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6 de maio de 2013

Efemeridade de raízes

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Ninguém passa desapercebido. Cada um tem um presente pra te entregar, ujm pedaço de entrega pra deixar com você. Nem todo presente nos agrada, mas ainda assim nos é importante em algo. Algumas contribuições são sorrisos, flores, alegrias. Outras, decepções, roupa de número menor ou maior ou cara emburrada. Na escolha, obviamente, a primeira leva de presentes é vencedora, soberana, rindo da segunda. Mas no fundo é a roupa de número errado que nos incomoda e nos faz lembrar de pontos que precisamos mudar em nós mesmos. Algumas vezes temos que nos esticar, algumas nos encolher. Em outras, o ajuste é na roupa. E até a decisão de jogar fora a tal roupa que nunca vai te servir mas deixou um apego emocional é difícil. E ensina.

Tudo passa muito rápido. Mas a intensidade e forma com que cada coisa acontece e cada pessoa passa por nós é que mostra as raízes que se instalam na nossa terra, querendo ou não. E uma variável complementa a outra. Não é porque algo foi intenso que teve a forma correta para criar raiz. O contrário também é válido. Essa combinação é poderosa e pode criar raízes tão fortes capazes de romper qualquer concreto colocado por cima delas. É aí que entra aquele primeiro fator: o tempo. Com ele, vivências sensacionais deixam de ter tanto brilho ou ganham ainda mais, cenas cotidianas e banais ganham força ou são simplesmente esquecidas com o passar das horas.

Bom é poder olhar pra trás e enxergar tudo com carinho e respeito, afinal essa é a vida que fez quem você é hoje. Ainda assim, a nostalgia deve ter o limite do seu eu atual. É ele que manda em tudo e diz o que serve e o que não presta.

Apesar de efêmero, pode enraizar. Apesar de enraizar, pode nunca florescer. E ainda assim a natureza é bonita e perfeita.

3 de abril de 2013

Depois da Trifurcação

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Idealização. Representação material de uma vontade pré-existente, de um desejo íntimo não elaborado pra essa personificação. Tomada de posse quase que repentina, sorrateira.

Difícil não querer. Encanto de predador sobre presa. Superfície estampa a realidade tão crua que as subcamadas ganham brilho, mistério e uma película protetora extra, camufladora, maquiada de oásis. O que se vê é o que se é.

Ser ou não ser? Essa não é mais a questão. Estar é sinônimo de ser num espectro temporal, não há diferença. Se estar-se é o tempo vivido, é ser-se. E torna-se o esperar que seja e o que poderia ser, quando tudo simplesmente é.

A metamorfose que dá vida à borboleta ainda acontece sobre a lagarta e a preserva, mas com asas mais bonitas, mais chamativas, mais atrativas. São as mais belas asas em uma mesma lagarta repulsiva. A beleza e encanto das asas, máscaras venezianas que dão vida e cor a olhos inocentes e prontos para o belo, mesmo que maliciosos o suficiente.

Ver o espetáculo conquista a pureza, que em sua sagacidade busca o belo por trás das cortinas, nos bastidores da mostra de estímulos. Os olhos buscam fundo, encontram a pequena luz do sorriso triste coberto de cerâmica e tinta ou do rastejo lamentoso que aguarda alçar voo. Mas nada desse encontro passa de futuro condicional ao alheio.

As pequenas chamas que podem nunca se acender. Se não acendem, são potências de energia que não se tornam fogo e calor. São chamas que não são. Se estão rastejo, assim o são, sem vida para sentir, sem asas para voar, com somente um mundo casulo para existir.

Ao longe, manter a máscara para curtir o carnaval por todo ano tira as borboletas do estômago para voarem desorientadas para novos jardins. Jardins de inverno que demoram a florescer.

Mas sempre chega a primavera.


16 de janeiro de 2013

Teu

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Teu tesão
Tua pele
Teu sorriso
Tua alegria
Teu olho
Teu beijo
Teu lábio
Teu abraço
Teu descanso
Teu peito
Teu fardo
Tua fala
Tua verdade
Teu verdade
Teu.

14 de dezembro de 2012

É difícil falar português pra ser ouvido

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Para um estrangeiro, a nossa língua mãe é um tanto complicada de se aprender. São inúmeras flexões verbais e composições de palavras que geram entonações completamente diferentes e isso é extremamente complicado para alguém que vem do inglês modular. Até nós, quando questionados por eles, temos certa dificuldade de explicar algumas coisas. Não é só "saudade" que tem uma explicação complexa. Aliás, é sobre nós mesmos que eu gostaria de falar.

Para nós, brasileiros, o português é quase um tabu. Se escrevemos uma mensagem como manda a ortografia e gramática, somos muito formais ou certinhos demais. Se usamos nosso idioma para expressar aqueles sentimentos um pouco mais íntimos ou reflexões da alma, é inevitável o medo do julgamento. E isso nós levamos a sério! Não é uma simples invasão norte-americana/inglesa em terras tupiniquins. São índios tentando se comunicar com quem não é índio. Nossas tribos nunca estão boas o suficiente. Passando batido pelo nacionalismo, meu foco é mais em como o português é usado, principalmente em redes sociais, para se expressar. Pouca gente vai assumir publicamente para seus "amigos" da Internet "estou me sentindo sozinho, sentindo falta de alguém especial ao meu lado". Mas quantas vezes você já não se deparou com frases como "feeling alone, miss someone by my side"? E não é que é a mesmíssima coisa?

É muito mais "cool" falar "cool" do que "legal", que aliás, soa brega para alguns. E quanto mais indecifrável for seu enigma nas redes, mais importante você se torna, mais holofotes você angaria pra você mesmo. Se eu quisesse dizer que não sei como lidar com situações da minha vida e soubesse húngaro, eu mandaria um "Nem tudom, hogyan kell kezelni" que ia me dar muito mais status e proteção para não ser julgado tão facilmente. Somente os mais interessados na minha vida, iriam parar 5 minutos para "Googlar" o que escrevi e isso fazer sentido. E esses teriam o prêmio de me entender melhor. Mas me questiono porque fazemos essa escolha? E fazemos todos, sem exceção. Mesmo quando em português, a frase tem que ser de impacto. "Refletindo..." é um bom enigma para gerar dezenas de comentários e aplacar um pouco das dores que essas reflexões podem ter causado. E as pessoas farão a boa ação de nos ajudar sem nem mesmo saber qual é o nosso problema. Não é fantástico?

Talvez. Mas há sempre o outro lado de cada questão. Será que não estamos ficando cada vez mais superficiais e deixando de aproveitar as coisas boas que cada pessoa pode nos oferecer de verdade? Peneirar, via enigmas, os verdadeiros interessados na nossa vida (à nossa maneira, sempre) é mais enriquecedor do que uma conversa sobre amenidades e coisas profundas com alguém numa mesa de bar, num café ou mesmo numa visita àquele amigos que nunca mais visitamos porque não temos tempo para muita coisa além de todos os nossos afazeres diários e o tempo despendido atualizando os amigos virtuais com coisas tão interessantes e importantes na nossa vida, quanto uma reclamação sobre o calor que tem feito ou o trânsito infernal que se enfrenta em São Paulo? Não acredito muito nisso.

Quando nosso perfil é um pouco mais observador, começamos a notar em pouco tempo de convivência, as pessoas que valem a pena ter um pouco mais de profundidade nas relações. E se formos espertos, saberemos como nos aproveitar disso para o bem de ambos. E profundidade pode vir dos mais diversos tipos de relação: amigos, colegas de trabalho, amores, rolos e affairs, família e até o porteiro do prédio. Tudo depende de quanto estamos dispostos a nos doar pro mundo. Dar a cara a tapa falando o português claramente não é fácil, mas é muito, muito mais gostoso do que se esconder atrás de pseudo-escudos. A liberdade se busca assim. Ser independente não significa que não podemos criar na gente certa dependência dos outros, mas sim que sabemos gerenciar essa dependência. Fácil não é, mas o caminho das pedras ensina a cada dia.

O medo de sofrer nos faz seguir por regras racionalmente estabelecidas. Seguindo-as, nos preservamos e não sofreremos no futuro. Pode até ser verdade, mas o presente deixa de ser vivido com a intensidade que poderia ter sido. Fui há pouco apresentado a uma música (em português) que diz: "quem vive de princípios, não tem meios nem fins / eu quebro as minhas leis pois só assim elas pertencem a mim". E esses versos têm muito a ver com o significado de um símbolo africano chamado Sesa Wo Suban. Traduzindo para o nosso português, ele ganha força se lido com cautela: "eu transformo a minha vida, minha personalidade". Ora, se o poder de transformação da nossa vida está somente em nossas mãos, porque temos tanto medo de expor algumas dores e medos?

É porque é difícil. É muito difícil falar português para ser ouvido.

5 de novembro de 2012

Um olhar sobre o amor e o feeling

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Achei em uns e-mails não lidos, um da minha irmã que tinha no assunto: "Bonito". Depois de ler, também achei bonito. E, mais do que isso, achei inteligente. É uma inteligência natural, que fica clara no final do texto.

"Se me pedissem para responder em poucas palavras por que tem tanta gente interessante sozinha e infeliz por aí, eu não iria hesitar muito em responder: porque eles não querem estar sozinhos, mas não sabem estar juntos. Porque, na primeira oportunidade, tem muita gente que se agarra desesperadamente à chance de encontrar o amor da sua vida, mas não está nem um pouco interessado em construir uma relação de verdade com o príncipe encantado, quer ver logo a coroa de princesa e as declarações apaixonadas do lado de um cavalo branco.


E quem procura até acha, mas acaba se contentado com o primeiro que encontra. Ninguém mais está preocupado em se dedicar à pessoa certa, mesmo que ela seja apenas uma das dezenas que estão por aí no mundo e que combinariam muito com seus planos na vida. Na esperança de achar uma alma gêmea que nem sempre existe, se desesperam e vão com muita sede a um pote vazio, que deveria ser completado não com suas expectativas inalcançáveis sobre relacionamento, mas o que ela tem a oferecer a quem diz que ama.


Outro dia li em um comentário por aí dizendo que o problema é sempre quando alguém tenta fazer outro feliz. Que ninguém tem a obrigação de fazer uma pessoa feliz que não seja ele mesmo. Fiquei bastante escandalizada. Quem disse que é uma obrigação? A palavra relacionamento acabou substituindo a palavra amor e tudo virou uma ciência, repleta de estatísticas, jeitos de se fazer. Homens preferem isso e aquilo na cama. Mulheres são mais assim e assado, mas também não dispensam um pau com mais do que tantos centímetros, diz pesquisa.


Tem coisa melhor nessa vida do que saber que o outro está precisando de um colo e fazer de tudo para ser esse ombro amigo? Tem coisa melhor do que ser melhor amigo de quem se ama? Tem coisa melhor do que só parar de se divertir com os errados quando realmente achar o certo? Muito se diz sobre relacionamentos que acabam por que virou só amizade, mas pouco sobre os que acabam porque nunca foram. Intimidade, cumplicidade, não se paga com nenhum tipo de falsa liberdade. Não se engane, experiência nenhuma que vale a pena vai manter você nos seus eixos. E é preciso estar preparado para que sua vida seja chacoalhada de um jeito que você, se tudo der certo, não vai nem querer controlar. Paixão é assim. Amor continua sendo assim, você vai se entregando à vida, vai se entregando a quem ama, vai deixando de pensar só em si.


Se você quiser que o seu namoro/casamento/relacionamento – que o seu amor – dure, que ele marque sua vida de um jeito que vai ser difícil viver depois sem estar rodeado, repleto de uma felicidade absurda, se você quer realmente experimentar um amor de alma, um amor de olhar no fundo dos olhos e entender em dois segundos quem é o outro, do que ele precisa para ser feliz – e que ele faça o mesmo por você -, vai ter que abrir mão da postura individualista de querer tudo e não dar nada.


De uns tempos para cá, comecei a me sentir a mulher mais feliz do mundo por nunca ter tido um desses relacionamentos de estatística, planejado, pensado, calculado para não dar intimidade demais nem resultar em liberdade de menos. Eu só amei, amei, amei, amei muito. Sem ficar podando arestas e vivendo com medo de como as coisas vão se sair. Porque bom mesmo é acordar todos os dias, olhar pro lado e não acreditar em quanta felicidade o destino te reservou. Não por uma noite, nem por seis meses, mas por anos e anos. Infelizmente, isso é muito raro. E não porque é impossível, como os mais desiludidos acreditam às vezes. Mas porque tem muita gente querendo amor, e pouca gente sabendo o que é isso."


Esse texto é de autoria desconhecida pra mim. Se você for a autora, identifique-se! Darei os créditos com gosto. Ele reflete bem a minha visão do amor. O amor não é desesperado, é construção, é dia-a-dia, são os pequenos detalhes do cotidiano, as pedrinhas colocadas pouco a pouco. Isso é muito bonito de se dizer e parece muito fácil, mas não vamos nos iludir. Vamos pensar de modo realista? São os pequenos desafios que o casal vence juntos que vão construindo uma terceira personalidade, mas mantendo as duas anteriores. E isso é o que dá tesão de amar.

É engraçado como hoje as pessoas não criam tempo. Ontem estava discutindo sobre isso em relação a amizades, durante um almoço no trabalho. Antigamente, as pessoas disponibilizavam tempo pros amigos. Hoje, o tempo que se tem é o login no Facebook. Ninguém visita mais, poucos saem juntos pra uma conversa mais longa do que um check-in no Foursquare porque lá vai mostrar que esteve com você. Poucos discorrem sobre filosofias, religião, humanidade e assuntos mais profundos que o final da novela. Não me entendam mal. Eu adorei imaginar finais alternativos pra Carminha e Nina, mas ao mesmo tempo que sou totalmente tecnológico, antenado, amante de pop (cinema, música, arte, cultura), também sou muito analógico. Gosto de uma conversa olho no olho, abraço, carinho entre pessoas queridas (família, amigos, etc.), toque, cheiro, e por aí vai.

Não sei se isso foi resultado da explosão das redes sociais ou do não preparo das pessoas pra recebê-las. Essas mídias são fantásticas tanto pra manter contato cotidiano com pessoas que você nunca teria oportunidade de ficar "tão próximo" se não fosse a Internet como para conhecer gente nova. E sou super adepto a elas. Mas eu acho que elas acabam vazias se não servirem de ponte e sim como fim. O gostoso é usá-las pra marcar um reecontro com os colegas de colégio, por exemplo, mas ir ao encontro, ver as pessoas, rir com elas, falar bastante besteira e esquecer da vida por alguns momentos é mais legal ainda.

E tenho a impressão de que o processo das relações não importa mais. Para o amor, é tão gratificante quando depois de anos, você olha pra trás e vê a evolução, a construção conjunta. É um orgulho que ninguém tira dos dois, independentemente do futuro. E você se sente completo com essas sensações.
Ninguém ama de um dia pro outro. Não funciona assim tão rápido. A gente se apaixona sim. Mas a paixão ela é mais singular e meteórica. Geralmente nos apaixonamos pelo sorriso, pelo jeito, pela química na cama. E é uma delícia curtir a paixão. Mas ela passa. E se o processo não estiver sendo cultivado, sobra o que?

Concordo com a autora quando ela diz que as relações não são tão regradas. Se eu tive um jantar ou uma noite agradável e tenho vontade de ligar ou dar sinal de vida no dia seguinte, porque deveria me privar? "Pra não assustar o outro", muitos responderiam. Eu sou assim, quero ser espontâneo. E se a pessoa gostar disso, ótimo! Se se assustar, paciência, mas não é pra durar mesmo. É tudo simples, mas a gente complica. Se você desrespeita a "regra dos 3 dias" pode arruinar o relacionamento... Sério? Sou retrô e antiquado pra isso. Me sinto feliz de ver como conquista coisas como conhecer os pais de quem você ama. E aquela primeira festa em família? O frio na barriga de apresentar pra todo mundo como "meu namorado". A primeira noite que você dorme na casa dele e ele na sua. Acordar mais cedo que ele e ficar olhando ele dormindo. São coisas tão banais e desvalorizadas hoje que desanima um pouco. Mas sei que existem outros velhos como eu, que amam tecnologia, mas também se veriam felizes se tivessem nascido nos anos 20.

Sou retrô, mas não careta. Muita gente quer só uma curtição carnal. Não é errado isso, mas não adianta procurar romance no sexo casual nem sexo casual no romance, certo? O "feeling", tão pouco usado ultimamente, ajuda bastante a definir os caminhos que você deve tomar.
Seja feliz.
Use-o.
Apaixone-se.
Curta o processo.
Ame.
Seja feliz.

[ATUALIZAÇÃO] Graças à minha querida amiga Gabi, descobri que a autora do texto é a Vana Medeiros e o texto foi originalmente publicado aqui ó: http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/09/25/porque-nao-se-diz-eu-te-amo-para-qualquer-um/

30 de dezembro de 2011

O palhaço que desaprendeu a chorar

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Tanto tempo sem, tanta coisa para, tanto espaço sem.
Falta, sempre falta.

Longo tempo e o ser continuava, tempo efêmero, essência maquiada. Era hora de olhar forçadamente para dentro de si, de reparar nos mínimos seus. O passado ensinava e nem sempre o aprendizado era tranquilo e pacífico. A dor mostrara verdades nunca antes notadas. Mas ainda assim era dor. E ela doía.

Pensamentos truncados de sinapses infrutíferas, circuitos abertos de uma vida socialmente apática e superficial.

Do picadeiro, o palhaço procurava nos vultos um par de luminosos. Nada enxergava, nem a si. Tudo refratado, vultos enviavam simulações enquanto absorviam cada movimento do olho maquiado. O olho suplicante que nada via e cercava. Maquiagem de pretexto ineficaz, por ela passar tudo é capaz. E o palhaço deixou de ver, procurando no escuro por si só. As lágrimas tornaram-se tinta seca no show que não pode parar.

Ele desaprendeu a chorar.

8 de junho de 2011

Epopéia urbana

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Hoje eu acordei e pensei: 'vou fazer algo diferente, vou sair no horário do trabalho'. Me fodi!
A luz piscou e fez meu computador desligar 3 vezes durante o dia. Primeiro sinal.
Deixei meu óculos bom pra arrumar a lente. Usei o reserva. Não enxergo bem nele e me deu dor de cabeça. Segundo sinal.
Pouco antes da hora de ir embora, começou a cair o mundo em chuva. Terceiro sinal.
Eu, feliz e contente, dei uma de Rei Leão e disse: 'eu rio na cara do perigo, vou embora no horário'. Período pré-clímax.
Saquei meu guarda-chuva surrado e capenga da mochila pra enfrentar a leve garoa. Música de suspense.
18h15 foi a hora que cheguei no ponto. Clímax. O céu despenca em água, vira meu surrado guarda-chuva do avesso, e nada do ônibus. Tensão.
O vento fica bem forte, as mulheres gritam no ponto, tábuas da enorme construção atingem um táxi logo em frente. Pânico.
As telhas do ponto que tinha o chão inundado balançam agourando os transeuntes. E 30min depois, nada do ônibus. Nervosismo.
As luzem se apagam na rua, raios no céu, abandono o surrado guarda-chuva e cubro a mochila com papéis importantes com o casaco. Ira.
50min depois um pedestre avisa que uma árvore não aguentou e impediu a passagem do nosso ônibus. Chuva continua.
O telefone tocando foi protegido dentro da mochila protegida pelo casaco. A ótica deixou de dar esperanças por passar a hora do fechamento.
10min de caminhada na chuva sem o surrado guarda-chuva, pego o primeiro ônibus cheio para pegar o segundo ônibus lotado que já esvaziou.
Sentado, se acalmando, tuitando uma história baseada em fatos reais. Tudo pra dizer: não vou pra academia e vou me entupir de chocolate. Fim.

Epílogo. Desço do ônibus um pinto molhado e com o óculos ruim. No mercado, compro uma torta congelada. Quase pego sacola rasgada de novo.
No hall do elevador solto um pum pra desestressar. Chegam mais 2 pessoas pra pegar elevador.
Já em casa, tiro a roupa molhada e de cueca corro pra fazer a torta antes do banho pra matar a fome. A torta demora 45min pra ficar pronta.
Dou graças a Deus por ter comprado um sanduíche Hot Pocket, que em 1min30seg tá pronto no microondas. Alívio.
Põe a torta no forno. Separa o ketchup, o prato, tira o sanduba do microondas. Ele é duro e ruim. Decepção.
Me preparo pra torta, chocolate, banho e roupa quente sentado no vaso tuitando. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. FIM

24 de maio de 2011

Namorar pra que?

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Namorar pra que?

Não, não sou contra o namoro, pelo contrário. É a favor dele que solto essa frase. Não entendeu nada? Beleza, vamos começar do começo.

Hoje, na hora do almoço ouvi a seguinte frase:

Ser fiel pra que, xuxu? Não vale a pena, ouve o que eu te falo.

Desculpa, mundo, mas não consigo concordar. Mundo? Aliás, esse me intriga nesse quesito. Cada vez mais eu conheço menos gente que nunca traiu. Gente que eu nunca imaginei, gente que eu achava que não seria capaz... pluft! Já foi. E sempre 'acabou acontecendo'.

Ok, todos temos instinto, vontades, mas não sei, não somos seres humanos? Não é isso que nos diferencia do resto dos animais? Pode ser conservadorismo, e acho que realmente é. Pode ser que um dia eu pague minha língua, mas que realmente não. Essas situações de 'sem querer' eu até consigo me exercitar um pouco pra compreender. Mas tem aquelas pessoas que namoram, querem o título e tem um saco de galhada em casa pra colocar na cabeça do seu respectivo/sua respectiva todo dia.

Isso me assusta um pouco, porque me sinto totalmente fora do mundo. Será que sou realmente otário de acreditar em fidelidade? Ou mais do que isso, em sinceridade, honestidade, lealdade? Não estou condenando quem namora em um esquema 'relacionamento aberto'. Esses continuam sendo sinceros, honestos e leais, pois se propuseram a isso. Mas não consigo aceitar de bom grado chifre colocado forçadamente na cabeça do outro. Eu já fui traído por quem um dia amei e sei o quanto é ruim. O quanto você se desaponta com a pessoa e isso pra mim é pior do que raiva. Decepção é foda, pois bota os teus valores em jogo também.

Mas quando olho pra trás, não me arrependo nem um pouco por não ter traído nas várias oportunidades que tive (e olha que eram 'oportunidades de ouro'). Minha consciência é limpa e sei que fiz o meu melhor pra minha relação, mesmo que a outra pessoa tenha sido suja o suficiente pra fazer isso.

E é engraçado, porque estou escrevendo isso e sei o tanto de gente que vai ler e pensar no quão exagerado estou sendo, ou se estou sendo hipócrita, ou que não conheço nada da vida, sei lá. Vejo a cara das pessoas lendo isso (se chegarem até o final do texto). Então nesse post nem espero comentários. Mas precisava botar isso pra fora.

Sou careta, não acho traição legal e tenho orgulho disso.
Você gostando ou não. Você me achando inocente e utópico demais ou não.

Aliás, tem muitos outros sentidos onde sou careta, mas não vem ao caso agora. E acho engraçado também que por ter e manter esses valores, algumas pessoas acham que eu não faço nada mais ousado. E quando conto algumas coisas que já fiz, rola uma puta hipocrisia na célebre "sério? 'cê tá zuando!".
Eu posso brincar e experimentar várias coisas, mas alguns valores são meio enraizados em mim e acho que nem que eu tentasse ficaria bem. Eu não gosto de traição, assim como não gosto de drogas. E você vê gente que condena os drogados, mas é usuário. Você vê quem condena os gays mas é enrustido. Vê quem preza pela 'família e bons costumes' e trai.
E ainda acham hipócrita a Sandy fazer campanha de cerveja sem beber. Porra!

Voltando ao foco do assunto, não acho errado quem paquera, por exemplo. Paquera é um jogo de gato e rato que faz bem pro ego e só. Mas aí que tá! Tem que ter culhão pra brecar quando a coisa avançar o limite. Lembra da frase? "Não sabe brincar não desce pro play". Paquerar no metrô, retribuir aquela encarada na rua, não tem problema na minha visão. Mas daí a marcar encontro às escondidas tem um grande espaço.

E se você quer putaria, porque não optar pelos 'sex friends' ou 'friends with benefits' (amigos com benefícios), como são chamados? Pra que botar os sentimentos dos outros em jogo?



Porque não escolher um caminho só no cruzamento acima?
Quer putaria? Namorar pra que?

19 de fevereiro de 2011

Heterofobia

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Recebi esse texto por e-mail e o achei muito inteligente. É curioso ver como as coisas ganham um outro prisma, uma outra cor só olhando pra elas por um ângulo diferente. Deixe seu comentário dizendo o que achou do texto.

"Preciso confessar: sofro de heterofobia. Não consigo achar normal duas pessoas de sexos diferentes se amarem. Minha religião não permite! Como pode um homem dar prazer a alguém com um corpo tão diferente do dele? Ele nem sabe que prazer uma mulher sente de verdade ao ser tocada e vice-versa. Como um hétero pode ter certeza de que é heterossexual se ele nunca ficou com um ser do mesmo sexo? A heterossexualidade, na verdade, é apenas uma fase, vai passar um dia, após a adolescência.

Seu filho é hétero? Coitado! Mas, não se preocupe, é apenas modismo, ele quer ser hétero só porque viu aquele casal hétero na novela, bobo. Aliás que pouca vergonha se tornou a televisão e o cinema?! Exibem cenas de sexo hétero a todo momento. Isso devia ser proibido, pois pode obrigar as crianças a se tornarem heterossexuais. Mas a bem da verdade os heterossexuais são seres promíscuos. P-R-O-M-Í-S-C-U-O-S! Não podem ver um rabo-de-saia que já estão gritando "gostosa", são pervertidos. Ou você já viu um grupo de pedreiros gays gritando "tesão" quando passa o vizinho sarado? E quando se reúnem vários héteros, então? É uma putaria sem fim. É só ter uma micareta, um festival de axé, que os héteros ficam se pegando feito animais no cio, e no dia seguinte a rua fica cheia de camisinhas usadas.

Isso sem falar na competência dos héteros. Por que uma empresa contrataria alguém tão conformado, sem criatividade e que vai dar em cima de todas as funcionárias, como um heterossexual? Não, não, héteros precisam de cartilhas a todo momento, para dizer o que é certo ou errado, não contrate-os. Fora isso, eles costumam sair à noite e ir a boates e ficam beijando na frente de pessoas que não estão acostumadas a ver isso, eles deviam se dividir em grupos, se afastar da sociedade e colocar na porta: "aviso: boate hétero".

Onde está a moral hétero, hein? Olha o número de adolescentes grávidas no Brasil! Héteros não amam, eles só pensam em sexo! Dispensa comentar acerca das doenças sexualmente transmissíveis, né? Héteros são lotados delas! Afinal não há mais grupos de risco e sim comportamentos de risco e quem sofre cada vez mais com a AIDS são as mulheres casadas. Héteros são um problema de saúde pública, não sei por que não tratam a heterossexualidade como doença (e ainda querem me impedir de falar heterossexualismo, que frescura!).

Héteros não tem condições de criar uma família. Os homens héteros pensam apenas em futebol e cerveja, largam as esposas em casa para irem aos estádios de futebol, ou para se reunirem com os amigos no bar da esquina. As mulheres héteros só querem saber de cuidar do cabelo, fazer compras e até esquecem os bebês no carro para ir ao shopping. Existem registros de casais héteros, que geraram seus filhos biologicamente, e foram capazes de atirá-los pela janela e até na lagoa. Onde está o futuro de uma criança com um hétero?

Na verdade pode ser falta de espiritualidade. Héteros devem ser pessoas afastadas de Deus, que não sabem seguir as regras do Senhor. O inferno tá cheio de héteros, queimando por suas vidas impuras. E Deus, O ser superior que ama a todos, jamais perdoaria alguém que ama um sexo diferente. Devemos alertá-los para deixarem de ser héteros, antes que seja tarde demais para voltarem a uma vida normal!

E o que é pior é saber que ser hétero é uma opção, uma escolha. Ou você não se lembra? Lembra sim, safado! Quando a criança faz 12 anos, os pais apresentam um menu e perguntam: "Meu filho, você agora precisa decidir se vai gostar de homem ou de mulher. Você prefere ter uma ereção ao ver a Britney Spears ou o Ricky Martin ou ambos?". É tudo escolha, nós exercemos total controle sobre nossos sentimentos e sexualidade desde o nascimento. Chega disso, chega de heterossexuais, de suportá-los infiltrados na sociedade! Se eu tiver um filho, eu quero que ele seja gay!"

- Ruleandson do Carmo

4 de fevereiro de 2011

Sua Excelência, a Senhora Presidenta Dilma

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Eu estava na dúvida sobre utilizar o termo 'presidente' ou 'presidenta', mas recebi um e-mail da Silvana e ela agora foi sanada! Salve, Sil! Salve a Língua Portuguesa!

Agora, o Diário Oficial da União adotou o vocábulo presidenta nos atos e despachos iniciais de Dilma Rousseff.

As feministas do governo gostam de presidenta e as conservadoras (maioria) preferem presidente, já adotado por jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.

Na verdade, a ordem partiu diretamente de Dilma: ela quer ser chamada de Presidenta. E ponto final.

Por oportuno, vou dar conhecimento a vocês de um texto sobre este assunto e que foi enviado pelo leitor Hélio Fontes, de Santa Catarina, intitulado 'Olha a "Vernácula"'!

Vejam:

No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.

Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante?

Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não ?presidenta?, independentemente do sexo que tenha.

Se diz capela ardente, e não capela 'ardenta'; se diz estudante, e não 'estudanta'; se diz adolescente, e não 'adolescenta'; se diz paciente, e não 'pacienta'.

Um bom exemplo seria:

'A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta.'


Ficou esclarecido, pelo menos. =)

27 de dezembro de 2010

Da gente que eu gosto

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Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não se tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. Gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.

Eu gosto de gente com capacidade para assumir as conseqüências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.

Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom animo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.

Eu gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. De gente que tem tato.

Gosto de gente que possui sentido de justiça.

A estes chamo de meus amigos.

Gosto de gente que sabe a importância da alegria e a pratica. De gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor. De gente que nunca deixa de ser animada. Gosto de gente que nos contagia com sua energia.

Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.

Me encanta gente de critério, que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo.

De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.

De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções.

Gosto de gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam.

De gente que não julga, nem deixa que outros julguem.

Gosta de gente que tem personalidade.

Me encanta gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.

A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranqüilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.

Com gente como essa, me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.


Mario Benedetti
1920-2009
(Poeta, escritor e ensaísta Uruguaio)

23 de novembro de 2010

Sincericídio

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Eu prefiro a verdade acima de tudo. Sempre! Mesmo que pra isso, eu tenha que cometer um sincericídio, nesse caso, matar algo pela sinceridade. Seja algo um sentimento, uma vontade, um desejo, uma relação, uma esperança... qualquer coisa.

Na minha visão, acima de tudo está o ser sincero. Mas concordo que falar a verdade mais profunda não é fácil. É por isso que procuro estar preparado para falá-la, preparado para aguentar a consequência que vem inevitavelmente, pro bem ou pro mal. Na hora de analisar como as pessoas encaram a sinceridade, a contagem dos pontos é modificada.

Dois casos que passaram pelos meus olhos nos últimos meses são opostos nesse tratamento.

O Caso A tinha uma relação pessoal muito forte com um outro alguém, era uma relação que gerava bons frutos, mas é uma relação que pouco depois do meio do caminho se contaminou. Uma ação sempre gera uma reação. Mas o Caso A teve a ação omitida, para evitar a reação. Omissão é falta de verdade, o que acaba, em alguns casos, se assemelhando à mentira. Um ano depois o tempo se encarregou (irônico e como sempre) de trazer a ação à tona, gerando como reação a quebra de toda essa relação previamente sólida. E quando a rachadura vem da sinceridade, da verdade, da essência, ela pode ser remendada, repensada, mas estará sempre lá presente. Um ano do caminho teria se baseado em uma falta de verdade, seguida de uma mentira direta e da falta de justificativas. Esse caminho, em essência pura, não existiu. Algo que se pensava sólido virou poeira e foi varrido pelo vento.

O Caso B tinha um ar mais efêmero. Começou de repente, inusitadamente, totalmente inesperadamente! Mas começou a cavar seu espaço. De cara, turbulências balançaram o avião antes dele se estabilizar, mas ainda assim, adaptação está sempre no nosso caminho. Dúvidas, receios e simplicidade foram aos poucos se diluindo. Quando as coisas pareciam caminhar pra um mar de rosas, veio o conceito, que não chegou nem ao ponto de ação, logo seguida do balde de água fria chamado sinceridade. Mas ainda assim, era um balde de água fria verdadeiro. E eu sempre penso que a verdade vem pro bem. A água gelada talvez tenha transformado essa névoa prévia em algo um pouco mais parecido com solidez.

Os casos apresentados acima tiveram pontos de partida e chegada bem diferentes. Enquanto um 'tudo' se desmoronou, um 'em processo' se tornou algo mais palpável para o futuro. De nada adianta pra mim todos os entornos sem a sinceridade, talvez um dia só reste ela, os entornos podem todos cair, mas a verdade vai estar sempre estampada aos olhos. E eu de fato considero isso. Nos dois casos, a relação citada (seja ela familiar, fraternal, amorosa, profissional... cada um tem a sua interpretação dos casos) teve o mesmo resultado final, mas o caminho traçado até ele demonstra pra mim a integridade dos indivíduos envolvidos em relação à sinceridade. E se há esse tipo de compromisso, porque outros não poderiam voltar a ser assumidos no futuro? Agora, se isso é algo que falta, um dos pilares de qualquer firmamento futuro está trincado.

Porque o ser humano tem tanta dificuldade em falar a verdade dos fatos? Disso tudo, um só dizer:
"Desculpa minha incapacidade, mas nesse caso, eu não consigo. Todavia, eu agradeço pela confiança, ela é mútua e não foi quebrada."

30 de agosto de 2010

Contando os paradoxos

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Recebi essa semana de um amigo esse texto que tem muito a ver com o que penso e faz parte de muitas das minhas recentes reflexões.

"Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado".


O texto, chamado "O Paradoxo do Nosso Tempo", de autoria de George Carlin, é um clichê que vale a pena ser lembrado.

23 de agosto de 2010

Personalidade do Tempo

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"A dor que fere o peito... Isso vai passar."

O Tempo, tão sábio e provocante. Não diria traiçoeiro, pois ele é muitas vezes até lógico, mas ele adora uma brincadeira, pregar peças que nos pegam tão de surpresa. E por mais que você se blinde contra alguns fatores específicos, o Tempo se encarrega de achar a brecha necessária pra te fazer passar pelo sentimento que você vislumbrou e tentou se esquivar com tanto sucesso por certo Tempo. Mas o Tempo não se engana, com seu passar, ele esclarece, mostra... Muitas vezes, lentamente, outras de modo instantâneo. Mas ele é implacável quanto ao futuro certo; demorando mais ou menos, dependendo do caso.

E ele não deixa de ser irônico e sacana pois coloca as coisas na frente dos seus olhos quando você se sentia seguro o suficiente para não olhar mais para aquilo. E muitas vezes em um momento que você não poderia ter mais nada em sua frente por ter um outro foco, bem definido e que demanda energias concentradas.

O Tempo é assim... Cabe a gente aceitar, gostando ou não.

20 de julho de 2010

Here and There (Aqui e Lá)

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Do you know what happens? Neither do I! The mind at these times is a whirl and sends disordered signals to the heart to beat faster, to the sleep to remain absent, to the basic functions of the body to be disarranged, to the lips to start to be bitten on the inside and the nails to become smaller and irregular.

The body tires, not the mind. Many things arrive at the magnetic field of this powerful tool that changes the course of the things and makes it so tattered that I can look the backlog that I continuously do and redo and notice I didn’t leave the place. Place, moreover, is the problem… and solution at the same time. It’s that time when the Libran scale flips out.

There is where I always felt confident, sometimes overconfident, owner of myself. My job wasn't the dream's, but I strove to do it the best. From this, came good results and compliments. There is a space where I had domination of my territory, and I always fight intensely for it. There is the place where my friends were always ready to have fun together and also to have hour-long conversations filled with advice and outflowings, or about the banalities of public transport or that TV show.

There is where life is easier, where I’ve all the elements that protect me, care about me, look out for me, surround me.

Here, on the other hand, is where the things happen. I don’t talk just about the hype of the new gadget or about the concert of the moment; here the things happen when you’re ill, need to move around the city or even make the supermarket purchases of the month. They happen on a daily basis. Here life is more difficult, more challenging and also makes a fantastic and dynamic place, that consequently moves you along with the river current.

Here, nobody cares if you go out on the street in flip-flops, floral shirt, top hat and filibeg. Maybe they think I’m eccentric, but they’ll hardly lose more than 5 seconds of their busy lives with me. Here they don’t care if I’m young or old, man or woman, gay or straight, Brazilian or Polish. Here you have to show it belongs, without carrying the prerequisite social tags and labels that the majority don't put on you. Here is a multicultural cauldron with buzzing differences around common interests, that makes more viable the acceptance of the other, who doesn't have, in general, a routine very different from yours. Even though he earns your triple, he knows that the easiest way to reach his workplace is by tube. There it is also known, but is better to cover the eyes, give a smile and move on.

There they smile a lot, here not so much. There they also fake a smile a lot, here not so much. There they’ve sympathy, here respect. There they’ve hypocrisy, here a possible loneliness. There they’ve the idea that what comes from here is the best. Here the domestic product is valued and yet the outer one, respected. There, the idea is to multiply, here is to share. There you do have the best treatment in the world, here you’ve the world on your treatment.

There and here are opposites. And twins. There are differences that weight and search for a balance inside the ones who pass between both locations. This is what happens with me and brings me the whirl.

Here the glass windows on the offices let everybody follow other’s routine. But, to be honest, nobody cares that much about the work routine of a stranger. Strange one that consequently has exposed his life, but has at the same time more freedom than he would have there. And he hides himself more efficiently that he could there.

The people from there that are here brings a bit of the taste of home, but this reminds me too that they have a knack for everything and always, it can disturb these good memories and remember that being wherever they are, have in their nature the trial to take advantage of everything, even if it means cheating on the person that lives with them. And this is sad, here or there.

On the other hand, the people there have natural swing, that the people from here try hard to imitate and can’t do at first, sounds artificial. The people there have this swing also regarding music, this music that is often less logical and technical than here, but that is contaminated here, that just repeats meaningless phrases they listen, as well as there’s ones repeats, most idolised, the songs from here, returning to the paradox value and respect.

But both here and there some similarities take shape in light of the passage of time. The bath, for example, anywhere, is my deepest, more intense, logical and practical thinking. It’s a pity I can’t verbalise as well as thinking in the bath.

Either there or here, bureaucracy, high taxes and corrup politicians exist. The difference is that here the results of the taxes are returned to the population, the bureaucracy serve as efficient register most of the time and corruption must be uncovered publicly in a satisfactory way.

There, the appearance counts a lot. Beyond the physical and personal, the house must be beautiful and imposing so that the others will have a good impression of your job, which must bring status, even if only in the nomenclature of the post that carries the badge. The clothes have to be stunning, even if they’re uncomfortable.

Here the functionality of the things matters more, being simpler. The houses are virtually all the same, mainly externally they’re twins among them. The job must reward each one’s necessities, independent if its function is waiter, receptionist, manager, marketing researcher, representative or company’s owner. And knowing that, everybody respects the others, without looking down on them.

But now, there is here and here is there. Everything changed… again. But many things didn’t change. Others are completely different. The adaptation between the “here” and the “there” seems much more difficult now then when the direction was from here to there, even though it brought uncertainties (and maybe exactly because of that it seemed easier). Here’s family can’t and won’t understand how painful it was to leave there. There’s family can understand a part of it, to live a similar situation in the change of here and there. Only the family of transition, the one which walked here and there, the other piece of middle part, is the one who knows that beyond all of it, the plural, in terms, turn to be singular. But knows too that there’s a mark this process left on us and that will keep an eternal link.

Between singular and plural. Between here and there.

[From the original, in Portuguese: Aqui e Lá. Thanks to Louise Latham for the language correction!]

2 de julho de 2010

Viva Dunga, abaixo o "dunguismo"

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Mais um texto recebido da Ju Lázaro, bem oportuno sobre a saída do Brasil da Copa do Mundo na África do Sul hoje, ao perder de 2x1 para a Holanda.

Viva Dunga, abaixo o "dunguismo"

Lá vou eu com a antiga mania de desafiar a chamada sabedoria convencional, que, pelo que vi nos canais de TV após o jogo contra a Holanda, está crucificando Dunga.

Eu vou defender Dunga. A eliminação não é culpa dele, por mais que você precise de um Judas a quem malhar na derrota.

Dunga levou para a Copa o que tinha à mão. Não me venha com Ronaldinho Gaúcho, pelo amor de Deus. Esse rapaz, no auge de sua forma na Copa de 2006, foi um tremendo fiasco. Agora que está no tobogã para baixo, você queria levá-lo para repetir o fracasso?

Já Ganso e Neymar, eu levaria, sim. São atrevidos e ousados, características ideais para jogadores de futebol (e para outras profissões também, mas não são elas que estão na berlinda hoje).

Como Dunga não é nem atrevido nem ousado, deve ter achado que convocá-los seria uma aventura. Seria mesmo. Tanto que os dois não estão jogando no campeonato nacional o que jogaram no paulista. Se Robinho, igualmente atrevido, igualmente ousado e igualmente brilhante no campeonato paulista, foi o fiasco que foi na África do Sul (e não só no jogo contra a Holanda), quem garante que seus jovens companheiros fariam diferente?

Sobrou algum talento mais, espalhado pelo mundo, que Dunga não tenha convocado? Não vejo nem ouvi meus ídolos no colunismo esportivo (PVC, Juca, Tostão, José Geraldo Couto, Fernando Calazans) mencionarem algum com entusiasmo ou até sem ele.

Dunga, portanto, levou o que o Brasil tem hoje para mostrar na passarela do futebol. Que culpa ele tem se os dois maiores talentos da atualidade --Kaká e Robinho-- fracassaram?

Que culpa ele tem se os três jogadores que toda a crônica esportiva transformou em monstros sagrados --Júlio César, Juan e Lúcio-- falharam miseravelmente nos gols da Holanda? O goleiro saiu do gol estabanadamente no primeiro gol; os zagueiros deixaram um baixinho de 1m70, Sneijder, cabecear no segundo gol, sem precisar nem sequer erguer o pescoço, quanto mais pular, porque os beques que deveriam marcá-lo estava caçando mosca.

A seleção não podia ser salva por Dunga, mas por Freud, se vivo estivesse e gostasse de futebol. Só ele para explicar como é que 11 jogadores que atuaram tão bem no primeiro tempo conseguem perder totalmente o rumo apenas porque o time adversário fez o gol de empate, na primeira jogada de perigo que conseguiu criar até então.

É por isso que o título da "Janela" termina com "abaixo o dunguismo". O problema de Dunga não é com a pessoa jurídica (o treinador), é com a pessoa física. Dunga é triste, é chato, é resmungão, deveria chamar-se Zangado, se é para ficar em nome de anões. Futebol, ao contrário, é alegria, é molecagem, exige que não se perca a alegria jamais, mesmo quando é preciso endurecer (se o Ché me permite parafraseá-lo).

É por isso que a seleção de 2010 perde e pede para ser deletada da memória, ao contrário da de 1982, que também perdeu.

Texto de: Clóvis Rossi que é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às quintas e domingos na página 2 da Folha e, aos sábados, no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".


E esse texto, em sua maioria, define o que penso. Dunga pode ter errado na convocação, mas o time se desintegrou no último jogo sem explicação plausível e racional. E crucificar o cara como o culpado é se cegar diante dos outros erros. É querer concentrar vários erros em uma pessoa só. Não sou expert em futebol, por isso não me atreveria a escrever um post só com palavras minhas sobre o assunto. Mas o que me incomoda é a postura das pessoas perante o fato. E são pessoas que cantam "Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" durante a Copa e o resto do ano só reclamam do Brasil e acham que todo mundo é melhor que a gente.

Quem deveria ser eliminada é a hipocrisia.
Segura o orgulho, cria vergonha na cara, abre o olho.

21 de junho de 2010

Aqui e Lá

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Sabe o que acontece? Nem eu! A cabeça nessas horas é turbilhão e manda sinais desordenados para o coração bater mais rápido, para o sono se manter mais ausente, para as funções básicas do organismo se desregularem, para os lábios começarem a ser mordidos por dentro e as unhas ficarem menores e irregulares. O corpo cansa, a mente não. Muita coisa chega ao campo magnético dessa ferramenta poderosa que altera o curso das coisas e a faz ficar tão estafada que eu posso olhar para aquela lista de coisas pendentes que eu continuamente faço e refaço e perceber que não saí do lugar. Lugar, aliás, é que está sendo o problema... e solução ao mesmo tempo. É a hora que a balança libriana entra em parafuso.

Lá é o lugar que sempre me senti seguro, às vezes muito seguro, dono de mim. Meu trabalho não era dos sonhos, mas eu me empenhava para fazer dele o melhor. Disso saíam bons resultados e elogios. Lá é um espaço onde eu tinha domínio do meu território, e sempre briguei intensamente por ele. Lá é o lugar onde os amigos estavam sempre prontos pra gente se divertir junto e também para conversas de horas cheias de conselhos e desabafos, ou ainda sobre as banalidades do transporte público ou daquele programa de TV. Lá é o lugar onde a vida é mais fácil, onde tenho todos os elementos que me protegem, me cuidam, me olham, me cercam.

Aqui, por outro lado, é o lugar onde as coisas acontecem. Não falo só da badalação do novo gadget ou do show do momento; aqui as coisas acontecem quando você fica doente, precisa se locomover ou mesmo fazer as compras do mês. Acontecem no dia-a-dia. Aqui a vida é mais difícil, mais desafiadora e isso também faz daqui um lugar fantástico e dinâmico, que conseqüentemente te move junto com a correnteza do rio.

Aqui ninguém liga se eu sair na rua de chinelo, camisa floral, cartola e saia escocesa. Talvez me achem excêntrico, mas dificilmente perderão mais de 5 segundos de suas vidas ocupadas comigo. Aqui não ligam se eu sou novo ou velho, homem ou mulher, gay ou hétero, brasileiro ou polonês. Aqui você tem que mostrar a que veio, sem carregar como pré-requisito as etiquetas e rótulos sociais que a maioria não faz questão nenhuma de te colocar. Aqui é um caldeirão multicultural que fervilha diferenças em torno de interesses comuns, o que torna mais viável a aceitação do outro, que não tem, num geral, uma rotina muito diferente da sua. Mesmo que ganhe o triplo, ele sabe que o jeito mais fácil de chegar ao trabalho é de metrô. Lá também se sabe, mas é melhor cobrir os olhos, dar um sorriso e seguir em frente.

Lá se sorri muito, aqui não tanto. Lá também se sorri muito de mentira, aqui não tanto. Lá se tem simpatia, aqui se tem respeito. Lá rola hipocrisia, aqui uma possível solidão. Lá se tem a idéia de que o que sai daqui é o melhor. Aqui o produto interno é valorizado e ainda assim o externo, respeitado. Lá a idéia é multiplicar, aqui dividir. Lá você tem o melhor atendimento do mundo, aqui o mundo no seu atendimento.

Lá e aqui são opostos. E gêmeos. Tem diferenças que pesam e procuram o equilíbrio dentro de quem transita entre as duas localidades. É o que acontece comigo. É o que me traz o turbilhão.
Aqui as janelas de vidro nos escritórios deixam todo mundo acompanhar a rotina do outro. Mas, pra ser sincero, ninguém se importa tanto assim com a rotina trabalhista de um estranho. Estranho esse que por conseqüência tem a sua vida exposta, mas ao mesmo tempo mais liberdade do que teria por lá. E ele se esconde mais eficientemente do que seria se fosse lá.
O povo de lá que está aqui traz um pouco do gostinho bom de casa, mas me faz lembrar também que eles têm um “jeitinho” pra tudo e sempre, que pode atrapalhar essas memórias boas e lembrar que estando onde estiver, têm em sua natureza o “tentar levar vantagem em tudo”, mesmo que pra isso tenha que passar por cima ou trapacear o outro que mora com eles. E isso é triste, aqui ou lá.

Em contrapartida, o povo de lá tem ginga natural, que o povo daqui se esforça pra imitar e não consegue de primeira, soa artificial. O povo de lá também tem música com essa ginga, uma música muitas vezes menos lógica e técnica do que aqui, mas que contagia os de cá, que só repetem as frases sem sentido que ouvem, assim como o povo de lá repete, com mais idolatria, as músicas daqui, voltando ao paradoxo valor e respeito.

Mas tanto aqui como lá algumas similaridades tomam corpo à luz do passar do tempo. O banho, por exemplo, seja onde for, é o meu pensar mais profundo, intenso, lógico e prático. É uma pena que não consiga verbalizar tão bem quanto pensar no banho. Tanto lá como aqui há burocracia, impostos altos e políticos corruptos. A diferença é que aqui os resultados dos impostos são retornados para a população, a burocracia serve de registro eficiente na maioria das vezes e a corrupção deve ser retratada publicamente de maneira satisfatória.

Lá, a aparência conta muito. Além da física e pessoal, a casa deve ser bonita e imponente para que os outros tenham uma boa impressão do seu trabalho, que deve trazer status, nem que seja só na nomenclatura do cargo que se carrega no crachá. As roupas tem que nos deixam deslumbrantes, mesmo que sejam desconfortáveis. Aqui importa mais a funcionalidade das coisas, sendo elas, portanto, mais simples. As casas são praticamente todas iguais, principalmente externamente são gêmeas uma das outras. O trabalho tem que recompensar as necessidades de cada um, independente se sua função é garçom, recepcionista, gerente, pesquisador de marketing, representante ou dono da empresa. E todo mundo sabendo disso, respeita o outro, sem olhar de superioridade.

Mas agora lá é aqui e aqui é lá. Tudo mudou... de novo. Mas muita coisa não mudou. Outras são completamente diferentes. A adaptação entre o aqui e lá parece muito mais difícil agora do que quando a direção era daqui pra lá, mesmo que trouxesse incertezas (e talvez exatamente por isso parecesse mais fácil). A família daqui não consegue e não vai conseguir entender quão doloroso foi deixar lá. A família de lá consegue entender uma parte disso, por viver situação similar na troca do aqui e do lá. Só a família de trânsito, a que caminhou aqui e lá, a outra peça no meio termo, é que sabe que além de tudo isso, o plural vira, em termos, singular. Mas sabe também que há uma marca que esse processo deixou e que vai manter uma ligação eterna.

Entre singular e plural. Entre aqui e lá.

29 de maio de 2010

10 coisas que uma mulher deve saber sobre o cérebro de um homem

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Recebi, mais uma vez da minha amiga Ju Lázaro, um texto que, como todos que ela me manda é interessante e dá margem a várias cadeias de pensamento.

As noções mais populares sobre o cérebro masculino vêm de pesquisas que analisam homens com idades entre 18 e 22 anos – então não é de se surpreender que os estudos digam que eles pensam mais sobre carros, cerveja e sexo. Mas o fato é que o cérebro do homem varia muito de acordo com sua idade.

Quer saber mais? Confira 10 coisas que uma mulher deve saber sobre o cérebro de um homem:

1. Meninos são mais emotivos:

Enquanto mulheres são consideradas mais sensíveis do que homens, meninos pequenos são considerados mais emotivos do que as meninas. De acordo com pesquisas não é que homens sejam menos sensíveis quando ficam adultos. Eles apenas aprendem a controlar melhor suas emoções. Segundo estudos, homens demonstram suas emoções até perceberem que os outros estão conscientes de suas reações. Após esse momento eles adotam uma expressão neutra e fingem que não estão nem aí. Isso por que, desde cedo, ensinamos aos meninos que “não é coisa de macho” se emocionar.

2. Homens são mais vulneráveis à solidão:

Homens não são tão extrovertidos quanto mulheres, o que agrava a sensação de solidão. De acordo com especialistas, viver com uma mulher pode ajudar bastante. Segundo estudos, homens que tem um relacionamento estável vivem mais, são mais saudáveis e menos ansiosos.

3. Eles se preocupam com as soluções e não com os problemas:

O mito é que as mulheres sentem mais compaixão do que os homens e se importam mais com problemas. A verdade é que, em vez de ficar se preocupando com o problema, o homem se concentra imediatamente na solução – o que dá a impressão que ele se importa menos. Então quando você e seu namorado estiverem perdidos na estrada e ele não quiser parar para pedir informações, saiba que é porque todo o cérebro dele está se esforçando para achar uma solução por conta própria.

4. Homens são “fabricados” para analisar as mulheres ao seu redor:

Talvez o cientista que descobriu esse fato tenha sido pego pela namorada enquanto olhava uma morena sambando no carnaval. O fato é que, segundo especialistas, por terem seis vezes mais testosterona no sangue do que as mulheres o controle dos impulsos naturais pelo cérebro masculino se torna mais difícil. Então a olhada que seu marido dá para a loira oxigenada que passou por perto não é de propósito – ele estaria no “piloto automático”.

5. Ciúmes:

Os homens, por questões evolutivas, têm uma necessidade de proteger suas parceiras. Enquanto mulheres sentem o ciúme possessivo o homem, mais frequentemente, parte para a violência com o adversário. Isso por que a área do cérebro que estimula essas reações em qualquer mamífero que seja macho é maior do que nas fêmeas.

6. Necessidade de um chefe:

Ou eles são os chefes ou precisam ter um. Estudos mostram que homens que estão em uma hierarquia instável e mal-estabelecida são mais ansiosos e agressivos. Aqueles que participam de organizações nas quais a hierarquia é bem definida, como no exército, têm níveis menores de testosterona e são menos agressivos entre si.

7. O cérebro masculino maduro:

Durante a evolução, machos mais novos se preocuparam em competir por status e por parceiras, enquanto homens mais velhos davam mais importância à comunidade e à cooperação. E isso acontece até hoje. Estudos psicológicos mostram que homens mais velhos são mais dependentes e se preocupam mais com questões sociais, além de trabalharem melhor em equipe.

8. Pai de primeira viagem:

Nos meses que antecedem o nascimento de um filho, o cérebro masculino se torna mais propício para raciocínios cooperativos. Até mesmo os hormônios mudam (a testosterona cai e a prolactina sobe) encorajando o comportamento paterno. Supõe-se que os responsáveis por isso sejam os feromônios de uma mulher grávida, que causariam essas mudanças em seu parceiro.

9. Brincadeiras paternas:

Os pais brincam com os filhos de forma diferente do que as mães. Os pais são mais espontâneos e cientistas acham que esse jeito especial faz com que os filhos tenham facilidade de aprendizado, sejam mais confiantes e mais preparados para o mundo, quando chegam à idade adulta.

10. Homens também querem casar:

A idéia dos solteirões inveterados pode ser um dos maiores mitos sobre a masculinidade. De acordo com estudos, os homens também querem achar a mulher ideal, casar, constituir família e serem felizes para sempre. Alguns homens, claro, têm problemas com o comprometimento, mas 60% da população masculina não teria esse problema (supostamente genético) e deseja se casar. E os que já casaram dizem estar felizes com a escolha e com a vida familiar.

O texto é uma tradução do original: 10 Things Every Woman Should Know About a Man's Brain

3 de abril de 2010

Desconstruções, de Martha Medeiros

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Recebi por e-mail um texto da @gabijoaninha que eu já tinha lido antes, mas que é bom demais, e valeu a pena reler e, dessa vez, compartilhar aqui com vocês.

O texto, de autoria de Martha Medeiros, chama-se Desconstruções.

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem. A imagem tem a ver com as nossas expectativas e mais ainda com o que ela "vende" de si mesma.
É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se a pessoa for parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se dela, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você acreditou, virá um processo mais lento: a de desconstrução daquilo que você achou que era real.

Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos, desconstruindo Carla.
Milhares de pessoas vivem seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão "desconstruindo ilusões". Tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico.

Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme.
Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas, manias e imperfeições. Isso se formos honestos.
Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, sem entender absolutamente nada.

Quem se apaixonou por uma mentira, tem que desconstruí-la para "desapaixonar".
É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo é mais forte do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento bacana não chegou a existir, que tudo não passou de uma representação.

Talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma,por isso ela se inventa.

Sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que alguém que gostamos não é, e nem nunca foi, Especial.


Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Quando sabemos com quem estamos lidando, tudo se manterá de pé! Graças a Deus...

22 de dezembro de 2009

Inverno em Londres: a primeira neve

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Na última segunda-feira, dia 21 de dezembro, começou oficialmente o inverno no hemisfério norte e com ele a neve se intensificou aqui em Londres. É meu primeiro inverno aqui e estou passando bastante frio, mas isso é uma coisa que acostuma. Estou mesmo é curtindo as novidades, como a neve. É a primeira vez que vi neve na vida e isso me fez voltar um pouco a ser criança (e chegar a andar na rua quase pulando de alegria). Foi um momento mágico, por assim dizer.

Estou chegando perto de completar 3 meses em Londres e muita coisa gira na minha cabeça. Gira principalmente uma pressão interna, vinda de um Rafael que pontuou alguns objetivos e metas para esse projeto de vida. E com tanta coisa nova pra aprender, é muito fácil se desviar das propostas iniciais. É engraçado chegar aqui depois de mais de 2 anos de preparação e parecer que todo esse tempo passou muito rápido e que mesmo sendo longo ele não conseguiu (nem nunca ia conseguir) contemplar todos os pontos importantes de estar aqui.

Não sei se é o frio que contribui pra isso, mas às vezes parece que alguma coisa está faltando. A saudade da família e dos amigos existe, mas a Internet ameniza bastante esse processo; a comida brasileira não tem igual, mas ainda assim os improvisos culinários aqui estão melhores do que eu poderia esperar, pelo menos por enquanto; o meu último trabalho no Brasil, mesmo não sendo tão desafiador quanto eu esperava faz falta por me manter em contato com minha área, ativando sempre aquela parte do cérebro focada nisso, mas aqui tenho um trabalho, que me dá uma graninha pra ajudar nas contas. Mas acho que é isso que ainda falta, algo mais consistente e estimulante que mantenha minha mente ainda mais ativa pra conseguir aproveitar melhor o que essa oportunidade está me oferecendo.

Além do trabalho mais "braçal" aqui, estou fazendo um freela pra minha professora de inglês aqui, Louise Latham. Ela é cantora de folk/acoustic, acabou de lançar um CD por essas bandas e tem um trabalho que me impressionou e encantou (dê uma olhada no MySpace dela). Como ela lançou o CD de forma independente, a empresa responsável pela divulgação cuida mais da parte de negócios e a divulgação propriamente dita (principalmente na Internet) fica por conta dela e de acordo com ela é aí que eu entro. Esse projeto de assessoria pra ela está me dando muito prazer, porque além de eu treinar meu inglês instrumental, acabo entrando na publicidade dentro da área musical, que sempre foi um dos meus objetivos profissionais. E fico feliz que ela (que se auto denomina uma ignorante em informática) está ficando empolgada com as coisas que estou ensinando pra ela nesses nossos encontros.

Mas esse projeto não é o que vai pagar as minhas contas aqui. Acho que isso é o que está tirando meu sono (não literalmente) nos últimos tempos. A empresa pra qual estou trabalhando não é o tipo de empresa, digamos, leal aos funcionários. É o tipo de empresa que tira você da agenda de um evento mas te diz que o evento foi cancelado por "venda de ingressos pobre" e quando você tem o simples impulso de entrar no site do local onde seria realizado, vê que o evento ainda está de pé e é um dos principais da semana. Esse não é o tipo de gente que gosto de trabalhar, de gente com problema com a verdade já bastam alguns exemplos dos últimos trampos. Quero é continuar trabalhando com gente do bem, como sempre tive a sorte de conhecer pelas empresas que passei (salve André, Vander, Lívia, Marquito, Elaine).

Talvez essa seja a pulga atrás da minha orelha. E esse fim de ano é a data que estipulei pra despejar ela de lá. Que um banho de sal grosso nessa virada de ano sirva pra tirar a pela morta da minha vida e trazer os louros que estão esperando por mim para serem colhidos.

Tenham um feliz Natal Branco e que 2010 seja um ano mais do que especial pra quem procura sempre fazer o bem, mesmo que olhando a quem.
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