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6 de maio de 2013

Efemeridade de raízes

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Ninguém passa desapercebido. Cada um tem um presente pra te entregar, ujm pedaço de entrega pra deixar com você. Nem todo presente nos agrada, mas ainda assim nos é importante em algo. Algumas contribuições são sorrisos, flores, alegrias. Outras, decepções, roupa de número menor ou maior ou cara emburrada. Na escolha, obviamente, a primeira leva de presentes é vencedora, soberana, rindo da segunda. Mas no fundo é a roupa de número errado que nos incomoda e nos faz lembrar de pontos que precisamos mudar em nós mesmos. Algumas vezes temos que nos esticar, algumas nos encolher. Em outras, o ajuste é na roupa. E até a decisão de jogar fora a tal roupa que nunca vai te servir mas deixou um apego emocional é difícil. E ensina.

Tudo passa muito rápido. Mas a intensidade e forma com que cada coisa acontece e cada pessoa passa por nós é que mostra as raízes que se instalam na nossa terra, querendo ou não. E uma variável complementa a outra. Não é porque algo foi intenso que teve a forma correta para criar raiz. O contrário também é válido. Essa combinação é poderosa e pode criar raízes tão fortes capazes de romper qualquer concreto colocado por cima delas. É aí que entra aquele primeiro fator: o tempo. Com ele, vivências sensacionais deixam de ter tanto brilho ou ganham ainda mais, cenas cotidianas e banais ganham força ou são simplesmente esquecidas com o passar das horas.

Bom é poder olhar pra trás e enxergar tudo com carinho e respeito, afinal essa é a vida que fez quem você é hoje. Ainda assim, a nostalgia deve ter o limite do seu eu atual. É ele que manda em tudo e diz o que serve e o que não presta.

Apesar de efêmero, pode enraizar. Apesar de enraizar, pode nunca florescer. E ainda assim a natureza é bonita e perfeita.

3 de abril de 2013

Depois da Trifurcação

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Idealização. Representação material de uma vontade pré-existente, de um desejo íntimo não elaborado pra essa personificação. Tomada de posse quase que repentina, sorrateira.

Difícil não querer. Encanto de predador sobre presa. Superfície estampa a realidade tão crua que as subcamadas ganham brilho, mistério e uma película protetora extra, camufladora, maquiada de oásis. O que se vê é o que se é.

Ser ou não ser? Essa não é mais a questão. Estar é sinônimo de ser num espectro temporal, não há diferença. Se estar-se é o tempo vivido, é ser-se. E torna-se o esperar que seja e o que poderia ser, quando tudo simplesmente é.

A metamorfose que dá vida à borboleta ainda acontece sobre a lagarta e a preserva, mas com asas mais bonitas, mais chamativas, mais atrativas. São as mais belas asas em uma mesma lagarta repulsiva. A beleza e encanto das asas, máscaras venezianas que dão vida e cor a olhos inocentes e prontos para o belo, mesmo que maliciosos o suficiente.

Ver o espetáculo conquista a pureza, que em sua sagacidade busca o belo por trás das cortinas, nos bastidores da mostra de estímulos. Os olhos buscam fundo, encontram a pequena luz do sorriso triste coberto de cerâmica e tinta ou do rastejo lamentoso que aguarda alçar voo. Mas nada desse encontro passa de futuro condicional ao alheio.

As pequenas chamas que podem nunca se acender. Se não acendem, são potências de energia que não se tornam fogo e calor. São chamas que não são. Se estão rastejo, assim o são, sem vida para sentir, sem asas para voar, com somente um mundo casulo para existir.

Ao longe, manter a máscara para curtir o carnaval por todo ano tira as borboletas do estômago para voarem desorientadas para novos jardins. Jardins de inverno que demoram a florescer.

Mas sempre chega a primavera.


14 de março de 2013

Tudo é simples, mente

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14 de março é o Dia da Poesia. Trago uma do meu amigo Jhohann Paul.

Pros fogosos sou sexo.
Pros românticos sou um cometa que passa
Uma inspiração pros artistas
O riso corado dos tímidos

Sou o que você deseja bem no fundo
o coração rejeitado dos amantes
O Trident antes do beijo
O olhar que critica e ama o desconhecido

Sou a boca morna que aquece a pele
o arrepio que transcreve a paixão
o medo da solidão e o prazer da companhia
o pensamento que se desvia!

Sorrateiro vago na cabeça dos sonhadores
enquanto dormem de cara limpa
beijo os lábios de suas fantasias
carrego nas mãos cantigas

Cócegas que endurecem o corpo
Sou monotonia, sou vida
Dor de dezenas de gentes
Um santo que caminha

Sou pomba ao tato
Ofídio que saliva
Um monstro encurralado
Sou horizonte, céu e mar entrelaçados
Sou comum, mas complicado
Sou eu simples.
Mente.

(Jhohann Paul)

16 de janeiro de 2013

Teu

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Teu tesão
Tua pele
Teu sorriso
Tua alegria
Teu olho
Teu beijo
Teu lábio
Teu abraço
Teu descanso
Teu peito
Teu fardo
Tua fala
Tua verdade
Teu verdade
Teu.

14 de dezembro de 2012

É difícil falar português pra ser ouvido

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Para um estrangeiro, a nossa língua mãe é um tanto complicada de se aprender. São inúmeras flexões verbais e composições de palavras que geram entonações completamente diferentes e isso é extremamente complicado para alguém que vem do inglês modular. Até nós, quando questionados por eles, temos certa dificuldade de explicar algumas coisas. Não é só "saudade" que tem uma explicação complexa. Aliás, é sobre nós mesmos que eu gostaria de falar.

Para nós, brasileiros, o português é quase um tabu. Se escrevemos uma mensagem como manda a ortografia e gramática, somos muito formais ou certinhos demais. Se usamos nosso idioma para expressar aqueles sentimentos um pouco mais íntimos ou reflexões da alma, é inevitável o medo do julgamento. E isso nós levamos a sério! Não é uma simples invasão norte-americana/inglesa em terras tupiniquins. São índios tentando se comunicar com quem não é índio. Nossas tribos nunca estão boas o suficiente. Passando batido pelo nacionalismo, meu foco é mais em como o português é usado, principalmente em redes sociais, para se expressar. Pouca gente vai assumir publicamente para seus "amigos" da Internet "estou me sentindo sozinho, sentindo falta de alguém especial ao meu lado". Mas quantas vezes você já não se deparou com frases como "feeling alone, miss someone by my side"? E não é que é a mesmíssima coisa?

É muito mais "cool" falar "cool" do que "legal", que aliás, soa brega para alguns. E quanto mais indecifrável for seu enigma nas redes, mais importante você se torna, mais holofotes você angaria pra você mesmo. Se eu quisesse dizer que não sei como lidar com situações da minha vida e soubesse húngaro, eu mandaria um "Nem tudom, hogyan kell kezelni" que ia me dar muito mais status e proteção para não ser julgado tão facilmente. Somente os mais interessados na minha vida, iriam parar 5 minutos para "Googlar" o que escrevi e isso fazer sentido. E esses teriam o prêmio de me entender melhor. Mas me questiono porque fazemos essa escolha? E fazemos todos, sem exceção. Mesmo quando em português, a frase tem que ser de impacto. "Refletindo..." é um bom enigma para gerar dezenas de comentários e aplacar um pouco das dores que essas reflexões podem ter causado. E as pessoas farão a boa ação de nos ajudar sem nem mesmo saber qual é o nosso problema. Não é fantástico?

Talvez. Mas há sempre o outro lado de cada questão. Será que não estamos ficando cada vez mais superficiais e deixando de aproveitar as coisas boas que cada pessoa pode nos oferecer de verdade? Peneirar, via enigmas, os verdadeiros interessados na nossa vida (à nossa maneira, sempre) é mais enriquecedor do que uma conversa sobre amenidades e coisas profundas com alguém numa mesa de bar, num café ou mesmo numa visita àquele amigos que nunca mais visitamos porque não temos tempo para muita coisa além de todos os nossos afazeres diários e o tempo despendido atualizando os amigos virtuais com coisas tão interessantes e importantes na nossa vida, quanto uma reclamação sobre o calor que tem feito ou o trânsito infernal que se enfrenta em São Paulo? Não acredito muito nisso.

Quando nosso perfil é um pouco mais observador, começamos a notar em pouco tempo de convivência, as pessoas que valem a pena ter um pouco mais de profundidade nas relações. E se formos espertos, saberemos como nos aproveitar disso para o bem de ambos. E profundidade pode vir dos mais diversos tipos de relação: amigos, colegas de trabalho, amores, rolos e affairs, família e até o porteiro do prédio. Tudo depende de quanto estamos dispostos a nos doar pro mundo. Dar a cara a tapa falando o português claramente não é fácil, mas é muito, muito mais gostoso do que se esconder atrás de pseudo-escudos. A liberdade se busca assim. Ser independente não significa que não podemos criar na gente certa dependência dos outros, mas sim que sabemos gerenciar essa dependência. Fácil não é, mas o caminho das pedras ensina a cada dia.

O medo de sofrer nos faz seguir por regras racionalmente estabelecidas. Seguindo-as, nos preservamos e não sofreremos no futuro. Pode até ser verdade, mas o presente deixa de ser vivido com a intensidade que poderia ter sido. Fui há pouco apresentado a uma música (em português) que diz: "quem vive de princípios, não tem meios nem fins / eu quebro as minhas leis pois só assim elas pertencem a mim". E esses versos têm muito a ver com o significado de um símbolo africano chamado Sesa Wo Suban. Traduzindo para o nosso português, ele ganha força se lido com cautela: "eu transformo a minha vida, minha personalidade". Ora, se o poder de transformação da nossa vida está somente em nossas mãos, porque temos tanto medo de expor algumas dores e medos?

É porque é difícil. É muito difícil falar português para ser ouvido.

5 de novembro de 2012

Um olhar sobre o amor e o feeling

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Achei em uns e-mails não lidos, um da minha irmã que tinha no assunto: "Bonito". Depois de ler, também achei bonito. E, mais do que isso, achei inteligente. É uma inteligência natural, que fica clara no final do texto.

"Se me pedissem para responder em poucas palavras por que tem tanta gente interessante sozinha e infeliz por aí, eu não iria hesitar muito em responder: porque eles não querem estar sozinhos, mas não sabem estar juntos. Porque, na primeira oportunidade, tem muita gente que se agarra desesperadamente à chance de encontrar o amor da sua vida, mas não está nem um pouco interessado em construir uma relação de verdade com o príncipe encantado, quer ver logo a coroa de princesa e as declarações apaixonadas do lado de um cavalo branco.


E quem procura até acha, mas acaba se contentado com o primeiro que encontra. Ninguém mais está preocupado em se dedicar à pessoa certa, mesmo que ela seja apenas uma das dezenas que estão por aí no mundo e que combinariam muito com seus planos na vida. Na esperança de achar uma alma gêmea que nem sempre existe, se desesperam e vão com muita sede a um pote vazio, que deveria ser completado não com suas expectativas inalcançáveis sobre relacionamento, mas o que ela tem a oferecer a quem diz que ama.


Outro dia li em um comentário por aí dizendo que o problema é sempre quando alguém tenta fazer outro feliz. Que ninguém tem a obrigação de fazer uma pessoa feliz que não seja ele mesmo. Fiquei bastante escandalizada. Quem disse que é uma obrigação? A palavra relacionamento acabou substituindo a palavra amor e tudo virou uma ciência, repleta de estatísticas, jeitos de se fazer. Homens preferem isso e aquilo na cama. Mulheres são mais assim e assado, mas também não dispensam um pau com mais do que tantos centímetros, diz pesquisa.


Tem coisa melhor nessa vida do que saber que o outro está precisando de um colo e fazer de tudo para ser esse ombro amigo? Tem coisa melhor do que ser melhor amigo de quem se ama? Tem coisa melhor do que só parar de se divertir com os errados quando realmente achar o certo? Muito se diz sobre relacionamentos que acabam por que virou só amizade, mas pouco sobre os que acabam porque nunca foram. Intimidade, cumplicidade, não se paga com nenhum tipo de falsa liberdade. Não se engane, experiência nenhuma que vale a pena vai manter você nos seus eixos. E é preciso estar preparado para que sua vida seja chacoalhada de um jeito que você, se tudo der certo, não vai nem querer controlar. Paixão é assim. Amor continua sendo assim, você vai se entregando à vida, vai se entregando a quem ama, vai deixando de pensar só em si.


Se você quiser que o seu namoro/casamento/relacionamento – que o seu amor – dure, que ele marque sua vida de um jeito que vai ser difícil viver depois sem estar rodeado, repleto de uma felicidade absurda, se você quer realmente experimentar um amor de alma, um amor de olhar no fundo dos olhos e entender em dois segundos quem é o outro, do que ele precisa para ser feliz – e que ele faça o mesmo por você -, vai ter que abrir mão da postura individualista de querer tudo e não dar nada.


De uns tempos para cá, comecei a me sentir a mulher mais feliz do mundo por nunca ter tido um desses relacionamentos de estatística, planejado, pensado, calculado para não dar intimidade demais nem resultar em liberdade de menos. Eu só amei, amei, amei, amei muito. Sem ficar podando arestas e vivendo com medo de como as coisas vão se sair. Porque bom mesmo é acordar todos os dias, olhar pro lado e não acreditar em quanta felicidade o destino te reservou. Não por uma noite, nem por seis meses, mas por anos e anos. Infelizmente, isso é muito raro. E não porque é impossível, como os mais desiludidos acreditam às vezes. Mas porque tem muita gente querendo amor, e pouca gente sabendo o que é isso."


Esse texto é de autoria desconhecida pra mim. Se você for a autora, identifique-se! Darei os créditos com gosto. Ele reflete bem a minha visão do amor. O amor não é desesperado, é construção, é dia-a-dia, são os pequenos detalhes do cotidiano, as pedrinhas colocadas pouco a pouco. Isso é muito bonito de se dizer e parece muito fácil, mas não vamos nos iludir. Vamos pensar de modo realista? São os pequenos desafios que o casal vence juntos que vão construindo uma terceira personalidade, mas mantendo as duas anteriores. E isso é o que dá tesão de amar.

É engraçado como hoje as pessoas não criam tempo. Ontem estava discutindo sobre isso em relação a amizades, durante um almoço no trabalho. Antigamente, as pessoas disponibilizavam tempo pros amigos. Hoje, o tempo que se tem é o login no Facebook. Ninguém visita mais, poucos saem juntos pra uma conversa mais longa do que um check-in no Foursquare porque lá vai mostrar que esteve com você. Poucos discorrem sobre filosofias, religião, humanidade e assuntos mais profundos que o final da novela. Não me entendam mal. Eu adorei imaginar finais alternativos pra Carminha e Nina, mas ao mesmo tempo que sou totalmente tecnológico, antenado, amante de pop (cinema, música, arte, cultura), também sou muito analógico. Gosto de uma conversa olho no olho, abraço, carinho entre pessoas queridas (família, amigos, etc.), toque, cheiro, e por aí vai.

Não sei se isso foi resultado da explosão das redes sociais ou do não preparo das pessoas pra recebê-las. Essas mídias são fantásticas tanto pra manter contato cotidiano com pessoas que você nunca teria oportunidade de ficar "tão próximo" se não fosse a Internet como para conhecer gente nova. E sou super adepto a elas. Mas eu acho que elas acabam vazias se não servirem de ponte e sim como fim. O gostoso é usá-las pra marcar um reecontro com os colegas de colégio, por exemplo, mas ir ao encontro, ver as pessoas, rir com elas, falar bastante besteira e esquecer da vida por alguns momentos é mais legal ainda.

E tenho a impressão de que o processo das relações não importa mais. Para o amor, é tão gratificante quando depois de anos, você olha pra trás e vê a evolução, a construção conjunta. É um orgulho que ninguém tira dos dois, independentemente do futuro. E você se sente completo com essas sensações.
Ninguém ama de um dia pro outro. Não funciona assim tão rápido. A gente se apaixona sim. Mas a paixão ela é mais singular e meteórica. Geralmente nos apaixonamos pelo sorriso, pelo jeito, pela química na cama. E é uma delícia curtir a paixão. Mas ela passa. E se o processo não estiver sendo cultivado, sobra o que?

Concordo com a autora quando ela diz que as relações não são tão regradas. Se eu tive um jantar ou uma noite agradável e tenho vontade de ligar ou dar sinal de vida no dia seguinte, porque deveria me privar? "Pra não assustar o outro", muitos responderiam. Eu sou assim, quero ser espontâneo. E se a pessoa gostar disso, ótimo! Se se assustar, paciência, mas não é pra durar mesmo. É tudo simples, mas a gente complica. Se você desrespeita a "regra dos 3 dias" pode arruinar o relacionamento... Sério? Sou retrô e antiquado pra isso. Me sinto feliz de ver como conquista coisas como conhecer os pais de quem você ama. E aquela primeira festa em família? O frio na barriga de apresentar pra todo mundo como "meu namorado". A primeira noite que você dorme na casa dele e ele na sua. Acordar mais cedo que ele e ficar olhando ele dormindo. São coisas tão banais e desvalorizadas hoje que desanima um pouco. Mas sei que existem outros velhos como eu, que amam tecnologia, mas também se veriam felizes se tivessem nascido nos anos 20.

Sou retrô, mas não careta. Muita gente quer só uma curtição carnal. Não é errado isso, mas não adianta procurar romance no sexo casual nem sexo casual no romance, certo? O "feeling", tão pouco usado ultimamente, ajuda bastante a definir os caminhos que você deve tomar.
Seja feliz.
Use-o.
Apaixone-se.
Curta o processo.
Ame.
Seja feliz.

[ATUALIZAÇÃO] Graças à minha querida amiga Gabi, descobri que a autora do texto é a Vana Medeiros e o texto foi originalmente publicado aqui ó: http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/09/25/porque-nao-se-diz-eu-te-amo-para-qualquer-um/

20 de abril de 2012

Neologismo de ser mais, humano

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Tem horas em que correr à frente faz bem. Não olhar pra trás não é fácil. Mas às vezes é.
Quando é, quando não é, é uma sensação de leveza fazê-lo. Na verdade, colocar o cabresto e só ter um foco é bem revigorante. Isso é fato, consumado, experimentado, sentido.
Quando se tem foco, é muito libertador correr para aquilo, esquecendo de todo o resto. Correr à frente também é correr atrás. Vivemos em várias teias, emaranhadas; tanto entranhadas umas nas outras que a utópica corrida se torna cada vez mais penosa.

Humano não vive sozinho. Humano precisa estar sozinho. Eterno conflito, também solitário, companhia constante. A solidão é profunda, e só acontece dentre de um si. O social é profano à solidão buscada, e é alívio à evitada. Dois paralelos que não existem sem o outro. O sozinho nunca é sozinho. Humano sempre quer mais. Suficiência não há.
Momentos libertadores são pequenos e por isso devem ser buscados nas pequenas coisas. Dessa forma, têm um efeito devastadoramente libertório. Neologismo do coração e da mente.

Um caminho diferente para o de sempre, aparece com uma nova energia para se acreditar no humano. Um pequeno gesto de um pode mudar a vida de outro. Pequenas incursões por caminhos alheios nos dão um pouco do alheio. Por não querermos dar um pouco ao alheio, bloqueios incursivos nascem a cada minuto. Batalha travada, desbravadores da vida. O conflito resolve e faz crescer, mas só humanos de outro planeta com visão sistêmica conseguem encará-lo de bom grado, como o terceiro irmão encara a morte no tempo certo. Sede por poder, prisão no que poderia ter sido ou humildade pela simplicidade definem esse destino.

Cansa, mas pode ser sensacional. E isso só depende do humano. De ser humano. De ser mais humano.

Devaneios ao som de amor cósmico.

30 de dezembro de 2011

O palhaço que desaprendeu a chorar

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Tanto tempo sem, tanta coisa para, tanto espaço sem.
Falta, sempre falta.

Longo tempo e o ser continuava, tempo efêmero, essência maquiada. Era hora de olhar forçadamente para dentro de si, de reparar nos mínimos seus. O passado ensinava e nem sempre o aprendizado era tranquilo e pacífico. A dor mostrara verdades nunca antes notadas. Mas ainda assim era dor. E ela doía.

Pensamentos truncados de sinapses infrutíferas, circuitos abertos de uma vida socialmente apática e superficial.

Do picadeiro, o palhaço procurava nos vultos um par de luminosos. Nada enxergava, nem a si. Tudo refratado, vultos enviavam simulações enquanto absorviam cada movimento do olho maquiado. O olho suplicante que nada via e cercava. Maquiagem de pretexto ineficaz, por ela passar tudo é capaz. E o palhaço deixou de ver, procurando no escuro por si só. As lágrimas tornaram-se tinta seca no show que não pode parar.

Ele desaprendeu a chorar.

8 de junho de 2011

Epopéia urbana

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Hoje eu acordei e pensei: 'vou fazer algo diferente, vou sair no horário do trabalho'. Me fodi!
A luz piscou e fez meu computador desligar 3 vezes durante o dia. Primeiro sinal.
Deixei meu óculos bom pra arrumar a lente. Usei o reserva. Não enxergo bem nele e me deu dor de cabeça. Segundo sinal.
Pouco antes da hora de ir embora, começou a cair o mundo em chuva. Terceiro sinal.
Eu, feliz e contente, dei uma de Rei Leão e disse: 'eu rio na cara do perigo, vou embora no horário'. Período pré-clímax.
Saquei meu guarda-chuva surrado e capenga da mochila pra enfrentar a leve garoa. Música de suspense.
18h15 foi a hora que cheguei no ponto. Clímax. O céu despenca em água, vira meu surrado guarda-chuva do avesso, e nada do ônibus. Tensão.
O vento fica bem forte, as mulheres gritam no ponto, tábuas da enorme construção atingem um táxi logo em frente. Pânico.
As telhas do ponto que tinha o chão inundado balançam agourando os transeuntes. E 30min depois, nada do ônibus. Nervosismo.
As luzem se apagam na rua, raios no céu, abandono o surrado guarda-chuva e cubro a mochila com papéis importantes com o casaco. Ira.
50min depois um pedestre avisa que uma árvore não aguentou e impediu a passagem do nosso ônibus. Chuva continua.
O telefone tocando foi protegido dentro da mochila protegida pelo casaco. A ótica deixou de dar esperanças por passar a hora do fechamento.
10min de caminhada na chuva sem o surrado guarda-chuva, pego o primeiro ônibus cheio para pegar o segundo ônibus lotado que já esvaziou.
Sentado, se acalmando, tuitando uma história baseada em fatos reais. Tudo pra dizer: não vou pra academia e vou me entupir de chocolate. Fim.

Epílogo. Desço do ônibus um pinto molhado e com o óculos ruim. No mercado, compro uma torta congelada. Quase pego sacola rasgada de novo.
No hall do elevador solto um pum pra desestressar. Chegam mais 2 pessoas pra pegar elevador.
Já em casa, tiro a roupa molhada e de cueca corro pra fazer a torta antes do banho pra matar a fome. A torta demora 45min pra ficar pronta.
Dou graças a Deus por ter comprado um sanduíche Hot Pocket, que em 1min30seg tá pronto no microondas. Alívio.
Põe a torta no forno. Separa o ketchup, o prato, tira o sanduba do microondas. Ele é duro e ruim. Decepção.
Me preparo pra torta, chocolate, banho e roupa quente sentado no vaso tuitando. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. FIM

24 de maio de 2011

Namorar pra que?

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Namorar pra que?

Não, não sou contra o namoro, pelo contrário. É a favor dele que solto essa frase. Não entendeu nada? Beleza, vamos começar do começo.

Hoje, na hora do almoço ouvi a seguinte frase:

Ser fiel pra que, xuxu? Não vale a pena, ouve o que eu te falo.

Desculpa, mundo, mas não consigo concordar. Mundo? Aliás, esse me intriga nesse quesito. Cada vez mais eu conheço menos gente que nunca traiu. Gente que eu nunca imaginei, gente que eu achava que não seria capaz... pluft! Já foi. E sempre 'acabou acontecendo'.

Ok, todos temos instinto, vontades, mas não sei, não somos seres humanos? Não é isso que nos diferencia do resto dos animais? Pode ser conservadorismo, e acho que realmente é. Pode ser que um dia eu pague minha língua, mas que realmente não. Essas situações de 'sem querer' eu até consigo me exercitar um pouco pra compreender. Mas tem aquelas pessoas que namoram, querem o título e tem um saco de galhada em casa pra colocar na cabeça do seu respectivo/sua respectiva todo dia.

Isso me assusta um pouco, porque me sinto totalmente fora do mundo. Será que sou realmente otário de acreditar em fidelidade? Ou mais do que isso, em sinceridade, honestidade, lealdade? Não estou condenando quem namora em um esquema 'relacionamento aberto'. Esses continuam sendo sinceros, honestos e leais, pois se propuseram a isso. Mas não consigo aceitar de bom grado chifre colocado forçadamente na cabeça do outro. Eu já fui traído por quem um dia amei e sei o quanto é ruim. O quanto você se desaponta com a pessoa e isso pra mim é pior do que raiva. Decepção é foda, pois bota os teus valores em jogo também.

Mas quando olho pra trás, não me arrependo nem um pouco por não ter traído nas várias oportunidades que tive (e olha que eram 'oportunidades de ouro'). Minha consciência é limpa e sei que fiz o meu melhor pra minha relação, mesmo que a outra pessoa tenha sido suja o suficiente pra fazer isso.

E é engraçado, porque estou escrevendo isso e sei o tanto de gente que vai ler e pensar no quão exagerado estou sendo, ou se estou sendo hipócrita, ou que não conheço nada da vida, sei lá. Vejo a cara das pessoas lendo isso (se chegarem até o final do texto). Então nesse post nem espero comentários. Mas precisava botar isso pra fora.

Sou careta, não acho traição legal e tenho orgulho disso.
Você gostando ou não. Você me achando inocente e utópico demais ou não.

Aliás, tem muitos outros sentidos onde sou careta, mas não vem ao caso agora. E acho engraçado também que por ter e manter esses valores, algumas pessoas acham que eu não faço nada mais ousado. E quando conto algumas coisas que já fiz, rola uma puta hipocrisia na célebre "sério? 'cê tá zuando!".
Eu posso brincar e experimentar várias coisas, mas alguns valores são meio enraizados em mim e acho que nem que eu tentasse ficaria bem. Eu não gosto de traição, assim como não gosto de drogas. E você vê gente que condena os drogados, mas é usuário. Você vê quem condena os gays mas é enrustido. Vê quem preza pela 'família e bons costumes' e trai.
E ainda acham hipócrita a Sandy fazer campanha de cerveja sem beber. Porra!

Voltando ao foco do assunto, não acho errado quem paquera, por exemplo. Paquera é um jogo de gato e rato que faz bem pro ego e só. Mas aí que tá! Tem que ter culhão pra brecar quando a coisa avançar o limite. Lembra da frase? "Não sabe brincar não desce pro play". Paquerar no metrô, retribuir aquela encarada na rua, não tem problema na minha visão. Mas daí a marcar encontro às escondidas tem um grande espaço.

E se você quer putaria, porque não optar pelos 'sex friends' ou 'friends with benefits' (amigos com benefícios), como são chamados? Pra que botar os sentimentos dos outros em jogo?



Porque não escolher um caminho só no cruzamento acima?
Quer putaria? Namorar pra que?

23 de novembro de 2010

Sincericídio

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Eu prefiro a verdade acima de tudo. Sempre! Mesmo que pra isso, eu tenha que cometer um sincericídio, nesse caso, matar algo pela sinceridade. Seja algo um sentimento, uma vontade, um desejo, uma relação, uma esperança... qualquer coisa.

Na minha visão, acima de tudo está o ser sincero. Mas concordo que falar a verdade mais profunda não é fácil. É por isso que procuro estar preparado para falá-la, preparado para aguentar a consequência que vem inevitavelmente, pro bem ou pro mal. Na hora de analisar como as pessoas encaram a sinceridade, a contagem dos pontos é modificada.

Dois casos que passaram pelos meus olhos nos últimos meses são opostos nesse tratamento.

O Caso A tinha uma relação pessoal muito forte com um outro alguém, era uma relação que gerava bons frutos, mas é uma relação que pouco depois do meio do caminho se contaminou. Uma ação sempre gera uma reação. Mas o Caso A teve a ação omitida, para evitar a reação. Omissão é falta de verdade, o que acaba, em alguns casos, se assemelhando à mentira. Um ano depois o tempo se encarregou (irônico e como sempre) de trazer a ação à tona, gerando como reação a quebra de toda essa relação previamente sólida. E quando a rachadura vem da sinceridade, da verdade, da essência, ela pode ser remendada, repensada, mas estará sempre lá presente. Um ano do caminho teria se baseado em uma falta de verdade, seguida de uma mentira direta e da falta de justificativas. Esse caminho, em essência pura, não existiu. Algo que se pensava sólido virou poeira e foi varrido pelo vento.

O Caso B tinha um ar mais efêmero. Começou de repente, inusitadamente, totalmente inesperadamente! Mas começou a cavar seu espaço. De cara, turbulências balançaram o avião antes dele se estabilizar, mas ainda assim, adaptação está sempre no nosso caminho. Dúvidas, receios e simplicidade foram aos poucos se diluindo. Quando as coisas pareciam caminhar pra um mar de rosas, veio o conceito, que não chegou nem ao ponto de ação, logo seguida do balde de água fria chamado sinceridade. Mas ainda assim, era um balde de água fria verdadeiro. E eu sempre penso que a verdade vem pro bem. A água gelada talvez tenha transformado essa névoa prévia em algo um pouco mais parecido com solidez.

Os casos apresentados acima tiveram pontos de partida e chegada bem diferentes. Enquanto um 'tudo' se desmoronou, um 'em processo' se tornou algo mais palpável para o futuro. De nada adianta pra mim todos os entornos sem a sinceridade, talvez um dia só reste ela, os entornos podem todos cair, mas a verdade vai estar sempre estampada aos olhos. E eu de fato considero isso. Nos dois casos, a relação citada (seja ela familiar, fraternal, amorosa, profissional... cada um tem a sua interpretação dos casos) teve o mesmo resultado final, mas o caminho traçado até ele demonstra pra mim a integridade dos indivíduos envolvidos em relação à sinceridade. E se há esse tipo de compromisso, porque outros não poderiam voltar a ser assumidos no futuro? Agora, se isso é algo que falta, um dos pilares de qualquer firmamento futuro está trincado.

Porque o ser humano tem tanta dificuldade em falar a verdade dos fatos? Disso tudo, um só dizer:
"Desculpa minha incapacidade, mas nesse caso, eu não consigo. Todavia, eu agradeço pela confiança, ela é mútua e não foi quebrada."

25 de outubro de 2010

Um babaca convicto

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Acabei de chegar do cinema, fui assistir ao filme Tropa de Elite 2. O filme é muito bem feito e não deixa de incorporar o clichê "tapa na cara da sociedade". Ele mostra, de maneira muito explícita, o que o povo brasileiro procura manter os olhos fechados para não ver. (leia matéria sobre a repercurssão do filme)

Saí da sala de cinema com mais fé no cinema nacional e com mais nojo da nossa política e da nossa corrupção que tem berço no tão aclamado jeitinho brasileiro.

A propósito, eu odeio o "jeitinho brasileiro"! E sem discursos moralistas sobre a valorização da cultura e personalidade nacional pra cima de mim. Isso pra mim é desculpa de malandro. É discurso pra quem gosta de levar vantagem em tudo sobre qualquer coisa, a qualquer preço. E pra mim as coisas não funcionam dessa maneira.

Eu já fui um entusiasta desse jargão nacional e defendia que nós, brasileiros, tínhamos uma personalidade nacional flexível, se adaptando a todas as dificuldades, fazendo milagres com a miséria que nos é concedida sob a capa de pão e circo. E ainda acreditaria nessa adaptabilidade do jargão, se ela fosse real. Quando morei fora, tive contato e experiência com alguns brasileiros. E estando fora da nossa terra, estando longe desse ambiente e respirando ares de uma outra cultura, totalmente diferente da nossa, pude perceber o quão falha é essa desculpa.

O "jeitinho brasileiro", sem tradução clara o suficiente para nossos irmãos gringos, nada mais é do que um cobertor. Ele não deixa de incluir a flexibilidade e adaptabilidade. Mas os fins a que essas características se destinam geralmente não apresentam razões tão nobres. A ideia, crua, é sim levar vantagem em qualquer situação. Quem nunca tentou furar fila no cinema? Quem nunca fingiu estar dormindo quando uma senhora entrou no ônibus ou no vagão do metrô em que você estava sentado (mesmo que fosse no assento preferencial)? Quem nunca recebeu um troco errado na padaria e além de se gabar, ainda chamou o caixa de "trouxa" por não perceber que deu dinheiro a mais?

Se você conseguiu responder "eu" à maioria dessas perguntas, fico contente que você seja mais um no caminho certo, dentro do que eu acredito que seja o caminho certo. Não espero que você tenha 100% de "eus" nas suas respostas, porque todos já passamos por pelo menos uma situação assim. E aprendemos assim com nossos pais, que aprenderam com nossos avôs e assim por diante. Você pode discordar de mim, dizer que você não se inclui nesse grupo, mas se você conseguir dizer a verdade pra você mesmo sobre essas questões, esse texto cumpre seu papel.

Há sim a possibilidade de se fazer as coisas funcionarem sem querer levar vantagem em tudo. É só respeitar o próximo como gostaria de ser respeitado. Se em vez de falsificar uma carteira de estudante pra pagar meia entrada em shows, cinema, teatro e outras atividades culturais, o povo se unisse e levantasse bandeira para cobrar de nossos governantes um incentivo maior à cultura e um investimento em boas estruturas públicas, talvez não precisaríamos dessa falsificação. Provavelmente, o preço do ingresso seria menor, por meios legais.

A legalidade geralmente demora mais, é mais burocrática. E queremos sempre o agora, o imediato. Flando em termos mais técniso, percebo isso em meus alunos, por exemplo, no ensino de um código CSS perante uma construção de site em tabelas. O código CSS demanda um planejamento um pouco maior, uma construção visual um pouco mais cuidada, mas ele demanda um investimento inicial de tempo maior. Então, todos preferem "dar um jeitinho" com a construção em tabela. Ela resolve os problemas de forma mais rápida, sem que você precisse se preocupar tanto assim com a estrutura na construção. Mas no final das contas, quando precisamos procurar algum erro num código em tabelas, a sujeira e a quantidade de gambiarras é tão grande que sinto o mesmo asco de quando olho pro nosso corrompido e imundo sistema político atual.

O exemplo que usei pode ser técnico, mas a essência é bem humana. E, com o perdão da palavra, está na merda do jeitinho brasileiro. Ser honesto no Brasil é ser babaca! Posso ainda não estar lá, mas minha luta por ser um babaca convicto no Brasil continua.

23 de agosto de 2010

Personalidade do Tempo

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"A dor que fere o peito... Isso vai passar."

O Tempo, tão sábio e provocante. Não diria traiçoeiro, pois ele é muitas vezes até lógico, mas ele adora uma brincadeira, pregar peças que nos pegam tão de surpresa. E por mais que você se blinde contra alguns fatores específicos, o Tempo se encarrega de achar a brecha necessária pra te fazer passar pelo sentimento que você vislumbrou e tentou se esquivar com tanto sucesso por certo Tempo. Mas o Tempo não se engana, com seu passar, ele esclarece, mostra... Muitas vezes, lentamente, outras de modo instantâneo. Mas ele é implacável quanto ao futuro certo; demorando mais ou menos, dependendo do caso.

E ele não deixa de ser irônico e sacana pois coloca as coisas na frente dos seus olhos quando você se sentia seguro o suficiente para não olhar mais para aquilo. E muitas vezes em um momento que você não poderia ter mais nada em sua frente por ter um outro foco, bem definido e que demanda energias concentradas.

O Tempo é assim... Cabe a gente aceitar, gostando ou não.

20 de julho de 2010

Here and There (Aqui e Lá)

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Do you know what happens? Neither do I! The mind at these times is a whirl and sends disordered signals to the heart to beat faster, to the sleep to remain absent, to the basic functions of the body to be disarranged, to the lips to start to be bitten on the inside and the nails to become smaller and irregular.

The body tires, not the mind. Many things arrive at the magnetic field of this powerful tool that changes the course of the things and makes it so tattered that I can look the backlog that I continuously do and redo and notice I didn’t leave the place. Place, moreover, is the problem… and solution at the same time. It’s that time when the Libran scale flips out.

There is where I always felt confident, sometimes overconfident, owner of myself. My job wasn't the dream's, but I strove to do it the best. From this, came good results and compliments. There is a space where I had domination of my territory, and I always fight intensely for it. There is the place where my friends were always ready to have fun together and also to have hour-long conversations filled with advice and outflowings, or about the banalities of public transport or that TV show.

There is where life is easier, where I’ve all the elements that protect me, care about me, look out for me, surround me.

Here, on the other hand, is where the things happen. I don’t talk just about the hype of the new gadget or about the concert of the moment; here the things happen when you’re ill, need to move around the city or even make the supermarket purchases of the month. They happen on a daily basis. Here life is more difficult, more challenging and also makes a fantastic and dynamic place, that consequently moves you along with the river current.

Here, nobody cares if you go out on the street in flip-flops, floral shirt, top hat and filibeg. Maybe they think I’m eccentric, but they’ll hardly lose more than 5 seconds of their busy lives with me. Here they don’t care if I’m young or old, man or woman, gay or straight, Brazilian or Polish. Here you have to show it belongs, without carrying the prerequisite social tags and labels that the majority don't put on you. Here is a multicultural cauldron with buzzing differences around common interests, that makes more viable the acceptance of the other, who doesn't have, in general, a routine very different from yours. Even though he earns your triple, he knows that the easiest way to reach his workplace is by tube. There it is also known, but is better to cover the eyes, give a smile and move on.

There they smile a lot, here not so much. There they also fake a smile a lot, here not so much. There they’ve sympathy, here respect. There they’ve hypocrisy, here a possible loneliness. There they’ve the idea that what comes from here is the best. Here the domestic product is valued and yet the outer one, respected. There, the idea is to multiply, here is to share. There you do have the best treatment in the world, here you’ve the world on your treatment.

There and here are opposites. And twins. There are differences that weight and search for a balance inside the ones who pass between both locations. This is what happens with me and brings me the whirl.

Here the glass windows on the offices let everybody follow other’s routine. But, to be honest, nobody cares that much about the work routine of a stranger. Strange one that consequently has exposed his life, but has at the same time more freedom than he would have there. And he hides himself more efficiently that he could there.

The people from there that are here brings a bit of the taste of home, but this reminds me too that they have a knack for everything and always, it can disturb these good memories and remember that being wherever they are, have in their nature the trial to take advantage of everything, even if it means cheating on the person that lives with them. And this is sad, here or there.

On the other hand, the people there have natural swing, that the people from here try hard to imitate and can’t do at first, sounds artificial. The people there have this swing also regarding music, this music that is often less logical and technical than here, but that is contaminated here, that just repeats meaningless phrases they listen, as well as there’s ones repeats, most idolised, the songs from here, returning to the paradox value and respect.

But both here and there some similarities take shape in light of the passage of time. The bath, for example, anywhere, is my deepest, more intense, logical and practical thinking. It’s a pity I can’t verbalise as well as thinking in the bath.

Either there or here, bureaucracy, high taxes and corrup politicians exist. The difference is that here the results of the taxes are returned to the population, the bureaucracy serve as efficient register most of the time and corruption must be uncovered publicly in a satisfactory way.

There, the appearance counts a lot. Beyond the physical and personal, the house must be beautiful and imposing so that the others will have a good impression of your job, which must bring status, even if only in the nomenclature of the post that carries the badge. The clothes have to be stunning, even if they’re uncomfortable.

Here the functionality of the things matters more, being simpler. The houses are virtually all the same, mainly externally they’re twins among them. The job must reward each one’s necessities, independent if its function is waiter, receptionist, manager, marketing researcher, representative or company’s owner. And knowing that, everybody respects the others, without looking down on them.

But now, there is here and here is there. Everything changed… again. But many things didn’t change. Others are completely different. The adaptation between the “here” and the “there” seems much more difficult now then when the direction was from here to there, even though it brought uncertainties (and maybe exactly because of that it seemed easier). Here’s family can’t and won’t understand how painful it was to leave there. There’s family can understand a part of it, to live a similar situation in the change of here and there. Only the family of transition, the one which walked here and there, the other piece of middle part, is the one who knows that beyond all of it, the plural, in terms, turn to be singular. But knows too that there’s a mark this process left on us and that will keep an eternal link.

Between singular and plural. Between here and there.

[From the original, in Portuguese: Aqui e Lá. Thanks to Louise Latham for the language correction!]

2 de julho de 2010

Viva Dunga, abaixo o "dunguismo"

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Mais um texto recebido da Ju Lázaro, bem oportuno sobre a saída do Brasil da Copa do Mundo na África do Sul hoje, ao perder de 2x1 para a Holanda.

Viva Dunga, abaixo o "dunguismo"

Lá vou eu com a antiga mania de desafiar a chamada sabedoria convencional, que, pelo que vi nos canais de TV após o jogo contra a Holanda, está crucificando Dunga.

Eu vou defender Dunga. A eliminação não é culpa dele, por mais que você precise de um Judas a quem malhar na derrota.

Dunga levou para a Copa o que tinha à mão. Não me venha com Ronaldinho Gaúcho, pelo amor de Deus. Esse rapaz, no auge de sua forma na Copa de 2006, foi um tremendo fiasco. Agora que está no tobogã para baixo, você queria levá-lo para repetir o fracasso?

Já Ganso e Neymar, eu levaria, sim. São atrevidos e ousados, características ideais para jogadores de futebol (e para outras profissões também, mas não são elas que estão na berlinda hoje).

Como Dunga não é nem atrevido nem ousado, deve ter achado que convocá-los seria uma aventura. Seria mesmo. Tanto que os dois não estão jogando no campeonato nacional o que jogaram no paulista. Se Robinho, igualmente atrevido, igualmente ousado e igualmente brilhante no campeonato paulista, foi o fiasco que foi na África do Sul (e não só no jogo contra a Holanda), quem garante que seus jovens companheiros fariam diferente?

Sobrou algum talento mais, espalhado pelo mundo, que Dunga não tenha convocado? Não vejo nem ouvi meus ídolos no colunismo esportivo (PVC, Juca, Tostão, José Geraldo Couto, Fernando Calazans) mencionarem algum com entusiasmo ou até sem ele.

Dunga, portanto, levou o que o Brasil tem hoje para mostrar na passarela do futebol. Que culpa ele tem se os dois maiores talentos da atualidade --Kaká e Robinho-- fracassaram?

Que culpa ele tem se os três jogadores que toda a crônica esportiva transformou em monstros sagrados --Júlio César, Juan e Lúcio-- falharam miseravelmente nos gols da Holanda? O goleiro saiu do gol estabanadamente no primeiro gol; os zagueiros deixaram um baixinho de 1m70, Sneijder, cabecear no segundo gol, sem precisar nem sequer erguer o pescoço, quanto mais pular, porque os beques que deveriam marcá-lo estava caçando mosca.

A seleção não podia ser salva por Dunga, mas por Freud, se vivo estivesse e gostasse de futebol. Só ele para explicar como é que 11 jogadores que atuaram tão bem no primeiro tempo conseguem perder totalmente o rumo apenas porque o time adversário fez o gol de empate, na primeira jogada de perigo que conseguiu criar até então.

É por isso que o título da "Janela" termina com "abaixo o dunguismo". O problema de Dunga não é com a pessoa jurídica (o treinador), é com a pessoa física. Dunga é triste, é chato, é resmungão, deveria chamar-se Zangado, se é para ficar em nome de anões. Futebol, ao contrário, é alegria, é molecagem, exige que não se perca a alegria jamais, mesmo quando é preciso endurecer (se o Ché me permite parafraseá-lo).

É por isso que a seleção de 2010 perde e pede para ser deletada da memória, ao contrário da de 1982, que também perdeu.

Texto de: Clóvis Rossi que é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às quintas e domingos na página 2 da Folha e, aos sábados, no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".


E esse texto, em sua maioria, define o que penso. Dunga pode ter errado na convocação, mas o time se desintegrou no último jogo sem explicação plausível e racional. E crucificar o cara como o culpado é se cegar diante dos outros erros. É querer concentrar vários erros em uma pessoa só. Não sou expert em futebol, por isso não me atreveria a escrever um post só com palavras minhas sobre o assunto. Mas o que me incomoda é a postura das pessoas perante o fato. E são pessoas que cantam "Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" durante a Copa e o resto do ano só reclamam do Brasil e acham que todo mundo é melhor que a gente.

Quem deveria ser eliminada é a hipocrisia.
Segura o orgulho, cria vergonha na cara, abre o olho.

21 de junho de 2010

Aqui e Lá

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Sabe o que acontece? Nem eu! A cabeça nessas horas é turbilhão e manda sinais desordenados para o coração bater mais rápido, para o sono se manter mais ausente, para as funções básicas do organismo se desregularem, para os lábios começarem a ser mordidos por dentro e as unhas ficarem menores e irregulares. O corpo cansa, a mente não. Muita coisa chega ao campo magnético dessa ferramenta poderosa que altera o curso das coisas e a faz ficar tão estafada que eu posso olhar para aquela lista de coisas pendentes que eu continuamente faço e refaço e perceber que não saí do lugar. Lugar, aliás, é que está sendo o problema... e solução ao mesmo tempo. É a hora que a balança libriana entra em parafuso.

Lá é o lugar que sempre me senti seguro, às vezes muito seguro, dono de mim. Meu trabalho não era dos sonhos, mas eu me empenhava para fazer dele o melhor. Disso saíam bons resultados e elogios. Lá é um espaço onde eu tinha domínio do meu território, e sempre briguei intensamente por ele. Lá é o lugar onde os amigos estavam sempre prontos pra gente se divertir junto e também para conversas de horas cheias de conselhos e desabafos, ou ainda sobre as banalidades do transporte público ou daquele programa de TV. Lá é o lugar onde a vida é mais fácil, onde tenho todos os elementos que me protegem, me cuidam, me olham, me cercam.

Aqui, por outro lado, é o lugar onde as coisas acontecem. Não falo só da badalação do novo gadget ou do show do momento; aqui as coisas acontecem quando você fica doente, precisa se locomover ou mesmo fazer as compras do mês. Acontecem no dia-a-dia. Aqui a vida é mais difícil, mais desafiadora e isso também faz daqui um lugar fantástico e dinâmico, que conseqüentemente te move junto com a correnteza do rio.

Aqui ninguém liga se eu sair na rua de chinelo, camisa floral, cartola e saia escocesa. Talvez me achem excêntrico, mas dificilmente perderão mais de 5 segundos de suas vidas ocupadas comigo. Aqui não ligam se eu sou novo ou velho, homem ou mulher, gay ou hétero, brasileiro ou polonês. Aqui você tem que mostrar a que veio, sem carregar como pré-requisito as etiquetas e rótulos sociais que a maioria não faz questão nenhuma de te colocar. Aqui é um caldeirão multicultural que fervilha diferenças em torno de interesses comuns, o que torna mais viável a aceitação do outro, que não tem, num geral, uma rotina muito diferente da sua. Mesmo que ganhe o triplo, ele sabe que o jeito mais fácil de chegar ao trabalho é de metrô. Lá também se sabe, mas é melhor cobrir os olhos, dar um sorriso e seguir em frente.

Lá se sorri muito, aqui não tanto. Lá também se sorri muito de mentira, aqui não tanto. Lá se tem simpatia, aqui se tem respeito. Lá rola hipocrisia, aqui uma possível solidão. Lá se tem a idéia de que o que sai daqui é o melhor. Aqui o produto interno é valorizado e ainda assim o externo, respeitado. Lá a idéia é multiplicar, aqui dividir. Lá você tem o melhor atendimento do mundo, aqui o mundo no seu atendimento.

Lá e aqui são opostos. E gêmeos. Tem diferenças que pesam e procuram o equilíbrio dentro de quem transita entre as duas localidades. É o que acontece comigo. É o que me traz o turbilhão.
Aqui as janelas de vidro nos escritórios deixam todo mundo acompanhar a rotina do outro. Mas, pra ser sincero, ninguém se importa tanto assim com a rotina trabalhista de um estranho. Estranho esse que por conseqüência tem a sua vida exposta, mas ao mesmo tempo mais liberdade do que teria por lá. E ele se esconde mais eficientemente do que seria se fosse lá.
O povo de lá que está aqui traz um pouco do gostinho bom de casa, mas me faz lembrar também que eles têm um “jeitinho” pra tudo e sempre, que pode atrapalhar essas memórias boas e lembrar que estando onde estiver, têm em sua natureza o “tentar levar vantagem em tudo”, mesmo que pra isso tenha que passar por cima ou trapacear o outro que mora com eles. E isso é triste, aqui ou lá.

Em contrapartida, o povo de lá tem ginga natural, que o povo daqui se esforça pra imitar e não consegue de primeira, soa artificial. O povo de lá também tem música com essa ginga, uma música muitas vezes menos lógica e técnica do que aqui, mas que contagia os de cá, que só repetem as frases sem sentido que ouvem, assim como o povo de lá repete, com mais idolatria, as músicas daqui, voltando ao paradoxo valor e respeito.

Mas tanto aqui como lá algumas similaridades tomam corpo à luz do passar do tempo. O banho, por exemplo, seja onde for, é o meu pensar mais profundo, intenso, lógico e prático. É uma pena que não consiga verbalizar tão bem quanto pensar no banho. Tanto lá como aqui há burocracia, impostos altos e políticos corruptos. A diferença é que aqui os resultados dos impostos são retornados para a população, a burocracia serve de registro eficiente na maioria das vezes e a corrupção deve ser retratada publicamente de maneira satisfatória.

Lá, a aparência conta muito. Além da física e pessoal, a casa deve ser bonita e imponente para que os outros tenham uma boa impressão do seu trabalho, que deve trazer status, nem que seja só na nomenclatura do cargo que se carrega no crachá. As roupas tem que nos deixam deslumbrantes, mesmo que sejam desconfortáveis. Aqui importa mais a funcionalidade das coisas, sendo elas, portanto, mais simples. As casas são praticamente todas iguais, principalmente externamente são gêmeas uma das outras. O trabalho tem que recompensar as necessidades de cada um, independente se sua função é garçom, recepcionista, gerente, pesquisador de marketing, representante ou dono da empresa. E todo mundo sabendo disso, respeita o outro, sem olhar de superioridade.

Mas agora lá é aqui e aqui é lá. Tudo mudou... de novo. Mas muita coisa não mudou. Outras são completamente diferentes. A adaptação entre o aqui e lá parece muito mais difícil agora do que quando a direção era daqui pra lá, mesmo que trouxesse incertezas (e talvez exatamente por isso parecesse mais fácil). A família daqui não consegue e não vai conseguir entender quão doloroso foi deixar lá. A família de lá consegue entender uma parte disso, por viver situação similar na troca do aqui e do lá. Só a família de trânsito, a que caminhou aqui e lá, a outra peça no meio termo, é que sabe que além de tudo isso, o plural vira, em termos, singular. Mas sabe também que há uma marca que esse processo deixou e que vai manter uma ligação eterna.

Entre singular e plural. Entre aqui e lá.

3 de abril de 2010

Desconstruções, de Martha Medeiros

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Recebi por e-mail um texto da @gabijoaninha que eu já tinha lido antes, mas que é bom demais, e valeu a pena reler e, dessa vez, compartilhar aqui com vocês.

O texto, de autoria de Martha Medeiros, chama-se Desconstruções.

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem. A imagem tem a ver com as nossas expectativas e mais ainda com o que ela "vende" de si mesma.
É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se a pessoa for parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se dela, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você acreditou, virá um processo mais lento: a de desconstrução daquilo que você achou que era real.

Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos, desconstruindo Carla.
Milhares de pessoas vivem seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão "desconstruindo ilusões". Tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico.

Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme.
Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas, manias e imperfeições. Isso se formos honestos.
Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, sem entender absolutamente nada.

Quem se apaixonou por uma mentira, tem que desconstruí-la para "desapaixonar".
É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo é mais forte do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento bacana não chegou a existir, que tudo não passou de uma representação.

Talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma,por isso ela se inventa.

Sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que alguém que gostamos não é, e nem nunca foi, Especial.


Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Quando sabemos com quem estamos lidando, tudo se manterá de pé! Graças a Deus...

22 de dezembro de 2009

Inverno em Londres: a primeira neve

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Na última segunda-feira, dia 21 de dezembro, começou oficialmente o inverno no hemisfério norte e com ele a neve se intensificou aqui em Londres. É meu primeiro inverno aqui e estou passando bastante frio, mas isso é uma coisa que acostuma. Estou mesmo é curtindo as novidades, como a neve. É a primeira vez que vi neve na vida e isso me fez voltar um pouco a ser criança (e chegar a andar na rua quase pulando de alegria). Foi um momento mágico, por assim dizer.

Estou chegando perto de completar 3 meses em Londres e muita coisa gira na minha cabeça. Gira principalmente uma pressão interna, vinda de um Rafael que pontuou alguns objetivos e metas para esse projeto de vida. E com tanta coisa nova pra aprender, é muito fácil se desviar das propostas iniciais. É engraçado chegar aqui depois de mais de 2 anos de preparação e parecer que todo esse tempo passou muito rápido e que mesmo sendo longo ele não conseguiu (nem nunca ia conseguir) contemplar todos os pontos importantes de estar aqui.

Não sei se é o frio que contribui pra isso, mas às vezes parece que alguma coisa está faltando. A saudade da família e dos amigos existe, mas a Internet ameniza bastante esse processo; a comida brasileira não tem igual, mas ainda assim os improvisos culinários aqui estão melhores do que eu poderia esperar, pelo menos por enquanto; o meu último trabalho no Brasil, mesmo não sendo tão desafiador quanto eu esperava faz falta por me manter em contato com minha área, ativando sempre aquela parte do cérebro focada nisso, mas aqui tenho um trabalho, que me dá uma graninha pra ajudar nas contas. Mas acho que é isso que ainda falta, algo mais consistente e estimulante que mantenha minha mente ainda mais ativa pra conseguir aproveitar melhor o que essa oportunidade está me oferecendo.

Além do trabalho mais "braçal" aqui, estou fazendo um freela pra minha professora de inglês aqui, Louise Latham. Ela é cantora de folk/acoustic, acabou de lançar um CD por essas bandas e tem um trabalho que me impressionou e encantou (dê uma olhada no MySpace dela). Como ela lançou o CD de forma independente, a empresa responsável pela divulgação cuida mais da parte de negócios e a divulgação propriamente dita (principalmente na Internet) fica por conta dela e de acordo com ela é aí que eu entro. Esse projeto de assessoria pra ela está me dando muito prazer, porque além de eu treinar meu inglês instrumental, acabo entrando na publicidade dentro da área musical, que sempre foi um dos meus objetivos profissionais. E fico feliz que ela (que se auto denomina uma ignorante em informática) está ficando empolgada com as coisas que estou ensinando pra ela nesses nossos encontros.

Mas esse projeto não é o que vai pagar as minhas contas aqui. Acho que isso é o que está tirando meu sono (não literalmente) nos últimos tempos. A empresa pra qual estou trabalhando não é o tipo de empresa, digamos, leal aos funcionários. É o tipo de empresa que tira você da agenda de um evento mas te diz que o evento foi cancelado por "venda de ingressos pobre" e quando você tem o simples impulso de entrar no site do local onde seria realizado, vê que o evento ainda está de pé e é um dos principais da semana. Esse não é o tipo de gente que gosto de trabalhar, de gente com problema com a verdade já bastam alguns exemplos dos últimos trampos. Quero é continuar trabalhando com gente do bem, como sempre tive a sorte de conhecer pelas empresas que passei (salve André, Vander, Lívia, Marquito, Elaine).

Talvez essa seja a pulga atrás da minha orelha. E esse fim de ano é a data que estipulei pra despejar ela de lá. Que um banho de sal grosso nessa virada de ano sirva pra tirar a pela morta da minha vida e trazer os louros que estão esperando por mim para serem colhidos.

Tenham um feliz Natal Branco e que 2010 seja um ano mais do que especial pra quem procura sempre fazer o bem, mesmo que olhando a quem.

18 de novembro de 2009

Não nascemos prontos

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O jeito como o mundo caminha e como as pessoas encaram as coisas que se apresentam na sua vida (a tecnologia sendo uma delas), é um tema recorrente no emaranhado da minha cabeça, no meio dos meus pensamentos.

Algumas coisas consigo entender e justificar pra mim mesmo em favor da pessoa. Outras vezes, simplesmente não consigo entender como a lógica de uma pessoa pode funcionar da maneira como ela demonstra. Muitas vezes chega a ser surreal! E já conheci muita gente que se encaixa nessa categoria.

E vendo meus e-mails, recebi um do meu pai, com o link pra uma série de vídeos de um seminário falando sobre educação e de como a tecnologia impacta nela. Já recebi muitos textos, vídeos, PPS's sobre o assunto, mas a maioria moralista ao extremo. Esse, mesmo tendo seu quê de retrógrado e hiperbólico, me chamou a atenção por mostrar de modo simples algumas ideias nas quais acredito e luto internamente para manter no meu dia-a-dia. Então achei por bem compartilhar com vocês essa série "Não Nascemos Prontos" que pra mim está principalmente apoiada no argumento de que tudo leva um tempo para acontecer.

Eu pertenço a essa geração tecnológica, mas minha ansiedade e paciência são sempre confrontadas por mim mesmo com a máxima que sempre compreendi da educação que recebi dos meus pais; que tudo tem o seu tempo para acontecer. E é dessa maneira que procuro direcionar minha vida. E fico contente de já ter ouvido várias vezes e de pessoas completamente diferentes, que elas admiram o jeito que eu conduzo minha vida, a maneira que enxergo as coisas. Hoje mesmo recebi um e-mail de alguém muito especial me falando justamente isso, dizendo que procura me ter como exemplo em alguns aspectos. Isso me deixa muito feliz, porque mesmo tendo absoluta certeza de que ainda sei do mundo muito pouco, já consigo fazer a vida de alguém um pouquinho melhor; e também por saber que meus pais acertaram e são os melhores pais do mundo.

E essa série de vídeos demonstra muito bem esse tipo de conduta que procuro ter. Em coisas simples, como sempre que vou dar um presente, procuro alguma coisa que de fato caiba à pessoa. Não gosto de vale-CD's também. Também acho que um pequeno exercício na nossa rotina (mover uma massa no espaço) não faz mal a ninguém. Essa é a conduta que procuro ter. Obviamente, também falho nessas tentativas e já perdi muitos almoços de família, muitos jantares foram trocados pelo isolamento no quarto etc.. Mas acredito que por ter essa ideia constantemente comigo, eu mesmo me policio, me julgo e me condeno por minhas atitudes (salve a gastrite!).

O vídeo , dividido em 4 partes, é um pouco longo, mas se chegou até aqui, vale a pena ver o que o seminarista Mario Sergio Cortella tem a dizer.







5 de novembro de 2009

Londres em 30 dias

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O blog anda meio abandonado, mas é por conta dessa atribulada nova vida. Pra quem não sabe, estou fazendo um intercâmbio em Londres, Inglaterra, pra aprimorar meu inglês. E essa nova vida exige muita dedicação, pelo menos inicialmente.

Nesse primeiro mês na cidade tive que resolver coisas relacionadas a moradia, alimentação, banco, documentos, regularização no país, registros, aulas, além de manter família e amigos atualizados (e matar a saudade, claro).

É um processo de aprendizado e crescimento muito intenso. Às vezes você se sente tão pressionado pra resolver as coisas na hora e de um jeito que não é fácil que só falta ouvir o Faustão berrando "se vira nos 30". É, bizarro! Mas é ótimo e nisso, vou reunindo histórias pra contar. Aqui, por exemplo, tudo se come "eat in or take away", mas no início, até entender que isso era simplesmente o "vai comer aqui ou é pra viagem, bonitão" e porque isso influenciava no preço, passei por momentos memoráveis e cômicos.

Já senti um pouco do jeito frio que dizem que os ingleses tratam as pessoas, mas posso também dizer, que foram poucos os casos, isolados. Num geral, as pessoas são bem atenciosas. Se você está num supermercado na seção A e pergunta para uma pessoa que trabalha lá onde você pode encontrar papel alumínio, ele acompanha você até a seção Z, te mostra que é ali e pergunta se você precisa de mais alguma coisa. Sim, no mercado eles são mega prestativos (diferente dos bancos... ai ai ai)!

Mas aqui tem muita coisa boa pra se apreciar também. Tanto visualmente quanto socialmente. É engraçado, eles confiam tanto em você que te desperta ainda mais a vontade de ser sincero e o pensamento "poxa, porque tenho a sensação que em São Paulo o pessoal nunca conseguiria se adaptar com isso?". Mas no meio de tudo isso, coisa bonita de se ver. E a câmera que comprei antes de vir pra cá me atiçou o lado que ama fotografia...

Virei fotógrafo...


Fonte no Hyde Park


Monumento à Princesa Diana, Hyde Park


A maior roda-gigante do mundo, London Eye, vista da Victoria Street


A Clock Tower (Big Ben) visto do Palácio de Buckingham


Monumento à Rainha Victoria, em frente ao Palácio de Buckingham


Rapaz desenhando a St. Paul's Cathedral


O movimento na Millenium Bridge


Placas turísticas e o Big Ben


Dois marcos de Londres: Big Ben e a placa do metrô (Underground)


Houses of Parliament à noite



... e modelo...


Serpentine Lake, no Hyde Park


Com a isca para atrair os esquilos


E depois de alguns dias ele veio


Placa no Hyde Park


Fonte na frente do Palácio de Buckingham


Tomando chuva com um guarda-chuva "cogumelo" na Millenium Bridge


Eu e o Dobby, da série Harry Potter, na loja de brinquedos Hamley's


Clock Tower, o famoso Big Ben


Tower Bridge, o primeiro ponto turístico que conheci aqui


Achou que as cabines telefônicas daqui eram mais pudicas que as do Brasil?


Metrô fora do horário de rush


Fica a saudade do Brasil, da família, dos amigos, dos paulistanos, da cidade. Mas também tem a curiosidade e vontade de conhecer essas coisas novas. Os novos colegas, os londrinos, a cidade... Assim, a balança libriana fica sempre equilibrada. Mas é bom quando a gente consegue unir os dois, como aconteceu no último fim-de-semana, que revi minha amiga/afilhada Monka, a Regi e conheci a Taís. Foi uma delícia passar um tempo (mesmo que curto) com elas.


Piccadilly Circus


O que é interessante também é poder conhecer lugares que só vi por foto, ou ouvi falar. É uma sensação estranha quando você chega no lugar. Foi mais tocante ver esse memorial ao brasileiro Jean Charles, morto pela polícia britânica em 2005, do que ler as histórias na imprensa brasileira ou assistir ao filme de Henrique Goldmann. É um memorial simples, mas erguido pela família e amigos do Jean e com frases, reportagens e momentos que realmente te fazem sentir brasileiro e inconformado.


Memorial erguido pela família e amigos a Jean Charles, morto em 2005


É! E isso é só o começo... Ainda tem muito mais coisa pra viver por aqui.
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