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31 de janeiro de 2012

A marca Tropicana leva sol ao Canadá e Inglaterra

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Li o título de um post do blog Brainstorm#9 que me chamou a atenção inicialmente por conter a palavra "Londres". Aí fui ler melhor e o assunto do post me interessou ainda mais. A Tropicana, uma marca internacional de sucos de laranja vindas da Flórida e complementadas com laranjas brasileiras de alta qualidade, levou um sol artificial pra nascer duas horas mais cedo no inverno londrino.



A ideia era uma bola inflável (inflada) de mais de 200 metros quadrados, tendo em seu interior cerca de 60 mil lâmpadas e pesando aproximadamente 2 toneladas e meia. Essa bola, acesa, traria mais brilho para os invernos escuros da cidade, que nessa época do ano amanhece tarde e anoitece cedo. Nessa ação, eles ainda disponibilizaram cadeiras (no estilo praia/parque), ofereceram óculos escuros e sucos Tropicana, fazendo sua vida com mais luz. #merchan


Por conta desse vídeo, vi mais dois outros, relacionados à essa ação, mostrando o making of dela. Um mostra mais da montagem na Trafalgar Square, em Londres, e o outro mais dos bastidores da construção desse sol artificial, que demorou 6 meses para ficar pronto, tá bom pra você?







E continuando a fuçar no Brainstorm#9 (que é maravilhoso, por sinal), vi que a Tropicana do Canadá tinha feito em Fevereiro de 2010 (bem antes da Luiza ir pra lá) uma ação parecida no Ártico Canadense, que fica sem ver a luz do Sol por mais de 30 dias.



Essa é uma ação daquelas tocantes, que valem a pena os meses de esforço e grana gasta só de ver o sorriso surpreso no rosto de quem presenciou. Uma boa forma de passar a mensagem da marca. Eu curti!

20 de maio de 2011

Carta aberta sobre a homofobia

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Essa discussão toda sobre o kit anti-homofobia que o MEC estuda distribuir em escolas, também apelidado de 'kit gay' pelos homofóbicos ainda está rendendo. Não bastam Bolsonaros e líderes de movimentos LGBT discutirem. O assunto toma uma esfera cada vez mais ampla. Isso é bom. Só assim a sociedade começa a discutir de fato o assunto e essa discussão (a saudável, eu digo) consegue gerar um desenvolvimento social muito grande.

Nesse cenário, recebi um e-mail um tanto quanto curioso de um endereço desconhecido. Não sei como chegaram ao meu endereço eletrônico, nem se é de fato um e-mail real.

Leia com atenção e vejam o que estão fazendo com nossas crianças;

Trechos do livro "Mamãe, Como Eu Nasci?", aprovado pelo MEC para alunos na faixa dos 10 anos;

"Olha, ele fica duro! O pênis do papai fica duro também?

Algumas vezes, e o papai acha muito gostoso. Os homens gostam quando o seu pênis fica duro."

"Se você abrir um pouquinho as pernas e olhar por um espelhinho, vai ver bem melhor. Aqui em cima está o seu clitóris, que faz as mulheres sentirem muito prazer ao ser tocado, porque é gostoso."

"Alguns meninos gostam de brincar com o seu pênis, e algumas meninas com a sua vulva, porque é gostoso. As pessoas grandes dizem que isso vicia ou "tira a mão daí que é feio". Só sabem abrir a boca para proibir. Mas a verdade é que essa brincadeira não causa nenhum problema".


O MEC distribuirá kit anti-homofobia em escolas públicas no segundo semestre;

Pelos cálculos do MEC, uma criança com sete anos de idade que chegar à escola e receber em mãos uma historinha de amor homossexual, terá menor probabilidade de tecer brincadeiras discriminatórias para com o coleguinha. Mas o que é difícil imaginar é o que se passará na cabeça de cada uma dessas criancinhas diante deste kit de orgulho gay do governo, será que a consequência vai ser a esperada pelo governo ou isto é uma propaganda de que é moda e normal namorar pessoas do mesmo sexo (Vejam foto exemplo abaixo).

http://cabecajovem.com/?p=1302

Até quando nós famílias, pessoas trabalhadoras com direitos e obrigações, padrões éticos e culturais, vivendo dentro dos bons costumes, ocupados com nossas vidas e dos nossos parentes próximos, sem tempo para reivindicar nossos direitos, deixaremos minorias radicais ditar novas regras padrões? Deixaremos também esta minoria ensinar nossos filhos? Vamos deixar que façam o que quiserem com nossas vidas e nosso país?

Este é um dos exemplos, de como coisas deste tipo são defendidas e aprovadas em função de pequenos grupos que tem voz ativa, pois na grande maioria por falta do que fazerem, ficam o dia inteiro a margem da sociedade trabalhando para modificar nossas vidas.

Outro exemplo é de um pequeno grupo que se dizem pertencer aos direitos humanos, que defendem o direito de bandidos, contraventores, estupradores (inclusive defendem os que praticam violência contra os homossexuais) enquanto nós cidadãos de bem que sofremos violências de todos os tipos somos privados o tempo todo dos direitos básicos, somos desrespeitados quanto à segurança, moradia, educação, saúde, etc. Quanto a isto não aparece nenhum radical para nos defender, e dar uma verdadeira ocupação para nossos queridos e ocupadíssimos congressistas e membros do nosso governo.

Ainda também poderemos citar os radicais ambientalistas que no Brasil, improvisam leis sem critérios técnicos, e se fossem aplicadas corretamente, hoje não teríamos alimentos em nossa mesa. Pois como disse, estes radicais sem conhecimento técnico aprovarão leis que não podem nem ser aplicadas e criaram um grande conflito e medo no setor agrário. Com facilidade aprovaram a nova cartilha mas não conseguem aprovar o novo código florestal que veio para corrigir os seus próprios erros.

Deixo bem claro que sou contra a homofobia . Gostaria que criassem leis mais rígidas e que punissem os praticarem deste ou qualquer outro tipo de crime, mas deixem nossas crianças fora disto.

Agora, como um pai preocupado eu peço a todos que receberem e lerem este e-mail:

Não vamos deixar estes radicais acabarem com nossas vidas e de nossos filhos.

Repasse este e-mail a toda sua lista e no dia 05/06 (Cinco de junho) vamos desligar durante 30 (trinta) minutos às 14:00hs o relógio de energia de nossas residências em sinal de protesto silencioso contra tudo isto mostrando e que não concordamos, e se preciso for vamos marcar uma data para colocarmos novamente tinta em nossa cara e vamos as ruas.


Sendo real ou não, esse e-mail despertou minha vontade de responder a tudo isso. É pouco, mas assim espero estar contribuindo com uma pequena parte na mudança (inevitável) do mundo para um lugar mais humano. A pressão em cima disso está forte. A questão, pra mim, é só quanto tempo isso vai levar pra acontecer, pois acontecer tenho certeza que vai. De qualquer maneira, me senti compelido a responder, vamos lá:

Boa noite.

Não sei como conseguiu meu e-mail, mas devo informar-lhe que você está enviando esse e-mail para um gay. Sou homossexual e não pretendo influenciar ninguém a ser gay. Assim como não acho que a sociedade deva influenciar as crianças a ser hétero. Porque eu sofri essa influência. E sei o quanto dói até você entender o que acontece com você e que isso é normal. Sim, "pai preocupado" sem nome, isso é normal, ninguém escolhe nascer gay numa sociedade preconceituosa. Então devo discordar do seu e-mail quando diz "será que a consequência vai ser a esperada pelo governo ou isto é uma propaganda de que é moda e normal namorar pessoas do mesmo sexo" e te responder que sim, é normal. Querendo ou não. A ciência já mostra que isso vem de identidade genética. Então assim como ser loiro não é anormal perante ser moreno, ser heterossexual não é anormal perante ser homossexual, e vice-versa.

Esse kit não é um "kit gay", como diz o título do seu e-mail. É um kit que faz parte de um projeto de combate à homofobia. É um kit que ajudará a sociedade no futuro (as crianças de hoje) a entender o quão errado é um ataque a homossexuais com lâmpadas somente pelo fato deles serem homossexuais. O kit tem a intenção de trazer uma maior conscientização à população de que a diversidade é parte da raça humana.

Não faço parte de nenhum movimento gay, nem nunca fui de levantar bandeira, pois assim como você não anda com um adesivo na testa dizendo "Eu sou hétero", acredito que eu não tenha que andar com um "Eu sou gay". Mas diante desses ataques homofóbicos absurdos e declarações mais absurdas e estapafúrdias ainda, como a do deputado Jair Bolsonaro, me sinto atacado, desmerecido como cidadão e perplexo de ver o preconceito tão forte e sólido em entidades que deveriam pregar o amor ao próximo, como religiões (sem nenhuma específica) e grupos de pais preocupados, como o do senhor.

Entendo a preocupação do senhor quanto à educação de seus filhos e admiro isso. Assim como admiro casais gays ou lésbicos que adotam crianças e tem as mesmas preocupações que o senhor tem em relação a seus filhos. Talvez até algumas preocupações a mais, como o preconceito que a criança sofrerá no cruel ambiente escolar por conta dos pais serem gays ou lésbicas. Tenha certeza que essa é uma preocupação desses casais e que eles com certeza gostariam de ter um mundo mais humano para os seus filhos, um mundo onde não interessa o que cada pessoa faz entre 4 paredes, não importa se ela tem desejos por homens ou mulheres. Nesse mundo ideal, o que deveria importar é o caráter da pessoa, seus valores e atitudes. Deveria importar o que a pessoa traz para o mundo. E garanto ao senhor que em qualquer 'grupo social' se encontram pessoas com bom e com mau caráter.

Falando nisso, devo discordar também de sua afirmação "na grande maioria por falta do que fazerem, ficam o dia inteiro a margem da sociedade trabalhando para modificar nossas vidas". Essa é uma visão que me assusta. Como já disse, eu sou gay. Trabalho no mesmo horário comercial que o senhor deve trabalhar. Sou graduado por uma universidade em São Paulo, moro sozinho e tenho curso e vivência no exterior, tudo pago somente com o meu esforço e por mim mesmo. Nunca recorri a ninguém para pagar as coisas pra mim. Tenho uma relação ótima com meus pais, amigos e familiares, que conheceram todos os meus namorados, mas mesmo assim, banquei tudo por conta própria. Tenho a minha vida, tenho "o que fazer", não fico o dia inteiro à margem da sociedade e muito menos fico trabalhando para modificar a sua vida. A não ser que você considere que quem trabalha honestamente contribui para modificar o andamento do país e por consequência de seus cidadãos, o senhor incluso. Então peço que o senhor tenha cuidado ao falar dessa maneira de "minorias", que não são tão minorias assim. Por menos que o senhor acredite, a população homossexual/bissexual é muito maior do que o senhor imagina. Só que muitos nunca se assumem, pois a sociedade está cheia de gente que, de graça, ataca homossexuais, seja com agressões físicas como as que ocorreram em São Paulo, seja com agressões verbais, como as declarações descabidas do deputado Bolsonaro.

Não sei se o senhor já teve a oportunidade de conhecer outros lugares fora do Brasil. Eu morei em Londres, uma das cidades mais visitadas e com maior relevância economicamente e politicamente no mundo. Não morei lá por causa disso, mas esse fato ilustra o que quero dizer. Cidades como essa, que tem um nível de desenvolvimento político e econômico avançado tem uma postura perante a assuntos sociais que fazem que com que a postura do meu amado Brasil seja retrógrada em muitos pontos. Não concordo com a premissa de que "o que é de fora é melhor do que o da gente, no Brasil". Pelo contrário, morando fora sei tudo de bom que esse país nos oferece. Mas infelizmente, em alguns pontos, principalmente de relacionamento humano, os europeus, considerados tão frios, são muito mais humanos e tem uma consciência muito mais respeitosa em relação ao "outro" do que nós, que somos tão conhecidos por ser um povo receptivo. Essas constradições me incomodam bastante e acredito fortemente que se esse tipo de consciência atingisse nossa população, teríamos um grande desenvolvimento não só social, mas político e econômico também. Tenha certeza que turistas se assustarão com a mentalidade muitas vezes medieval dos brasileiros, quando visitarem o país nos eventos esportivos de 2014 e 2016.

Como disse, como gay não quero levantar bandeira. Assim como acho que como hétero o senhor também não deva fazer isso.
Mas se como cidadão o senhor levanta uma preocupação sua, como cidadão levanto uma minha.
Dialogando, acredito que um dia possamos chegar num nível aceitável de respeito no Brasil. E é essa minha tentativa aqui.

Sou somente um cara pretendendo ser feliz, rotulado gay e fazendo valer seu direito de cidadão de ser respeitado.

Obrigado.

Rafael Leick

Caso eu receba um retorno desse e-mail, atualizarei o post. Espero que essa conversa não acabe por aqui. Sinta-se livre para usar o espaço de comentários nessa postagem para dar continuidade à discussão do assunto.

20 de julho de 2010

Here and There (Aqui e Lá)

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Do you know what happens? Neither do I! The mind at these times is a whirl and sends disordered signals to the heart to beat faster, to the sleep to remain absent, to the basic functions of the body to be disarranged, to the lips to start to be bitten on the inside and the nails to become smaller and irregular.

The body tires, not the mind. Many things arrive at the magnetic field of this powerful tool that changes the course of the things and makes it so tattered that I can look the backlog that I continuously do and redo and notice I didn’t leave the place. Place, moreover, is the problem… and solution at the same time. It’s that time when the Libran scale flips out.

There is where I always felt confident, sometimes overconfident, owner of myself. My job wasn't the dream's, but I strove to do it the best. From this, came good results and compliments. There is a space where I had domination of my territory, and I always fight intensely for it. There is the place where my friends were always ready to have fun together and also to have hour-long conversations filled with advice and outflowings, or about the banalities of public transport or that TV show.

There is where life is easier, where I’ve all the elements that protect me, care about me, look out for me, surround me.

Here, on the other hand, is where the things happen. I don’t talk just about the hype of the new gadget or about the concert of the moment; here the things happen when you’re ill, need to move around the city or even make the supermarket purchases of the month. They happen on a daily basis. Here life is more difficult, more challenging and also makes a fantastic and dynamic place, that consequently moves you along with the river current.

Here, nobody cares if you go out on the street in flip-flops, floral shirt, top hat and filibeg. Maybe they think I’m eccentric, but they’ll hardly lose more than 5 seconds of their busy lives with me. Here they don’t care if I’m young or old, man or woman, gay or straight, Brazilian or Polish. Here you have to show it belongs, without carrying the prerequisite social tags and labels that the majority don't put on you. Here is a multicultural cauldron with buzzing differences around common interests, that makes more viable the acceptance of the other, who doesn't have, in general, a routine very different from yours. Even though he earns your triple, he knows that the easiest way to reach his workplace is by tube. There it is also known, but is better to cover the eyes, give a smile and move on.

There they smile a lot, here not so much. There they also fake a smile a lot, here not so much. There they’ve sympathy, here respect. There they’ve hypocrisy, here a possible loneliness. There they’ve the idea that what comes from here is the best. Here the domestic product is valued and yet the outer one, respected. There, the idea is to multiply, here is to share. There you do have the best treatment in the world, here you’ve the world on your treatment.

There and here are opposites. And twins. There are differences that weight and search for a balance inside the ones who pass between both locations. This is what happens with me and brings me the whirl.

Here the glass windows on the offices let everybody follow other’s routine. But, to be honest, nobody cares that much about the work routine of a stranger. Strange one that consequently has exposed his life, but has at the same time more freedom than he would have there. And he hides himself more efficiently that he could there.

The people from there that are here brings a bit of the taste of home, but this reminds me too that they have a knack for everything and always, it can disturb these good memories and remember that being wherever they are, have in their nature the trial to take advantage of everything, even if it means cheating on the person that lives with them. And this is sad, here or there.

On the other hand, the people there have natural swing, that the people from here try hard to imitate and can’t do at first, sounds artificial. The people there have this swing also regarding music, this music that is often less logical and technical than here, but that is contaminated here, that just repeats meaningless phrases they listen, as well as there’s ones repeats, most idolised, the songs from here, returning to the paradox value and respect.

But both here and there some similarities take shape in light of the passage of time. The bath, for example, anywhere, is my deepest, more intense, logical and practical thinking. It’s a pity I can’t verbalise as well as thinking in the bath.

Either there or here, bureaucracy, high taxes and corrup politicians exist. The difference is that here the results of the taxes are returned to the population, the bureaucracy serve as efficient register most of the time and corruption must be uncovered publicly in a satisfactory way.

There, the appearance counts a lot. Beyond the physical and personal, the house must be beautiful and imposing so that the others will have a good impression of your job, which must bring status, even if only in the nomenclature of the post that carries the badge. The clothes have to be stunning, even if they’re uncomfortable.

Here the functionality of the things matters more, being simpler. The houses are virtually all the same, mainly externally they’re twins among them. The job must reward each one’s necessities, independent if its function is waiter, receptionist, manager, marketing researcher, representative or company’s owner. And knowing that, everybody respects the others, without looking down on them.

But now, there is here and here is there. Everything changed… again. But many things didn’t change. Others are completely different. The adaptation between the “here” and the “there” seems much more difficult now then when the direction was from here to there, even though it brought uncertainties (and maybe exactly because of that it seemed easier). Here’s family can’t and won’t understand how painful it was to leave there. There’s family can understand a part of it, to live a similar situation in the change of here and there. Only the family of transition, the one which walked here and there, the other piece of middle part, is the one who knows that beyond all of it, the plural, in terms, turn to be singular. But knows too that there’s a mark this process left on us and that will keep an eternal link.

Between singular and plural. Between here and there.

[From the original, in Portuguese: Aqui e Lá. Thanks to Louise Latham for the language correction!]

21 de junho de 2010

Aqui e Lá

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Sabe o que acontece? Nem eu! A cabeça nessas horas é turbilhão e manda sinais desordenados para o coração bater mais rápido, para o sono se manter mais ausente, para as funções básicas do organismo se desregularem, para os lábios começarem a ser mordidos por dentro e as unhas ficarem menores e irregulares. O corpo cansa, a mente não. Muita coisa chega ao campo magnético dessa ferramenta poderosa que altera o curso das coisas e a faz ficar tão estafada que eu posso olhar para aquela lista de coisas pendentes que eu continuamente faço e refaço e perceber que não saí do lugar. Lugar, aliás, é que está sendo o problema... e solução ao mesmo tempo. É a hora que a balança libriana entra em parafuso.

Lá é o lugar que sempre me senti seguro, às vezes muito seguro, dono de mim. Meu trabalho não era dos sonhos, mas eu me empenhava para fazer dele o melhor. Disso saíam bons resultados e elogios. Lá é um espaço onde eu tinha domínio do meu território, e sempre briguei intensamente por ele. Lá é o lugar onde os amigos estavam sempre prontos pra gente se divertir junto e também para conversas de horas cheias de conselhos e desabafos, ou ainda sobre as banalidades do transporte público ou daquele programa de TV. Lá é o lugar onde a vida é mais fácil, onde tenho todos os elementos que me protegem, me cuidam, me olham, me cercam.

Aqui, por outro lado, é o lugar onde as coisas acontecem. Não falo só da badalação do novo gadget ou do show do momento; aqui as coisas acontecem quando você fica doente, precisa se locomover ou mesmo fazer as compras do mês. Acontecem no dia-a-dia. Aqui a vida é mais difícil, mais desafiadora e isso também faz daqui um lugar fantástico e dinâmico, que conseqüentemente te move junto com a correnteza do rio.

Aqui ninguém liga se eu sair na rua de chinelo, camisa floral, cartola e saia escocesa. Talvez me achem excêntrico, mas dificilmente perderão mais de 5 segundos de suas vidas ocupadas comigo. Aqui não ligam se eu sou novo ou velho, homem ou mulher, gay ou hétero, brasileiro ou polonês. Aqui você tem que mostrar a que veio, sem carregar como pré-requisito as etiquetas e rótulos sociais que a maioria não faz questão nenhuma de te colocar. Aqui é um caldeirão multicultural que fervilha diferenças em torno de interesses comuns, o que torna mais viável a aceitação do outro, que não tem, num geral, uma rotina muito diferente da sua. Mesmo que ganhe o triplo, ele sabe que o jeito mais fácil de chegar ao trabalho é de metrô. Lá também se sabe, mas é melhor cobrir os olhos, dar um sorriso e seguir em frente.

Lá se sorri muito, aqui não tanto. Lá também se sorri muito de mentira, aqui não tanto. Lá se tem simpatia, aqui se tem respeito. Lá rola hipocrisia, aqui uma possível solidão. Lá se tem a idéia de que o que sai daqui é o melhor. Aqui o produto interno é valorizado e ainda assim o externo, respeitado. Lá a idéia é multiplicar, aqui dividir. Lá você tem o melhor atendimento do mundo, aqui o mundo no seu atendimento.

Lá e aqui são opostos. E gêmeos. Tem diferenças que pesam e procuram o equilíbrio dentro de quem transita entre as duas localidades. É o que acontece comigo. É o que me traz o turbilhão.
Aqui as janelas de vidro nos escritórios deixam todo mundo acompanhar a rotina do outro. Mas, pra ser sincero, ninguém se importa tanto assim com a rotina trabalhista de um estranho. Estranho esse que por conseqüência tem a sua vida exposta, mas ao mesmo tempo mais liberdade do que teria por lá. E ele se esconde mais eficientemente do que seria se fosse lá.
O povo de lá que está aqui traz um pouco do gostinho bom de casa, mas me faz lembrar também que eles têm um “jeitinho” pra tudo e sempre, que pode atrapalhar essas memórias boas e lembrar que estando onde estiver, têm em sua natureza o “tentar levar vantagem em tudo”, mesmo que pra isso tenha que passar por cima ou trapacear o outro que mora com eles. E isso é triste, aqui ou lá.

Em contrapartida, o povo de lá tem ginga natural, que o povo daqui se esforça pra imitar e não consegue de primeira, soa artificial. O povo de lá também tem música com essa ginga, uma música muitas vezes menos lógica e técnica do que aqui, mas que contagia os de cá, que só repetem as frases sem sentido que ouvem, assim como o povo de lá repete, com mais idolatria, as músicas daqui, voltando ao paradoxo valor e respeito.

Mas tanto aqui como lá algumas similaridades tomam corpo à luz do passar do tempo. O banho, por exemplo, seja onde for, é o meu pensar mais profundo, intenso, lógico e prático. É uma pena que não consiga verbalizar tão bem quanto pensar no banho. Tanto lá como aqui há burocracia, impostos altos e políticos corruptos. A diferença é que aqui os resultados dos impostos são retornados para a população, a burocracia serve de registro eficiente na maioria das vezes e a corrupção deve ser retratada publicamente de maneira satisfatória.

Lá, a aparência conta muito. Além da física e pessoal, a casa deve ser bonita e imponente para que os outros tenham uma boa impressão do seu trabalho, que deve trazer status, nem que seja só na nomenclatura do cargo que se carrega no crachá. As roupas tem que nos deixam deslumbrantes, mesmo que sejam desconfortáveis. Aqui importa mais a funcionalidade das coisas, sendo elas, portanto, mais simples. As casas são praticamente todas iguais, principalmente externamente são gêmeas uma das outras. O trabalho tem que recompensar as necessidades de cada um, independente se sua função é garçom, recepcionista, gerente, pesquisador de marketing, representante ou dono da empresa. E todo mundo sabendo disso, respeita o outro, sem olhar de superioridade.

Mas agora lá é aqui e aqui é lá. Tudo mudou... de novo. Mas muita coisa não mudou. Outras são completamente diferentes. A adaptação entre o aqui e lá parece muito mais difícil agora do que quando a direção era daqui pra lá, mesmo que trouxesse incertezas (e talvez exatamente por isso parecesse mais fácil). A família daqui não consegue e não vai conseguir entender quão doloroso foi deixar lá. A família de lá consegue entender uma parte disso, por viver situação similar na troca do aqui e do lá. Só a família de trânsito, a que caminhou aqui e lá, a outra peça no meio termo, é que sabe que além de tudo isso, o plural vira, em termos, singular. Mas sabe também que há uma marca que esse processo deixou e que vai manter uma ligação eterna.

Entre singular e plural. Entre aqui e lá.

22 de dezembro de 2009

Inverno em Londres: a primeira neve

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Na última segunda-feira, dia 21 de dezembro, começou oficialmente o inverno no hemisfério norte e com ele a neve se intensificou aqui em Londres. É meu primeiro inverno aqui e estou passando bastante frio, mas isso é uma coisa que acostuma. Estou mesmo é curtindo as novidades, como a neve. É a primeira vez que vi neve na vida e isso me fez voltar um pouco a ser criança (e chegar a andar na rua quase pulando de alegria). Foi um momento mágico, por assim dizer.

Estou chegando perto de completar 3 meses em Londres e muita coisa gira na minha cabeça. Gira principalmente uma pressão interna, vinda de um Rafael que pontuou alguns objetivos e metas para esse projeto de vida. E com tanta coisa nova pra aprender, é muito fácil se desviar das propostas iniciais. É engraçado chegar aqui depois de mais de 2 anos de preparação e parecer que todo esse tempo passou muito rápido e que mesmo sendo longo ele não conseguiu (nem nunca ia conseguir) contemplar todos os pontos importantes de estar aqui.

Não sei se é o frio que contribui pra isso, mas às vezes parece que alguma coisa está faltando. A saudade da família e dos amigos existe, mas a Internet ameniza bastante esse processo; a comida brasileira não tem igual, mas ainda assim os improvisos culinários aqui estão melhores do que eu poderia esperar, pelo menos por enquanto; o meu último trabalho no Brasil, mesmo não sendo tão desafiador quanto eu esperava faz falta por me manter em contato com minha área, ativando sempre aquela parte do cérebro focada nisso, mas aqui tenho um trabalho, que me dá uma graninha pra ajudar nas contas. Mas acho que é isso que ainda falta, algo mais consistente e estimulante que mantenha minha mente ainda mais ativa pra conseguir aproveitar melhor o que essa oportunidade está me oferecendo.

Além do trabalho mais "braçal" aqui, estou fazendo um freela pra minha professora de inglês aqui, Louise Latham. Ela é cantora de folk/acoustic, acabou de lançar um CD por essas bandas e tem um trabalho que me impressionou e encantou (dê uma olhada no MySpace dela). Como ela lançou o CD de forma independente, a empresa responsável pela divulgação cuida mais da parte de negócios e a divulgação propriamente dita (principalmente na Internet) fica por conta dela e de acordo com ela é aí que eu entro. Esse projeto de assessoria pra ela está me dando muito prazer, porque além de eu treinar meu inglês instrumental, acabo entrando na publicidade dentro da área musical, que sempre foi um dos meus objetivos profissionais. E fico feliz que ela (que se auto denomina uma ignorante em informática) está ficando empolgada com as coisas que estou ensinando pra ela nesses nossos encontros.

Mas esse projeto não é o que vai pagar as minhas contas aqui. Acho que isso é o que está tirando meu sono (não literalmente) nos últimos tempos. A empresa pra qual estou trabalhando não é o tipo de empresa, digamos, leal aos funcionários. É o tipo de empresa que tira você da agenda de um evento mas te diz que o evento foi cancelado por "venda de ingressos pobre" e quando você tem o simples impulso de entrar no site do local onde seria realizado, vê que o evento ainda está de pé e é um dos principais da semana. Esse não é o tipo de gente que gosto de trabalhar, de gente com problema com a verdade já bastam alguns exemplos dos últimos trampos. Quero é continuar trabalhando com gente do bem, como sempre tive a sorte de conhecer pelas empresas que passei (salve André, Vander, Lívia, Marquito, Elaine).

Talvez essa seja a pulga atrás da minha orelha. E esse fim de ano é a data que estipulei pra despejar ela de lá. Que um banho de sal grosso nessa virada de ano sirva pra tirar a pela morta da minha vida e trazer os louros que estão esperando por mim para serem colhidos.

Tenham um feliz Natal Branco e que 2010 seja um ano mais do que especial pra quem procura sempre fazer o bem, mesmo que olhando a quem.

5 de novembro de 2009

Londres em 30 dias

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O blog anda meio abandonado, mas é por conta dessa atribulada nova vida. Pra quem não sabe, estou fazendo um intercâmbio em Londres, Inglaterra, pra aprimorar meu inglês. E essa nova vida exige muita dedicação, pelo menos inicialmente.

Nesse primeiro mês na cidade tive que resolver coisas relacionadas a moradia, alimentação, banco, documentos, regularização no país, registros, aulas, além de manter família e amigos atualizados (e matar a saudade, claro).

É um processo de aprendizado e crescimento muito intenso. Às vezes você se sente tão pressionado pra resolver as coisas na hora e de um jeito que não é fácil que só falta ouvir o Faustão berrando "se vira nos 30". É, bizarro! Mas é ótimo e nisso, vou reunindo histórias pra contar. Aqui, por exemplo, tudo se come "eat in or take away", mas no início, até entender que isso era simplesmente o "vai comer aqui ou é pra viagem, bonitão" e porque isso influenciava no preço, passei por momentos memoráveis e cômicos.

Já senti um pouco do jeito frio que dizem que os ingleses tratam as pessoas, mas posso também dizer, que foram poucos os casos, isolados. Num geral, as pessoas são bem atenciosas. Se você está num supermercado na seção A e pergunta para uma pessoa que trabalha lá onde você pode encontrar papel alumínio, ele acompanha você até a seção Z, te mostra que é ali e pergunta se você precisa de mais alguma coisa. Sim, no mercado eles são mega prestativos (diferente dos bancos... ai ai ai)!

Mas aqui tem muita coisa boa pra se apreciar também. Tanto visualmente quanto socialmente. É engraçado, eles confiam tanto em você que te desperta ainda mais a vontade de ser sincero e o pensamento "poxa, porque tenho a sensação que em São Paulo o pessoal nunca conseguiria se adaptar com isso?". Mas no meio de tudo isso, coisa bonita de se ver. E a câmera que comprei antes de vir pra cá me atiçou o lado que ama fotografia...

Virei fotógrafo...


Fonte no Hyde Park


Monumento à Princesa Diana, Hyde Park


A maior roda-gigante do mundo, London Eye, vista da Victoria Street


A Clock Tower (Big Ben) visto do Palácio de Buckingham


Monumento à Rainha Victoria, em frente ao Palácio de Buckingham


Rapaz desenhando a St. Paul's Cathedral


O movimento na Millenium Bridge


Placas turísticas e o Big Ben


Dois marcos de Londres: Big Ben e a placa do metrô (Underground)


Houses of Parliament à noite



... e modelo...


Serpentine Lake, no Hyde Park


Com a isca para atrair os esquilos


E depois de alguns dias ele veio


Placa no Hyde Park


Fonte na frente do Palácio de Buckingham


Tomando chuva com um guarda-chuva "cogumelo" na Millenium Bridge


Eu e o Dobby, da série Harry Potter, na loja de brinquedos Hamley's


Clock Tower, o famoso Big Ben


Tower Bridge, o primeiro ponto turístico que conheci aqui


Achou que as cabines telefônicas daqui eram mais pudicas que as do Brasil?


Metrô fora do horário de rush


Fica a saudade do Brasil, da família, dos amigos, dos paulistanos, da cidade. Mas também tem a curiosidade e vontade de conhecer essas coisas novas. Os novos colegas, os londrinos, a cidade... Assim, a balança libriana fica sempre equilibrada. Mas é bom quando a gente consegue unir os dois, como aconteceu no último fim-de-semana, que revi minha amiga/afilhada Monka, a Regi e conheci a Taís. Foi uma delícia passar um tempo (mesmo que curto) com elas.


Piccadilly Circus


O que é interessante também é poder conhecer lugares que só vi por foto, ou ouvi falar. É uma sensação estranha quando você chega no lugar. Foi mais tocante ver esse memorial ao brasileiro Jean Charles, morto pela polícia britânica em 2005, do que ler as histórias na imprensa brasileira ou assistir ao filme de Henrique Goldmann. É um memorial simples, mas erguido pela família e amigos do Jean e com frases, reportagens e momentos que realmente te fazem sentir brasileiro e inconformado.


Memorial erguido pela família e amigos a Jean Charles, morto em 2005


É! E isso é só o começo... Ainda tem muito mais coisa pra viver por aqui.

27 de outubro de 2009

Do London Times: "A Well-Planned Retirement"

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Mais uma recebida por e-mail...

From The London Times: A Well-Planned Retirement



Ao lado do Jardim Zoológico da cidade de Bristol, Inglaterra, existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 ônibus.

Por 25 anos, a cobrança do estacionamento era efetuada por um muito simpático atendente. As taxas eram o correspondente a US$ 1.40 para carros e US$ 7.00 para ônibus.

Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o atendente simplesmente não apareceu.

A administração do Zôo, então, ligou para a Prefeitura e solicitou que enviassem um outro atendente.

A Prefeitura fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zôo era da responsabilidade do próprio Zôo e não dela.

A administração do Zôo respondeu que o atendente era um empregado da Prefeitura.

A Prefeitura, por sua vez, respondeu que o atendente do estacionamento jamais esteve na sua folha de pagamento.

Enquanto isso, descansando em sua bela residência em algum lugar da costa da Espanha (do Brasil ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todo dia, coletando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em US$ 560 por dia... por 25 anos!

Presumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de US$ 7 milhões de dólares.

E ninguém sabe, nem mesmo seu nome!
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