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5 de novembro de 2009

Londres em 30 dias

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O blog anda meio abandonado, mas é por conta dessa atribulada nova vida. Pra quem não sabe, estou fazendo um intercâmbio em Londres, Inglaterra, pra aprimorar meu inglês. E essa nova vida exige muita dedicação, pelo menos inicialmente.

Nesse primeiro mês na cidade tive que resolver coisas relacionadas a moradia, alimentação, banco, documentos, regularização no país, registros, aulas, além de manter família e amigos atualizados (e matar a saudade, claro).

É um processo de aprendizado e crescimento muito intenso. Às vezes você se sente tão pressionado pra resolver as coisas na hora e de um jeito que não é fácil que só falta ouvir o Faustão berrando "se vira nos 30". É, bizarro! Mas é ótimo e nisso, vou reunindo histórias pra contar. Aqui, por exemplo, tudo se come "eat in or take away", mas no início, até entender que isso era simplesmente o "vai comer aqui ou é pra viagem, bonitão" e porque isso influenciava no preço, passei por momentos memoráveis e cômicos.

Já senti um pouco do jeito frio que dizem que os ingleses tratam as pessoas, mas posso também dizer, que foram poucos os casos, isolados. Num geral, as pessoas são bem atenciosas. Se você está num supermercado na seção A e pergunta para uma pessoa que trabalha lá onde você pode encontrar papel alumínio, ele acompanha você até a seção Z, te mostra que é ali e pergunta se você precisa de mais alguma coisa. Sim, no mercado eles são mega prestativos (diferente dos bancos... ai ai ai)!

Mas aqui tem muita coisa boa pra se apreciar também. Tanto visualmente quanto socialmente. É engraçado, eles confiam tanto em você que te desperta ainda mais a vontade de ser sincero e o pensamento "poxa, porque tenho a sensação que em São Paulo o pessoal nunca conseguiria se adaptar com isso?". Mas no meio de tudo isso, coisa bonita de se ver. E a câmera que comprei antes de vir pra cá me atiçou o lado que ama fotografia...

Virei fotógrafo...


Fonte no Hyde Park


Monumento à Princesa Diana, Hyde Park


A maior roda-gigante do mundo, London Eye, vista da Victoria Street


A Clock Tower (Big Ben) visto do Palácio de Buckingham


Monumento à Rainha Victoria, em frente ao Palácio de Buckingham


Rapaz desenhando a St. Paul's Cathedral


O movimento na Millenium Bridge


Placas turísticas e o Big Ben


Dois marcos de Londres: Big Ben e a placa do metrô (Underground)


Houses of Parliament à noite



... e modelo...


Serpentine Lake, no Hyde Park


Com a isca para atrair os esquilos


E depois de alguns dias ele veio


Placa no Hyde Park


Fonte na frente do Palácio de Buckingham


Tomando chuva com um guarda-chuva "cogumelo" na Millenium Bridge


Eu e o Dobby, da série Harry Potter, na loja de brinquedos Hamley's


Clock Tower, o famoso Big Ben


Tower Bridge, o primeiro ponto turístico que conheci aqui


Achou que as cabines telefônicas daqui eram mais pudicas que as do Brasil?


Metrô fora do horário de rush


Fica a saudade do Brasil, da família, dos amigos, dos paulistanos, da cidade. Mas também tem a curiosidade e vontade de conhecer essas coisas novas. Os novos colegas, os londrinos, a cidade... Assim, a balança libriana fica sempre equilibrada. Mas é bom quando a gente consegue unir os dois, como aconteceu no último fim-de-semana, que revi minha amiga/afilhada Monka, a Regi e conheci a Taís. Foi uma delícia passar um tempo (mesmo que curto) com elas.


Piccadilly Circus


O que é interessante também é poder conhecer lugares que só vi por foto, ou ouvi falar. É uma sensação estranha quando você chega no lugar. Foi mais tocante ver esse memorial ao brasileiro Jean Charles, morto pela polícia britânica em 2005, do que ler as histórias na imprensa brasileira ou assistir ao filme de Henrique Goldmann. É um memorial simples, mas erguido pela família e amigos do Jean e com frases, reportagens e momentos que realmente te fazem sentir brasileiro e inconformado.


Memorial erguido pela família e amigos a Jean Charles, morto em 2005


É! E isso é só o começo... Ainda tem muito mais coisa pra viver por aqui.

23 de setembro de 2009

O silêncio que precede o esporro (da saudade)

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Sempre fico ansioso com as mudanças, mas eu gosto, me fazem sentir renovado de alguma maneira. Muitas vezes elas são tortuosas, mas sempre são recompensadoras a seu modo. Procuro encarar que qualquer coisa na vida tem o seu lado bom e o seu lado ruim, mas também procuro levar em consideração esse lado bom como meu norte.

Pra esse caso específico, muita coisa vai mudar.

Primeiro a língua será "nova" pra mim. Mesmo sabendo o inglês, o receio é grande por estar em um lugar onde a possibilidade de usar a sua língua nativa é mínima.
Em segundo, a moradia. Uma casa diferente, com uma "família" diferente, costumes e horários diferentes (além de fuso-horário também), uma outra rotina. "Será que vou me adaptar bem?" é uma pergunta quase constante.
Em terceiro, uma cidade totalmente nova. Vou ter que reconstruir a noção de distância entre 2 pontos da cidade, decorar um novo mapa de metrô e descobrir como funcionam os ônibus, conhecer os bairros menos ou mais seguros e os seus horários, além de regras e costumes de cidadania.
E conseguir enfrentar esse monte de coisa nova com a saudade da família e dos amigos apertando o peito e tentando me distrair a cada minuto.

Essas são as coisas do lado (inicialmente) negativo. Mas muita coisa boa fica à espreita.

Vou me aperfeiçoar numa nova língua, conhecer gente diferente, com tradições bem distantes da minha atual realidade, fazer novos amigos, viver uma nova vida independente de tudo o que tenho construído por aqui, seja social ou fisicamente. Tenho certeza que isso me fará amadurecer bastante, crescer como pessoa (e até como profissional) e que vou voltar com a cabeça ainda mais aberta do que a que tenho hoje.

Vou enfrentar algumas dificuldades com coisas banais pra boa parte das pessoas, como fazer comida, limpar e administrar uma casa, mesmo já tendo essas experiências no meu "currículo" atual. Agora essas coisas entram duramente como realidade na minha vida. É o famoso "ou vai ou racha". E se Deus quiser, eu vou!

Penso que o problema maior é a ansiedade dos dias que antecedem o embarque. É "o silêncio que precede o esporro", como diria O Rappa. Essa inércia provavelmente me consome mais do que vai me consumir quando eu estiver lá, vivenciando essa nova vida. Meu pai já me disse que assim que eu for embora vai colocar um boneco e uma caixa no local que hoje eu e meu notebook religiosamente ocupamos todos os dias, pra não se sentir sozinho e com tanta saudade chegando em casa.

Acho que essa prisão ao virtual acaba sendo uma válvula de escape para não encarar de vez que daqui há alguns dias não estarei mais diariamente e perto das pessoas que mais amo hoje, somada à ansiedade que já faz parte de mim. Desde criança, nunca consegui dormir cedo e sempre gostei de madrugar no computador (funciono melhor à noite, sabe...) mas ultimamente vejo o sol nascer antes de deitar pra dormir.

Inúmeras "to-do lists", anotações pra não esquecer de nada e diversos compromissos preenchem o pouco tempo que me resta nas terras tupiniquins. E acho que a preparação me toma tanto tempo ultimamente que ainda não me dei conta de fato de que falta muito pouco. Aparentemente estou acreditando que essa preparação é pra uma data importante ou uma viagem de uma semana.

E essa preparação, que inclui o tema "saúde", me deu mais noção ainda da minha saúde, dos cuidados que tenho que ter comigo mesmo, tanto no física quanto mentalmente. Afastei pessoas que não me agregavam coisas boas, trouxe pra mais perto aqueles que fazem os meus dias realmente felizes, mudei minha alimentação... E tudo isso reflete no corpo; na pele, nos órgãos, no pensamento. Tudo isso me faz sentir mais tranquilo comigo mesmo e consequentemente mais pronto pra encarar isso de frente.

Falta pouco, muito pouco...

A saudade, palavra genuinamente brasileira é única. E hoje ela está no mercado com uma outra variedade na sua linha de produtos, a saudade antecipada. Olho hoje para tudo de forma um pouco nostálgica; as pessoas, os lugares, as coisas que ficam, o céu, a rua, a natureza... tudo me parece mais vivo do que nunca, me preparando emocionalmente para viver um mundo totalmente novo.

E que eu esteja preparado (na marra), porque aqui vou eu...
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