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14 de dezembro de 2012

É difícil falar português pra ser ouvido

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Para um estrangeiro, a nossa língua mãe é um tanto complicada de se aprender. São inúmeras flexões verbais e composições de palavras que geram entonações completamente diferentes e isso é extremamente complicado para alguém que vem do inglês modular. Até nós, quando questionados por eles, temos certa dificuldade de explicar algumas coisas. Não é só "saudade" que tem uma explicação complexa. Aliás, é sobre nós mesmos que eu gostaria de falar.

Para nós, brasileiros, o português é quase um tabu. Se escrevemos uma mensagem como manda a ortografia e gramática, somos muito formais ou certinhos demais. Se usamos nosso idioma para expressar aqueles sentimentos um pouco mais íntimos ou reflexões da alma, é inevitável o medo do julgamento. E isso nós levamos a sério! Não é uma simples invasão norte-americana/inglesa em terras tupiniquins. São índios tentando se comunicar com quem não é índio. Nossas tribos nunca estão boas o suficiente. Passando batido pelo nacionalismo, meu foco é mais em como o português é usado, principalmente em redes sociais, para se expressar. Pouca gente vai assumir publicamente para seus "amigos" da Internet "estou me sentindo sozinho, sentindo falta de alguém especial ao meu lado". Mas quantas vezes você já não se deparou com frases como "feeling alone, miss someone by my side"? E não é que é a mesmíssima coisa?

É muito mais "cool" falar "cool" do que "legal", que aliás, soa brega para alguns. E quanto mais indecifrável for seu enigma nas redes, mais importante você se torna, mais holofotes você angaria pra você mesmo. Se eu quisesse dizer que não sei como lidar com situações da minha vida e soubesse húngaro, eu mandaria um "Nem tudom, hogyan kell kezelni" que ia me dar muito mais status e proteção para não ser julgado tão facilmente. Somente os mais interessados na minha vida, iriam parar 5 minutos para "Googlar" o que escrevi e isso fazer sentido. E esses teriam o prêmio de me entender melhor. Mas me questiono porque fazemos essa escolha? E fazemos todos, sem exceção. Mesmo quando em português, a frase tem que ser de impacto. "Refletindo..." é um bom enigma para gerar dezenas de comentários e aplacar um pouco das dores que essas reflexões podem ter causado. E as pessoas farão a boa ação de nos ajudar sem nem mesmo saber qual é o nosso problema. Não é fantástico?

Talvez. Mas há sempre o outro lado de cada questão. Será que não estamos ficando cada vez mais superficiais e deixando de aproveitar as coisas boas que cada pessoa pode nos oferecer de verdade? Peneirar, via enigmas, os verdadeiros interessados na nossa vida (à nossa maneira, sempre) é mais enriquecedor do que uma conversa sobre amenidades e coisas profundas com alguém numa mesa de bar, num café ou mesmo numa visita àquele amigos que nunca mais visitamos porque não temos tempo para muita coisa além de todos os nossos afazeres diários e o tempo despendido atualizando os amigos virtuais com coisas tão interessantes e importantes na nossa vida, quanto uma reclamação sobre o calor que tem feito ou o trânsito infernal que se enfrenta em São Paulo? Não acredito muito nisso.

Quando nosso perfil é um pouco mais observador, começamos a notar em pouco tempo de convivência, as pessoas que valem a pena ter um pouco mais de profundidade nas relações. E se formos espertos, saberemos como nos aproveitar disso para o bem de ambos. E profundidade pode vir dos mais diversos tipos de relação: amigos, colegas de trabalho, amores, rolos e affairs, família e até o porteiro do prédio. Tudo depende de quanto estamos dispostos a nos doar pro mundo. Dar a cara a tapa falando o português claramente não é fácil, mas é muito, muito mais gostoso do que se esconder atrás de pseudo-escudos. A liberdade se busca assim. Ser independente não significa que não podemos criar na gente certa dependência dos outros, mas sim que sabemos gerenciar essa dependência. Fácil não é, mas o caminho das pedras ensina a cada dia.

O medo de sofrer nos faz seguir por regras racionalmente estabelecidas. Seguindo-as, nos preservamos e não sofreremos no futuro. Pode até ser verdade, mas o presente deixa de ser vivido com a intensidade que poderia ter sido. Fui há pouco apresentado a uma música (em português) que diz: "quem vive de princípios, não tem meios nem fins / eu quebro as minhas leis pois só assim elas pertencem a mim". E esses versos têm muito a ver com o significado de um símbolo africano chamado Sesa Wo Suban. Traduzindo para o nosso português, ele ganha força se lido com cautela: "eu transformo a minha vida, minha personalidade". Ora, se o poder de transformação da nossa vida está somente em nossas mãos, porque temos tanto medo de expor algumas dores e medos?

É porque é difícil. É muito difícil falar português para ser ouvido.

5 de novembro de 2012

Um olhar sobre o amor e o feeling

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Achei em uns e-mails não lidos, um da minha irmã que tinha no assunto: "Bonito". Depois de ler, também achei bonito. E, mais do que isso, achei inteligente. É uma inteligência natural, que fica clara no final do texto.

"Se me pedissem para responder em poucas palavras por que tem tanta gente interessante sozinha e infeliz por aí, eu não iria hesitar muito em responder: porque eles não querem estar sozinhos, mas não sabem estar juntos. Porque, na primeira oportunidade, tem muita gente que se agarra desesperadamente à chance de encontrar o amor da sua vida, mas não está nem um pouco interessado em construir uma relação de verdade com o príncipe encantado, quer ver logo a coroa de princesa e as declarações apaixonadas do lado de um cavalo branco.


E quem procura até acha, mas acaba se contentado com o primeiro que encontra. Ninguém mais está preocupado em se dedicar à pessoa certa, mesmo que ela seja apenas uma das dezenas que estão por aí no mundo e que combinariam muito com seus planos na vida. Na esperança de achar uma alma gêmea que nem sempre existe, se desesperam e vão com muita sede a um pote vazio, que deveria ser completado não com suas expectativas inalcançáveis sobre relacionamento, mas o que ela tem a oferecer a quem diz que ama.


Outro dia li em um comentário por aí dizendo que o problema é sempre quando alguém tenta fazer outro feliz. Que ninguém tem a obrigação de fazer uma pessoa feliz que não seja ele mesmo. Fiquei bastante escandalizada. Quem disse que é uma obrigação? A palavra relacionamento acabou substituindo a palavra amor e tudo virou uma ciência, repleta de estatísticas, jeitos de se fazer. Homens preferem isso e aquilo na cama. Mulheres são mais assim e assado, mas também não dispensam um pau com mais do que tantos centímetros, diz pesquisa.


Tem coisa melhor nessa vida do que saber que o outro está precisando de um colo e fazer de tudo para ser esse ombro amigo? Tem coisa melhor do que ser melhor amigo de quem se ama? Tem coisa melhor do que só parar de se divertir com os errados quando realmente achar o certo? Muito se diz sobre relacionamentos que acabam por que virou só amizade, mas pouco sobre os que acabam porque nunca foram. Intimidade, cumplicidade, não se paga com nenhum tipo de falsa liberdade. Não se engane, experiência nenhuma que vale a pena vai manter você nos seus eixos. E é preciso estar preparado para que sua vida seja chacoalhada de um jeito que você, se tudo der certo, não vai nem querer controlar. Paixão é assim. Amor continua sendo assim, você vai se entregando à vida, vai se entregando a quem ama, vai deixando de pensar só em si.


Se você quiser que o seu namoro/casamento/relacionamento – que o seu amor – dure, que ele marque sua vida de um jeito que vai ser difícil viver depois sem estar rodeado, repleto de uma felicidade absurda, se você quer realmente experimentar um amor de alma, um amor de olhar no fundo dos olhos e entender em dois segundos quem é o outro, do que ele precisa para ser feliz – e que ele faça o mesmo por você -, vai ter que abrir mão da postura individualista de querer tudo e não dar nada.


De uns tempos para cá, comecei a me sentir a mulher mais feliz do mundo por nunca ter tido um desses relacionamentos de estatística, planejado, pensado, calculado para não dar intimidade demais nem resultar em liberdade de menos. Eu só amei, amei, amei, amei muito. Sem ficar podando arestas e vivendo com medo de como as coisas vão se sair. Porque bom mesmo é acordar todos os dias, olhar pro lado e não acreditar em quanta felicidade o destino te reservou. Não por uma noite, nem por seis meses, mas por anos e anos. Infelizmente, isso é muito raro. E não porque é impossível, como os mais desiludidos acreditam às vezes. Mas porque tem muita gente querendo amor, e pouca gente sabendo o que é isso."


Esse texto é de autoria desconhecida pra mim. Se você for a autora, identifique-se! Darei os créditos com gosto. Ele reflete bem a minha visão do amor. O amor não é desesperado, é construção, é dia-a-dia, são os pequenos detalhes do cotidiano, as pedrinhas colocadas pouco a pouco. Isso é muito bonito de se dizer e parece muito fácil, mas não vamos nos iludir. Vamos pensar de modo realista? São os pequenos desafios que o casal vence juntos que vão construindo uma terceira personalidade, mas mantendo as duas anteriores. E isso é o que dá tesão de amar.

É engraçado como hoje as pessoas não criam tempo. Ontem estava discutindo sobre isso em relação a amizades, durante um almoço no trabalho. Antigamente, as pessoas disponibilizavam tempo pros amigos. Hoje, o tempo que se tem é o login no Facebook. Ninguém visita mais, poucos saem juntos pra uma conversa mais longa do que um check-in no Foursquare porque lá vai mostrar que esteve com você. Poucos discorrem sobre filosofias, religião, humanidade e assuntos mais profundos que o final da novela. Não me entendam mal. Eu adorei imaginar finais alternativos pra Carminha e Nina, mas ao mesmo tempo que sou totalmente tecnológico, antenado, amante de pop (cinema, música, arte, cultura), também sou muito analógico. Gosto de uma conversa olho no olho, abraço, carinho entre pessoas queridas (família, amigos, etc.), toque, cheiro, e por aí vai.

Não sei se isso foi resultado da explosão das redes sociais ou do não preparo das pessoas pra recebê-las. Essas mídias são fantásticas tanto pra manter contato cotidiano com pessoas que você nunca teria oportunidade de ficar "tão próximo" se não fosse a Internet como para conhecer gente nova. E sou super adepto a elas. Mas eu acho que elas acabam vazias se não servirem de ponte e sim como fim. O gostoso é usá-las pra marcar um reecontro com os colegas de colégio, por exemplo, mas ir ao encontro, ver as pessoas, rir com elas, falar bastante besteira e esquecer da vida por alguns momentos é mais legal ainda.

E tenho a impressão de que o processo das relações não importa mais. Para o amor, é tão gratificante quando depois de anos, você olha pra trás e vê a evolução, a construção conjunta. É um orgulho que ninguém tira dos dois, independentemente do futuro. E você se sente completo com essas sensações.
Ninguém ama de um dia pro outro. Não funciona assim tão rápido. A gente se apaixona sim. Mas a paixão ela é mais singular e meteórica. Geralmente nos apaixonamos pelo sorriso, pelo jeito, pela química na cama. E é uma delícia curtir a paixão. Mas ela passa. E se o processo não estiver sendo cultivado, sobra o que?

Concordo com a autora quando ela diz que as relações não são tão regradas. Se eu tive um jantar ou uma noite agradável e tenho vontade de ligar ou dar sinal de vida no dia seguinte, porque deveria me privar? "Pra não assustar o outro", muitos responderiam. Eu sou assim, quero ser espontâneo. E se a pessoa gostar disso, ótimo! Se se assustar, paciência, mas não é pra durar mesmo. É tudo simples, mas a gente complica. Se você desrespeita a "regra dos 3 dias" pode arruinar o relacionamento... Sério? Sou retrô e antiquado pra isso. Me sinto feliz de ver como conquista coisas como conhecer os pais de quem você ama. E aquela primeira festa em família? O frio na barriga de apresentar pra todo mundo como "meu namorado". A primeira noite que você dorme na casa dele e ele na sua. Acordar mais cedo que ele e ficar olhando ele dormindo. São coisas tão banais e desvalorizadas hoje que desanima um pouco. Mas sei que existem outros velhos como eu, que amam tecnologia, mas também se veriam felizes se tivessem nascido nos anos 20.

Sou retrô, mas não careta. Muita gente quer só uma curtição carnal. Não é errado isso, mas não adianta procurar romance no sexo casual nem sexo casual no romance, certo? O "feeling", tão pouco usado ultimamente, ajuda bastante a definir os caminhos que você deve tomar.
Seja feliz.
Use-o.
Apaixone-se.
Curta o processo.
Ame.
Seja feliz.

[ATUALIZAÇÃO] Graças à minha querida amiga Gabi, descobri que a autora do texto é a Vana Medeiros e o texto foi originalmente publicado aqui ó: http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/09/25/porque-nao-se-diz-eu-te-amo-para-qualquer-um/

2 de dezembro de 2010

Se Harry Potter fosse Brasileiro...

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Rolou no Twitter um movimento com a hashtag #SeHarryPotterFosseBrasileiro. E o pessoal completava com as continuações mais inusitadas possível. Houveram algumas memoráveis, que vale a pena o registro. Aí vão!

#SeHarryPotterFosseBrasileiro

- O Rony se chamaria Ronyscleidson Wesley da Silva, e teria entrado em Hogwarts pelo PROUNI.

- Quadribol seria narrado pelo Galvão Bueno, gravado no Morumbi, e existiria tráfico de poções alucinógenas.

- Ele subiria na vassoura e gritaria: “É nóis que voa, bruxão!

- O ‘Chapéu Seletor Falante’ seria um boné de aba reta.

- Tiririca seria Ministro da Magia.

- A Murta-Que-Geme seria a Joelma do Calypso.

- Hermione estaria grávida no segundo filme.

- Hogwarts teria que ter cotas para nascidos trouxas.

- O
"Avada Kedrava" seria "Morre, diabo!"

- Tom Riddle diria: “Tom Riddle o caralho! Meu nome agora é Voldemort, porra!

- Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal seriam escolas de samba.

- Os N.I.E.M’s iam ser cancelados por erros no pergaminho-resposta.

- Hermione estaria protestando contra o INEP por ter pego a prova amarela.

- A escola Hogwarts estaria de greve.

- Os filmes seriam "A Pedra do Crack", "A Câmara de Gás", "O Prisioneiro do Carandiru", "O Cálice de Vodka", "A Ordem do Urubu".

- Nicolas Flamel seria José Alencar.

-
Os alunos pegariam o metrô pra ir pra Hogwarts!

-
Xuxa seria a rainha dos bruxinhos.

-
Hogwarts e o Ministério da Magia seriam cheios de curvas e teriam sido projetados por Niemeyer.

-
Gringotes teria uma enorme fila!

-
Luna Lovegood seria uma loira do Tchan.

- Os Comensais da Morte seriam os traficantes do Rio de Janeiro e a Ordem da Fênix, o BOPE.

- Draco Malfoy iria de revólver calibre 38 para Hogwarts.

- O Torneio Tribruxo iria virar uma micareta de 3 dias com bebida liberada.

- Dolores Umbridge seria Dilma Rousseff.

- A tia dos doces no trem a caminho de hogwarts estaria sempre dizendo ‘eu podia estar matando, roubando..’.

- A tia que vende doces no trem ia gritar “MINDUIM 50 CENTAVOS MINDUIIIIM”

- Em vez de Corujas, seriam Urubus!

- A banda preferida de Lord Voldemort seria INIMIGOS DO HP.

- O Ministro da Magia seria acusado de participar de esquemas de desvio de dinheiro e mensalão.

- O beco diagonal seria a 25 de Março.

- O Hagrid não ia ter um dedinho da mão e ia se chamar Lula.

- Snape se chamaria Severino Cobra Souza.

6 de janeiro de 2010

Avatarize-se

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Numa parceria do McDonald's Espanha com o filme Avatar, novo blockbuster da Fox Films, esse site oferece a possibilidade de ver como você ficaria se estivesse vivendo no mundo retratado no filme. Avaratize-se você também!



Caso a animação acima não funcione ou expire, esse é o resultado final da minha pessoa em Avatar.



E depois de pronto, claro, você pode se avatarizar em diversas redes sociais, como publicação instantânea no Facebook, como já se tornou praxe (e obrigação) pras novas campanhas publicitárias.

Ainda não vi o filme, mas somando essas estratégias de divulgação com os comentários positivos do boca-a-boca também quero conferir o filme mais caro da história... e em 3D, claro!

18 de julho de 2009

Novo layout do blog!

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É com alegria que "inauguro" um novo layout aqui!

O design foi criado especialmente para o blog e tenta trazer minha essência para a tela, além de seguir a identidade visual do meu portifólio digital, que tenho ideia de reformular em breve também.

No topo, há uma nova estrutura de navegação, com links para a página inicial do blog (clicando no logo), meu portifólio digital, o perfil que criei no Google Profiles, além do meu currículo e de uma página com um formulário de contato direto para o meu e-mail.
Também no topo, há um campo para pesquisa de conteúdo no blog e uma breve descrição minha.

Já do lado direito, uma foto que pode ser trocada de tempos em tempos e um link para o RSS do blog. Uma novidade interessante são os links que levam para o meu perfil em algumas redes sociais: Twitter, Flickr, Facebook, Last.fm, YouTube e Drimio - uma rede social brasileira de marcas.
Ainda na sidebar, alguns widgets que serão modificados com o tempo. Por enquanto, temos o Arquivo do Blog, uma seção de vídeos do meu canal do YouTube, além das tags (marcadores) do blog e a área de Seguidores. Espero que vocês curtam e resolvam seguir o blog também!

Na postagem a novidade é uma área com maior largura, que permite fotos maiores, dando foco pro visual. Do lado direito do título da postagem um balão indica o número de comentários dela. Para comentar clique no balão (aproveite e diga se gostou do novo layout).
No rodapé da postagem, além das tags, temos o ícone de "Enviar para amigo".

Mas apesar de tudo isso, o grande "tchan" desse novo visual é o fundo do blog. Ele contém desenhos de coisas que marcaram de alguma forma a minha vida. Se você tem uma resolução de tela menor, você verá apenas uma "coluna" de desenhos, mas se tiver uma resolução maior, verá outros.

Pra montar isso tudo, usei basicamente Photoshop e Dreamweaver (ambos da Adobe) e refinei CSS no próprio editor HTML do Blogger. Pesquisei bastante coisa no Templates Novo Blogger, deu uma ajuda e tanto!

Bom, chega de falar!
Eu curti essa mudança, essa nova cara. Quero saber o que vocês acharam.
Elogiem, critiquem, sugiram, reclamem. Comentem!

6 de julho de 2009

A influência das redes sociais na relação empresa-consumidor

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O texto abaixo foi publicado no Portal Imprensa. Entitulado "O Twitter e a derrocada do autoritarismo na comunicação", apesar de longo, é extremamente interessante para compreender as mudanças que essa era de redes sociais vem trazendo para a relação das empresas (sejam públicas, privadas, multinacionais, artistas, políticos, entre outros) com o consumidor.


"Nenhuma organização se sente confortável quando um consumidor tece críticas a ela, particularmente quando isso acontece publicamente, sobretudo tendo a mídia como caixa de ressonância. Ela sempre imagina que a sua imagem resultará arranhada, o que pode ser absolutamente verdade (mas será que ela não mereceu o puxão de orelhas?).

É razoável aceitar que, quase sempre, ao ser criticada, uma organização (ou mesmo uma pessoa) entra mesmo nessa zona de desconforto, se coloca na defensiva ou busca argumentos contrários (mas nem sempre verdadeiros) para neutralizar crítica etc. Esta postura é normal porque esse negócio de dar a outra face depois de levar uma bofetada não se aplica bem ao universo dos negócios.

Mas não é normal, (na verdade, parece doentio) quando uma organização se empenha para calar as críticas, promove represálias aos descontentes ou ameaça com processos jornalistas e cidadãos que, merecidamente, resolvem pisar-lhe no pé. Encastelada na sua arrogância, não admite que possa estar errada ou que deva existir espaço no mercado e na sociedade para posições divergentes. Querem governar magnanimamente e desfilar sob aplausos. Mas está cada vez
mais difícil conseguir ou impor unanimidade.

Há uma explicação (justificativa nunca!) para essa postura: as organizações costumam ser autoritárias simplesmente porque seus diretores (ou gestores em geral) ainda estão, em sua esmagadora maioria, amarrados a uma cultura retrógrada, dinossáurica, que encara as críticas como ameaças. Eles não conseguem perceber sinais de alerta ou mesmo sugestões brilhantes que brotam do terreno da boca ou da pena (mais recentemente da tecla) do adversário.

As empresas privadas ou públicas muitas vezes assumem esta atitude autoritária com o objetivo de instituir o silêncio, a falsa excelência de ações e processos, porque não estão dispostas, capacitadas a enfrentar as divergências. Fala-se muito em diversidade cultural, mas, na prática, são transgênicas, não diversas, defendem a tese da opinião unânime e, evidentemente, a seu favor. Proclamam-se sustentáveis, mas praticam o marketing verde e usam o discurso da responsabilidade social como disfarce.

A cultura da arrogância pode ser vista na postura da Petrobrás (a empresa camaleão - meio pública e meio privada) e, em particular do seu presidente (ganhou por causa disso até editorial do Estadão), que busca a todo custo, valendo-se do seu lado público (relação não transparente com governos e partidos), impedir que a CPI coloque o dedo nas suas feridas (vai ver elas são muitas e a Petrobras é muito sensível a dores!). Criou blog (e fez bem), afrontou os jornalistas (aí fez mal) e, respaldada no seu imenso poder econômico (seu lado privado), continua tentando, a todo momento, sufocar as divergências (mas, como diz o ditado, algumas coisas tendem a cheirar mal quanto mais se cutuca), hasteando a bandeira da transparência.

A cultura da arrogância pode ser encontrada na Telefônica que sempre buscou mascarar as suas mazelas tecnológicas e de pessoal até que os apagões e caladões na banda larga e na telefonia fixa não couberam mais debaixo do tapete. Fingiu pedir desculpas (funcionou uma vez), usou a mesma estratégia novamente, insistiu ainda de novo, mas, como só o discurso não resolve problemas reais, teve que pedir arrego e prometer investimentos imediatos (é bom ficar de olho porque culturas assim são melhores para prometer do que para cumprir). Está com a venda do Speedy suspensa, o que deveria mesmo acontecer até que ela arrumasse a casa, um desarranjo de dar dó (ostenta com galhardia o título de campeã de reclamações há muito tempo).

O momento exige mudanças. As organizações precisam, por uma questão de sobrevivência, conviver com a divergência porque ela será sempre maior, tendo em vista o aumento da concorrência, a visão mais crítica dos consumidores e o avanço da legislação que tolera cada vez menos abusos (embora a Justiça seja conivente com os faltosos, vide o Senado brasileiro, paraíso de mordomos, sobrinhos, netos e mausoléus!).

Um exemplo interessante foi relatado em reportagem da BusinessWeek, publicada no Valor Econômico (22/06/2009, p. B3) sob o título "Na Nokia, falar 'mal' da companhia dá recompensa". Segundo matéria assinada por Jack Ewing, diretamente de Frankfurt, Alemanha, " no terceiro trimestre de 2008, a Nokia estabeleceu uma intranet chamada Blog-Hub, abrindo a rede aos funcionários blogueiros de todas as partes do mundo. Escrevendo sob pseudônimos como "Hulk" e "Agulha", os funcionários podem ser cruéis, atacando seus empregadores por tudo, desde as práticas de compras à velocidade do software dos celulares. Em vez de 'acabar com a festa', os administradores da Nokia querem que eles 'botem tudo para fora".

É evidente que as críticas toleráveis, mesmo na Nokia, limitam-se a produtos e processos, mas isso já é um avanço. Falar das chefias incompetentes talvez não seja razoável na Dinamarca como não costuma ser em qualquer empresa brasileira. Que funcionário da Petrobras teria coragem de dizer ao Gabrielli que ele é arrogante? Que funcionário da Telefônica terá coragem de dizer ao Valente (com esse nome fica mais difícil mesmo!) para ele parar de vender Speedy porque não há estrutura que suporte tanta ligação? Mas a gente pode, o Estadão pode, a Aneel pode e, eles gostem ou não, vão ter, como diz o Zagalo, que
engolir sem mastigar.

As empresas não estão mais, embora algumas insistam em fechar os olhos para a realidade, blindadas contra as críticas porque as redes sociais, o Twitter, o Orkut, os blogs, os grupos de discussão, passaram a ser ambiente propício para esta modalidade nova de "rádio peão"eletrônica para a qual não há controle e censura que dêem jeito. Basta não andar na linha, basta desrespeitar o consumidor, praticar o assédio moral contra funcionários (será que o ambiente da AmBev já melhorou depois de tantos processos movidos por ex-colaboradores?) ou prejudicar os investidores (que a Aracruz e a Sadia tenham aprendido a lição!) para que a comunicação máquina-a-máquina funcione a todo vapor. E o ruído silencioso das redes sociais , da comunicação eletrônica é mais devastador do que o dos megafones e carros de som tradicionais.

Não há saída: a sociedade conectada não favorece o controle, torna ineficaz a estratégia antiga (infelizmente ainda utilizada em centenas de cidades brasileiras por empresas e autoridades) de cooptar veículos de comunicação em troca de anúncios, por amizade etc ou mesmo de ameaçar jornalistas/radialistas que insistem em denunciar escândalos políticos ou econômicos.

Hoje somos milhões de cidadãos mobilizados e munidos de trombones digitais para literalmente botarmos a boca no mundo, se necessário. Não dá para subornar todos nós, silenciar todos nós, mesmo porque, felizmente, sempre existirão muitos, cada vez mais, que repudiam ameaças e não se vendem por coisa alguma. Há um rascunho de cidadania planetária sendo escrito em cada jovem que nasce neste mundo conectado, mas ainda devastado, contaminado por agrotóxico, sem ética e sem solidariedade humana. Essa geração, se não reprimida, pode alterar as regras do jogo que foram impostas há tempo por corporações poderosas, governos totalitários, parlamentares corruptos e empresários inescrupulosos.

As empresas devem contemplar as críticas como sinais de alerta porque boa parte delas se origina de motivos concretos ou até da sua incompetência em estabelecer diálogo com os seus públicos de interesse. Muitas preferem monitorá-las com o objetivo de desenvolver ações de intimidação ou de cooptação (continuam acreditando que toda pessoa tem seu preço!) em vez de ouvirem com mais cuidado e respeito porque consumidores, funcionários, na maioria dos casos, apenas querem colaborar, ainda que o tom não seja em princípio cordial (o que faria você se ficasse sem telefone ou internet o dia todo e dependesse deles para fechar negócios, conversar com parentes e amigos?).

As organizações precisam recrutar pessoas, especialmente líderes autênticos (há chefes que não lideram coisa alguma e que só se impõem pela possibilidade que as empresas lhes dão de chicotear aqueles que os contestam), que estejam dispostos a esta interação com humildade, praticando, interna e externamente, uma autêntica gestão de informações e de conhecimentos.

Os consumidores e a sociedade tendem a ser cada vez mais plurais em contraposição à tendência monopolista dos mercados. Mas essa conta, que não fecha, não será resolvida com tranqüilidade porque os espaços de comunicação e de crítica se tornarão cada vez maiores e mais ruidosos. Contra a pressão de gravadoras e editoras, compartilhamento de material (arquivos, músicas) na web; contra software proprietários, o software livre. Contra Gabriellis e Agnellis, se postarão Silvas, Joãos e Antônios que não curvam a espinha. Contra congressistas sem ética, existirão blogueiros e twitteiros com a língua afiada e os dedos ligeiros.

Seremos todos piratas (no bom sentido) no futuro, mesmo que essa realidade pareça distante neste momento. Teremos que compartilhar valores, saberes, informações, conhecimentos se quisermos sobreviver em paz.

Até que isso aconteça, o negócio é resistir ao autoritarismo (o exemplo de Honduras indica que as ditaduras são cada vez menos toleráveis) de chefias, de empresas, de governos. Contra a censura, a auto-censura e o grito, usaremos o sarcasmo, a ironia, a conversa ao pé do fogo. Contra Davos o Fórum Social. Contra latifúndios (na agricultura e na mente), lançaremos mão da nossa opinião diversa, avessa à transgenia cultural e defenderemos, com veemência, a bio e a sociodiversidade.

Comunicação democrática, diálogo, relacionamento saudável são atributos de uma organização moderna e, ainda que lentamente, a utopia da prevalência da solidariedade humana se fortalecerá porque, gradativamente, este será o desejo (e a necessidade) de todos nós.

As mulheres do Irã, os agricultores familiares, os excluídos pelas barragens, os indígenas e quilombolas expulsos pelos grandes projetos de mineração e de papel e celulose (vide Aracruz no Espírito Santo!), os trabalhadores escravizados por madeireiras e usineiros sem escrúpulos encontrarão mais facilmente vozes para defendê-los. O meio ambiente preservado já é, por exemplo, uma aspiração de todos nós e essa luta nos mobiliza planetariamente. Bush já era, assim como perderão voz e vez o presidentes arrogantes das empresas nacionais e internacionais.

Entramos na era das redes, dos movimentos organizados, da comunicação crítica e, neste novo cenário, as organizações e os governos terão que fazer o jogo da contemporaneidade.

Twitter, Orkut, "rádio peão" e blogs irreverentes serão nossas enxadas eletrônicas contra empresas e chefias autoritárias. Um dia, aquela frase hipócrita - "o funcionário é o nosso maior patrimônio " (não é, Embraer?) - deixará de ser apenas um discurso vazio que freqüenta folders e vídeos institucionais e vigorará na prática.

As organizações e governos que quiserem "pagar para ver" levarão um tranco fenomenal. Quando a utopia se transformar em realidade, não haverá espaço para ditadores ou privilegiados, em Honduras ou no Senado. E isso só acontecerá, se acreditarmos nisso e estivermos dispostos a realizar as mudanças necessárias. O Twitter, o Orkut, os portais, os blogs são a nossa nova arma. Estamos nos preparando para a luta. E você está convidado.

As novas gerações darão o golpe fatal nas empresas, governos, oligarquias e patrões que, depois de terem avançado sobre o nosso passado, ainda tentam impedir no presente que a gente construa o nosso futuro.

Twittemos todos. A verdade é filha do tempo e não da autoridade (Goeth?)."

[Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Editor de 4 sites temáticos e de 4 revistas digitais de comunicação.]
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