até entender que isso era simplesmente o "vai comer aqui ou é pra viagem, bonitão" e porque isso influenciava no preço, passei por momentos memoráveis e cômicos.

Já senti um pouco do jeito frio que dizem que os ingleses tratam as pessoas, mas posso também dizer, que foram poucos os casos, isolados. Num geral, as pessoas são bem atenciosas. Se você está num supermercado na seção A e pergunta para uma pessoa que trabalha lá onde você pode encontrar papel alumínio, ele acompanha você até a seção Z, te mostra que é ali e pergunta se você precisa de mais alguma coisa. Sim, no mercado eles são mega prestativos (diferente dos bancos... ai ai ai)!

Mas aqui tem muita coisa boa pra se apreciar também. Tanto visualmente quanto socialmente. É engraçado, eles confiam tanto em você que te desperta ainda mais a vontade de ser sincero e o pensamento "poxa, porque tenho a sensação que em São Paulo o pessoal nunca conseguiria se adaptar com isso?". Mas no meio de tudo isso, coisa bonita de se ver. E a câmera que comprei antes de vir pra cá me atiçou o lado que ama fotografia...

Virei fotógrafo...


Fonte no Hyde Park


Monumento à Princesa Diana, Hyde Park


A maior roda-gigante do mundo, London Eye, vista da Victoria Street


A Clock Tower (Big Ben) visto do Palácio de Buckingham


Monumento à Rainha Victoria, em frente ao Palácio de Buckingham


Rapaz desenhando a St. Paul's Cathedral


O movimento na Millenium Bridge


Placas turísticas e o Big Ben


Dois marcos de Londres: Big Ben e a placa do metrô (Underground)


Houses of Parliament à noite



... e modelo...


Serpentine Lake, no Hyde Park


Com a isca para atrair os esquilos


E depois de alguns dias ele veio


Placa no Hyde Park


Fonte na frente do Palácio de Buckingham


Tomando chuva com um guarda-chuva "cogumelo" na Millenium Bridge


Eu e o Dobby, da série Harry Potter, na loja de brinquedos Hamley's


Clock Tower, o famoso Big Ben


Tower Bridge, o primeiro ponto turístico que conheci aqui


Achou que as cabines telefônicas daqui eram mais pudicas que as do Brasil?


Metrô fora do horário de rush


Fica a saudade do Brasil, da família, dos amigos, dos paulistanos, da cidade. Mas também tem a curiosidade e vontade de conhecer essas coisas novas. Os novos colegas, os londrinos, a cidade... Assim, a balança libriana fica sempre equilibrada. Mas é bom quando a gente consegue unir os dois, como aconteceu no último fim-de-semana, que revi minha amiga/afilhada Monka, a Regi e conheci a Taís. Foi uma delícia passar um tempo (mesmo que curto) com elas.


Piccadilly Circus


O que é interessante também é poder conhecer lugares que só vi por foto, ou ouvi falar. É uma sensação estranha quando você chega no lugar. Foi mais tocante ver esse memorial ao brasileiro Jean Charles, morto pela polícia britânica em 2005, do que ler as histórias na imprensa brasileira ou assistir ao filme de Henrique Goldmann. É um memorial simples, mas erguido pela família e amigos do Jean e com frases, reportagens e momentos que realmente te fazem sentir brasileiro e inconformado.


Memorial erguido pela família e amigos a Jean Charles, morto em 2005


É! E isso é só o começo... Ainda tem muito mais coisa pra viver por aqui.

23 de setembro de 2009

O silêncio que precede o esporro (da saudade)

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Sempre fico ansioso com as mudanças, mas eu gosto, me fazem sentir renovado de alguma maneira. Muitas vezes elas são tortuosas, mas sempre são recompensadoras a seu modo. Procuro encarar que qualquer coisa na vida tem o seu lado bom e o seu lado ruim, mas também procuro levar em consideração esse lado bom como meu norte.

Pra esse caso específico, muita coisa vai mudar.

Primeiro a língua será "nova" pra mim. Mesmo sabendo o inglês, o receio é grande por estar em um lugar onde a possibilidade de usar a sua língua nativa é mínima.
Em segundo, a moradia. Uma casa diferente, com uma "família" diferente, costumes e horários diferentes (além de fuso-horário também), uma outra rotina. "Será que vou me adaptar bem?" é uma pergunta quase constante.
Em terceiro, uma cidade totalmente nova. Vou ter que reconstruir a noção de distância entre 2 pontos da cidade, decorar um novo mapa de metrô e descobrir como funcionam os ônibus, conhecer os bairros menos ou mais seguros e os seus horários, além de regras e costumes de cidadania.
E conseguir enfrentar esse monte de coisa nova com a saudade da família e dos amigos apertando o peito e tentando me distrair a cada minuto.

Essas são as coisas do lado (inicialmente) negativo. Mas muita coisa boa fica à espreita.

Vou me aperfeiçoar numa nova língua, conhecer gente diferente, com tradições bem distantes da minha atual realidade, fazer novos amigos, viver uma nova vida independente de tudo o que tenho construído por aqui, seja social ou fisicamente. Tenho certeza que isso me fará amadurecer bastante, crescer como pessoa (e até como profissional) e que vou voltar com a cabeça ainda mais aberta do que a que tenho hoje.

Vou enfrentar algumas dificuldades com coisas banais pra boa parte das pessoas, como fazer comida, limpar e administrar uma casa, mesmo já tendo essas experiências no meu "currículo" atual. Agora essas coisas entram duramente como realidade na minha vida. É o famoso "ou vai ou racha". E se Deus quiser, eu vou!

Penso que o problema maior é a ansiedade dos dias que antecedem o embarque. É "o silêncio que precede o esporro", como diria O Rappa. Essa inércia provavelmente me consome mais do que vai me consumir quando eu estiver lá, vivenciando essa nova vida. Meu pai já me disse que assim que eu for embora vai colocar um boneco e uma caixa no local que hoje eu e meu notebook religiosamente ocupamos todos os dias, pra não se sentir sozinho e com tanta saudade chegando em casa.

Acho que essa prisão ao virtual acaba sendo uma válvula de escape para não encarar de vez que daqui há alguns dias não estarei mais diariamente e perto das pessoas que mais amo hoje, somada à ansiedade que já faz parte de mim. Desde criança, nunca consegui dormir cedo e sempre gostei de madrugar no computador (funciono melhor à noite, sabe...) mas ultimamente vejo o sol nascer antes de deitar pra dormir.

Inúmeras "to-do lists", anotações pra não esquecer de nada e diversos compromissos preenchem o pouco tempo que me resta nas terras tupiniquins. E acho que a preparação me toma tanto tempo ultimamente que ainda não me dei conta de fato de que falta muito pouco. Aparentemente estou acreditando que essa preparação é pra uma data importante ou uma viagem de uma semana.

E essa preparação, que inclui o tema "saúde", me deu mais noção ainda da minha saúde, dos cuidados que tenho que ter comigo mesmo, tanto no física quanto mentalmente. Afastei pessoas que não me agregavam coisas boas, trouxe pra mais perto aqueles que fazem os meus dias realmente felizes, mudei minha alimentação... E tudo isso reflete no corpo; na pele, nos órgãos, no pensamento. Tudo isso me faz sentir mais tranquilo comigo mesmo e consequentemente mais pronto pra encarar isso de frente.

Falta pouco, muito pouco...

A saudade, palavra genuinamente brasileira é única. E hoje ela está no mercado com uma outra variedade na sua linha de produtos, a saudade antecipada. Olho hoje para tudo de forma um pouco nostálgica; as pessoas, os lugares, as coisas que ficam, o céu, a rua, a natureza... tudo me parece mais vivo do que nunca, me preparando emocionalmente para viver um mundo totalmente novo.

E que eu esteja preparado (na marra), porque aqui vou eu...

26 de maio de 2009

Me sinto vigiado

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Olhos atentos e obesos, veneno ácido, infantil,
Arrogância quase pueril, perfil clássico.

Fadado a cair! Nem todo mundo ganha o milhão.
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