23 de novembro de 2010

Sincericídio

Eu prefiro a verdade acima de tudo. Sempre! Mesmo que pra isso, eu tenha que cometer um sincericídio, nesse caso, matar algo pela sinceridade. Seja algo um sentimento, uma vontade, um desejo, uma relação, uma esperança... qualquer coisa.

Na minha visão, acima de tudo está o ser sincero. Mas concordo que falar a verdade mais profunda não é fácil. É por isso que procuro estar preparado para falá-la, preparado para aguentar a consequência que vem inevitavelmente, pro bem ou pro mal. Na hora de analisar como as pessoas encaram a sinceridade, a contagem dos pontos é modificada.

Dois casos que passaram pelos meus olhos nos últimos meses são opostos nesse tratamento.

O Caso A tinha uma relação pessoal muito forte com um outro alguém, era uma relação que gerava bons frutos, mas é uma relação que pouco depois do meio do caminho se contaminou. Uma ação sempre gera uma reação. Mas o Caso A teve a ação omitida, para evitar a reação. Omissão é falta de verdade, o que acaba, em alguns casos, se assemelhando à mentira. Um ano depois o tempo se encarregou (irônico e como sempre) de trazer a ação à tona, gerando como reação a quebra de toda essa relação previamente sólida. E quando a rachadura vem da sinceridade, da verdade, da essência, ela pode ser remendada, repensada, mas estará sempre lá presente. Um ano do caminho teria se baseado em uma falta de verdade, seguida de uma mentira direta e da falta de justificativas. Esse caminho, em essência pura, não existiu. Algo que se pensava sólido virou poeira e foi varrido pelo vento.

O Caso B tinha um ar mais efêmero. Começou de repente, inusitadamente, totalmente inesperadamente! Mas começou a cavar seu espaço. De cara, turbulências balançaram o avião antes dele se estabilizar, mas ainda assim, adaptação está sempre no nosso caminho. Dúvidas, receios e simplicidade foram aos poucos se diluindo. Quando as coisas pareciam caminhar pra um mar de rosas, veio o conceito, que não chegou nem ao ponto de ação, logo seguida do balde de água fria chamado sinceridade. Mas ainda assim, era um balde de água fria verdadeiro. E eu sempre penso que a verdade vem pro bem. A água gelada talvez tenha transformado essa névoa prévia em algo um pouco mais parecido com solidez.

Os casos apresentados acima tiveram pontos de partida e chegada bem diferentes. Enquanto um 'tudo' se desmoronou, um 'em processo' se tornou algo mais palpável para o futuro. De nada adianta pra mim todos os entornos sem a sinceridade, talvez um dia só reste ela, os entornos podem todos cair, mas a verdade vai estar sempre estampada aos olhos. E eu de fato considero isso. Nos dois casos, a relação citada (seja ela familiar, fraternal, amorosa, profissional... cada um tem a sua interpretação dos casos) teve o mesmo resultado final, mas o caminho traçado até ele demonstra pra mim a integridade dos indivíduos envolvidos em relação à sinceridade. E se há esse tipo de compromisso, porque outros não poderiam voltar a ser assumidos no futuro? Agora, se isso é algo que falta, um dos pilares de qualquer firmamento futuro está trincado.

Porque o ser humano tem tanta dificuldade em falar a verdade dos fatos? Disso tudo, um só dizer:
"Desculpa minha incapacidade, mas nesse caso, eu não consigo. Todavia, eu agradeço pela confiança, ela é mútua e não foi quebrada."

2 comentários:

Anônimo disse...

E ouvir a verdade de uma Pessoa sincera? E refletir? É dificil!!!!

Falar me parece tão facil, ou melhor teclar... Pois coragem de falar falta... Aprenda a ouvir...

Rafael Leick disse...

Oi "Anônimo"!
Ouvir a verdade de uma pessoa sincera nunca me incomodou. Esse, inclusive, é o fio condutor dessa postagem.
Já em relação a falar ou teclar, quando passo por situações como as descritas no post, sempre considero falar a melhor solução. Isso também é o que serviu de guia pra eu escrever esse texto. E eu procuro sempre ouvir.
Coragem não me falta nesse sentido. Como falei, prefiro sempre uma conversa franca a meias verdades não ditas, e valorizo muito isso. Agora, se eu deixei de fazer isso com você, seja quem quer que seja, talvez você também consiga criar "coragem de falar", deixar o anonimato e aprender a ouvir o que tenho pra dizer sobre o assunto que for.
Sem identificação fica complicado eu tentar "resolver" algum caso específico que tenha fugido à minha linha de conduta.
Obrigado pelo comentário e pelo conselho, de qualquer modo!
;)

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