30 de dezembro de 2011

O palhaço que desaprendeu a chorar

Tanto tempo sem, tanta coisa para, tanto espaço sem.
Falta, sempre falta.

Longo tempo e o ser continuava, tempo efêmero, essência maquiada. Era hora de olhar forçadamente para dentro de si, de reparar nos mínimos seus. O passado ensinava e nem sempre o aprendizado era tranquilo e pacífico. A dor mostrara verdades nunca antes notadas. Mas ainda assim era dor. E ela doía.

Pensamentos truncados de sinapses infrutíferas, circuitos abertos de uma vida socialmente apática e superficial.

Do picadeiro, o palhaço procurava nos vultos um par de luminosos. Nada enxergava, nem a si. Tudo refratado, vultos enviavam simulações enquanto absorviam cada movimento do olho maquiado. O olho suplicante que nada via e cercava. Maquiagem de pretexto ineficaz, por ela passar tudo é capaz. E o palhaço deixou de ver, procurando no escuro por si só. As lágrimas tornaram-se tinta seca no show que não pode parar.

Ele desaprendeu a chorar.

2 comentários:

Hilreli Alves disse...

=O
Nossa, não sabia dessa vertente sua
Muito bom mesmo!! Parabéns!!
Poste mais divagações e inspirações a cerca do ser..rsrs \o/

Rafael Leick disse...

Valeu, Hilreli. Não é frequente, mas às vezes me inspiro a escrever alguma coisa. Aqui no blog tem alguns textos nessa linha. Gosto de escrever assim.
Obrigado pelo elogio. =)

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